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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ensaios para 2018, por Murillo de Aragão


Artigos

Enviado por Ricardo Noblat - 
19.7.2012
 | 13h02m
POLÍTICA

Ensaios para 2018, por Murillo de Aragão

Com o governo muito popular e poderoso, as discussões mais relevantes sobre a sucessão ocorrem dentro da base política. A oposição, pelo seu lado, já tem em Aécio Neves um nome natural.
Embora o noticiário político trate o tema com calor, são remotas as possibilidades de o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, concorrer contra Dilma Rousseff em 2014.
Primeiro, porque o político Eduardo Campos, apesar de se revelar promissor como candidato presidencial, ainda precisa fortalecer nacionalmente a sua imagem.
O segundo aspecto é que o sucesso administrativo de Pernambuco não é conhecido no Brasil. Eduardo “gestor” ainda não é uma unanimidade. Limita-se a um fenômeno regional, apesar de sua imensa popularidade nos círculos políticos.
O terceiro aspecto é o fator Lula. Campos jamais será candidato contra o desejo de Lula. Ele foi claro em sua entrevista na Folha de S.Paulo no domingo retrasado (8 de julho).
O quarto aspecto refere-se ao PSB e suas alianças. Apesar de sua presença no Rio Grande do Sul, com o vice-governador, Beto Albuquerque, e o prefeito de Curitiba, o partido precisa se estruturar melhor no Sul e no Sudeste.
O cálculo político de sua não candidatura inclui mais do que gratidão e apreço. Em condições normais, Campos sabe que não tem êxito assegurado se concorrer contra uma candidatura apoiada por Lula. Assim, em 2014, sua prioridade será fortalecer o partido e a própria imagem e ampliar – se possível – os espaços do PSB no governo federal.
Com o cenário praticamente definido para 2014, com Dilma concorrendo à reeleição, as discussões já estão sendo motivadas por 2018, uma vez que a chapa lulista estaria em aberto. Pode parecer prematuro, mas a dinâmica política, hoje, exige movimentos estratégicos com bastante antecedência.
Ainda que haja motivação local nas eleições municipais, os bastidores das campanhas revelam movimentos estratégicos visando às duas próximas eleições presidenciais e, sobretudo, o futuro da política em um mundo pós-Lula.
Que hipóteses se abrem no momento? A mais natural é a reeleição de Dilma em 2014. Para 2018, as opções naturais seriam, pela ordem, Lula e Eduardo Campos ou alguém do PT. Outra hipótese é colocar Lula como candidato em 2014 e reservar Dilma para 2018. Em ambas as situações, o PT fica tolhido em seu poder de escolha.
Trata-se de um dilema grave que põe um ponto de interrogação no futuro do partido em um mundo pós-Lula. Da mesma forma que FH ficou muito maior do que o PSDB, Lula sempre foi maior que o PT.
Eduardo Campos deseja ser uma alternativa natural para manter o “lulismo” unido em torno de uma candidatura “pan-partidária”. A seu favor, sua imensa popularidade na elite política e sua vocação para a costura política – qualidades essenciais para sedimentar uma boa candidatura nacional.
Entretanto, os entreveros na composição das chapas em São Paulo, Recife, Fortaleza e Belo Horizonte demonstram que o entendimento não será tão fácil.
Pelo seu lado, o PT, que teve de aceitar Dilma como uma candidata do “lulismo”, e não do partido, almeja – finalmente – poder escolher seu candidato. Para tal, brigar com Eduardo Campos visando afastá-lo do universo “lulista” parece ser uma estratégia.
No “lulismo”, com todas as suas limitações, Eduardo Campos se destaca pela capacidade de aglutinar apoios, além de mostrar uma história política bonita e uma história administrativa de êxito. Resta convencer o PT de que Campos pode ser a solução. Tarefa complexa.
Independentemente de estarmos certos ou errados em nossas especulações, o certo é que o futuro do “lulismo” pós-2018 começa a ser jogado nas eleições municipais de 2012. 

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