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A estrela é o professor



O nível de leitura dos alunos universitários das instituições particulares não mudou nos últimos anos. Apresentam uma deficiência nesse quesito, não tem o prazer nem o hábito da leitura. À bem da verdade bem poucos tem noção da importância que tal hábito tem para sua formação profissional. É como não enxergar que carro precisa de gasolina. Mas houve uma mudança nestes últimos anos, os alunos são, contraditoriamente, mais informados, tem mais noção daquilo que acreditam devam ser as coisas. São de certa forma mais exigentes, cobram mais, reclamam da formação ou não formação que recebem, embora, chamo a atenção, esse comportamento não venha se traduzindo em maior compromisso deles mesmos com o que cobram.
Entretanto, estarem mais informados, saberem mais sobre o que acontece em outras instituições de ensino, não aceitarem desmandos ou apatia da coordenação em relação ao cotidiano de seus cursos, vem causando algumas mudanças que cabem aqui serem mencionadas.
A oferta de cursos em profusão tem levado os alunos a trocarem uma instituição pela outra sem muito problema. Se sentem que não estão sendo atendidos ou suspeitam da formação que recebem ou, qualquer outra coisa que comprometa o que acham ser importante, mudam de faculdade e espalham as notícias pouco confortáveis da instituição de onde saíram.
Esse comportamento é claro, corresponde a um certo perfil de aluno que se preocupa com o curso onde vai se formar. A reação de professores, direção e coordenação em relação a estes alunos tem se traduzido em duas posturas básicas. De um lado, um esforço em atualizar-se, modernizar-se, não na parafernália de computadores e notas digitadas no sistema on line da faculdade, mas no sentido de produzir uma pedagogia de ensino e aprendizagem mais rápida, fluída, dinâmica, interativa e que permita ao aluno entender que educação é compromisso, empenho, disciplina, e não obrigações que desconhece o sentido e nem vê razão. Por outro lado, a reação tem sido menos louvável, isto é, a massificação do ensino a sua conformação a partir da idéia que o ideal é acelerar e ampliar o antigo modelo de disciplinas estanques, aulas expositivas e provas com cobranças cada vez mais duras a respeito de horários e outras disposições burocráticas, que se são importantes, em nada contribuem para um outro ensino mais nos moldes do que acima mencionei.
A massificação em salas de aulas, e por conseqüência a centralização da figura do aluno como ponto cardeal da vivência universitária, tem provocado descontentamentos de todos os tipos, especialmente entre os bons professores, e não raro entre muitos alunos que sentem as conseqüências dessa distorção, mas não entendem suas razões. Ainda é forte entre muitas faculdades a idéia de que o aluno é o centro da instituição e é ele que se deve ter como referência para se construir os fundamentos que se deseja seguir. Isto é um equívoco, e muito temos pago, professores e alunos, por essa miopia. O centro da instituição é o professor. A ele deve se dirigir as cobranças de produzir, escrever, aparecer, se fazer sentir como um profissional de sua área. Mas ele também que deve ter da instituição a valorização de que precisa, os instrumentos e as ferramentas para demonstrar e aplicar seu conhecimento. O professor é o centro e é no entorno dele que deve orbitar o aluno, que precisa ver no seu mestre a figura que precisa para se inspirar, se projetar e se formar. Vivemos em uma sociedade carente de referências, mas nunca desejamos tanto tê-las, o professor tem que ser esta referência, e é papel das Faculdades permitir que isso aconteça.
A massificação do alunado em salas de aulas cada vez mais impossíveis de dar aula tem transformado os alunos em pequenos déspotas que decidem quem será seu professor e por quanto tempo. Perdem os bons professores, perdem os bons alunos, perdem as boas instituições. Quando a faculdade cobra, exige, admira e promove seus professores, o aluno tem referência, valoriza, participa, marketeia a instituição onde estuda, é fã de seus professores e convida novos alunos a fazerem parte dela. Quem ganha com tudo isso é a Instituição de Ensino.
Ou se alertam quem decide nas instâncias cabíveis do ensino em cada instituição ou, não sobrará muito para que se possa chamar de ensino universitário.
Luciano Alvarenga

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