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Sobre como a vida não vai ser diferente


É normal as pessoas dizerem que se nascessem de novo fariam tudo diferente. Há até um poema, segundo dizem do poeta Argentino Jorge Luis Borges. Algo assim, “se eu vivesse de novo subiria mais montanhas, nadaria mais nos rios, não me preocuparia tanto...”  e por ai vai.
Tem gente, por exemplo que diz, hoje eu não me casaria não, se eu me separar eu vou viajar, conhecer outros lugares, fazer coisas bem diferentes.
A ideia é que a vida não é exatamente como se gostaria ou que se não existisse uma tal pessoa na minha vida ai sim eu iria viver.
A pergunta é: será mesmo? Será mesmo que tudo seria feito de outro jeito muito diferente de como está sendo feito agora?
A verdade é que a maioria das pessoas não fariam nada diferente simplesmente por que fizeram do jeito que era o que elas queriam. Fazer diferente implica em querer ser diferente e a maioria das pessoas que eu conheço adoram ser como são. Como viver diferente se eu adoro ser como eu sou.
Vivemos a partir daquilo que somos.
O que gostamos de dizer é que alguém ou alguma coisa nos impedem de viver uma vida fantástica e incrível, mas a verdade é que a maioria de nós não tem nenhuma força, energia ou coragem para viver de outra maneira.
A maioria das pessoas que eu conheço tiveram boas chances de fazerem do jeito diferente e acabaram fazendo do mesmo jeito de sempre, por uma simples razão. Viver aquela vida fantástica e incrível que imaginariamente dizemos que queremos exige uma mudança de caráter, de vontade, da maneira que olhamos a vida e que a maioria de nós no fundo, no fundo não quer.
É mais cômodo culparmos o marido ou nossa mulher ou a vida em si por aquilo que não acontece por que sabemos que o que queremos que aconteça não vai acontecer.
É como dizer que se um disco voador aparecesse iríamos embora com ele, só dizemos isso por que temos certeza que ele não vai aparecer. Luciano Alvarenga

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