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terça-feira, 17 de julho de 2012

Mudança geracional na política tupiniquim?


Mudança geracional na política tupiniquim?

Ruda Ricci
O governador Eduardo Campos vem argumentando que começa a se esboçar uma alternância de gerações no comando da política nacional. Embora conveniente para suas aspirações pessoais, o argumento não é de todo fantasioso.
Há toda uma geração, muito mais pragmática, focada na conquista do poder (a máquina estatal) e nem tanto num discurso estratégico. Nem mesmo um diagnóstico da sociedade e desafios do país esta nova geração consegue entabular com clareza. É mais afeta à lógica da Geração Y.
Como comentei em nota anterior a inflexão petista, retomo a este mote para ilustrar esta mudança.
Quem representaria uma nova geração petista, do ponto de vista do ideário? Podemos arrolar: Ênio Verri (PR), João da Costa (PE), Haddad (SP), Pimentel (MG). Poderíamos ir além. Mas estes são protagonistas recentes das movimentações políticas em seus estados. Faziam parte do baixo clero no comando do PT até meados dos anos 1990. Alguns deles emergiram mais recentemente, nos anos 2000.
O que eles têm em comum? São focados no poder, na conquista da máquina estatal. São mais preocupados com os movimentos táticos, de cunho eleitoral. Mas não conseguem formular um discurso estratégico. Nem mesmo formulam um diagnóstico geral de seu Estado. Estão mais para operadores políticos que para formuladores.
De certa maneira, se alinham com o perfil da nova geração assinalada por Campos: ele próprio, Aécio Neves, Sérgio Cabral, entre outros expoentes em ascensão.
No caso petista, este até então Baixo Clero, emergiu a partir do lulismo, francamente pragmático e ansioso pela conquista da popularidade mais sustentável, perene.
Lula pasteurizou as discussões no PT, marcadas pela divergência em relação ao projeto político para o país e, principalmente, pela estratégia de transformação social. O ideário petista da primeira geração era todo voltado para fora, para a sociedade. O ideário da nova geração de petistas é voltado para dentro, para as instituições e disputa política restrita, entre políticos profissionais.
É fato que esta mudança tem relação com a própria mudança da sociedade brasileira. Emerge uma cultura mais individualista e pragmática. De um lado, mais autônoma, menos curral eleitoral. Mas, de outro, menos solidária e gregária. A base social é a relação íntima e/ou instrumental. Mas Lula ajudou a fazer com que este ideário tivesse projeção, alimentando a Classe C. No PT da geração original, haveria todo um cuidado para politizar esta classe emergente. Desta feita, o lulismo queria apenas seu beneplácito e voto. Porque o discurso lulista é institucional, já construído, sem interatividade como na origem.
A nova geração de lideranças petistas parece ser toda voltada para a vitória. Fala como vitoriosos, mesmo na derrota. Não há espaço para a conquista de um novo país, já que este já foi conquistado por esta geração.
O que pode ser uma mera ilustração do que Eduardo Campos sugere que está a espreita de 2014.

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