Pular para o conteúdo principal

Depressão atinge cães e gatos


A influência humana no comportamento dos animais domésticos

Por Vinicius Carioca
Do Ciência Hoje Online
de Guilherme de Souza
Doenças renais crônicas, obesidade, depressão... Décadas atrás, era impensável a ideia de que tais enfermidades pudessem atingir cães, gatos e outros animais. Hoje, porém, a medicina veterinária enfrenta casos antes considerados tipicamente ‘humanos’. Mais que uma evolução dos métodos de diagnóstico, a mudança pode ser reflexo da influência dos donos sobre a saúde de seus animais domésticos.
A constatação é do antropólogo Jean Segata, que observou o dia a dia de uma clínica veterinária no município catarinense de Rio do Sul. Com base nessa experiência, ele desenvolveu sua tese de doutorado, ‘Nós e os outros humanos, os animais de estimação’, defendida recentemente na Universidade Federal de Santa Catarina.
Tal cão, tal dono
Se os sintomas de depressão são os mesmos em cães e humanos, há semelhança também no tratamento da doença, com uso de psicotrópicos e psicoterapia
Entre os diversos casos que acompanhou na clínica, Segata destaca a depressão canina. Embora sua ocorrência não seja uma unanimidade no meio acadêmico, a doença tem preocupado veterinários e, também, donos de animais.
Em humanos, a possibilidade de expressar sentimentos e angústias por meio da fala facilita o diagnóstico da depressão. Em cães, entretanto, é preciso ficar atento ao comportamento do animal. Apatia, perda de apetite e busca de isolamento são sinais de que o animal pode estar deprimido. Como acontece com seres humanos.
Se os sintomas de depressão são os mesmos em cães e humanos, há semelhança também no tratamento da doença, com uso de psicotrópicos e psicoterapia. No caso dos animais, os donos são instruídos a mudar algumas atitudes em relação a eles, como passar mais tempo em sua companhia, levá-los para passear, melhorar sua alimentação, permitir a convivência com outros cães.
Comportamento contagioso?
Durante a pesquisa, Segata observou 40 casos diagnosticados como ‘depressão canina’. Muitas vezes, diz o pesquisador, os donos desses cães também apresentavam sinais de depressão.
“Nenhum deles informou que tinha sido diagnosticado como deprimido por um psiquiatra, mas alguns relataram que costumavam dividir comprimidos ‘tarja-preta’ [expressão comumente usada para fazer referência a medicamentos controlados, como antidepressivos] com seus animais.”
Do total de casos de depressão canina observados por Segata, 75% eram em fêmeas. Novamente, surge um paralelo com os seres humanos, pois a depressão é mais comum entre mulheres.
Segata observou 40 casos diagnosticados como ‘depressão canina’. Muitas vezes os donos dos cães também apresentavam sinais de depressão
Tais semelhanças levantam a seguinte questão: humanos deprimidos não poderiam provocar depressão em seus animais de estimação? Se for o caso, não seria a primeira vez que o comportamento do dono influencia o animal.
Estudo recente da Associação para a Prevenção da Obesidade entre Animais de Estimação mostra que 55% dos cães e 52% dos gatos dos Estados Unidos estão acima do peso. O país é conhecido, entre outros aspectos, pelo alto índice de obesidade em sua população.
Segata afirma que é difícil encontrar trabalhos acadêmicos que tratem da relação entre seres humanos e animais de estimação. Isso porque, segundo o antropólogo, muitos acreditam que essa relação deveria ser meramente biológica, e não social ou emocional.

Guilherme de SouzaEspecial para a CH On-line/ PR

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Classe média alta de Rio Preto no tráfico de drogas

Cocaína e ecstasy rolam solto na alta rodaAllan de Abreu Diário da Região Arte sobre fotos/Adriana CarvalhoMédicos são acusados de induzir o consumo de cocaína e ecstasy em festas raveFestas caras com música eletrônica e bebida à vontade durante dois ou três dias seguidos, promovidas por jovens de classe média-alta de Rio Preto, se tornaram cenário para o consumo de drogas, principalmente ecstasy e cocaína. A constatação vem de processo judicial em que os médicos Oscar Victor Rollemberg Hansen, 31 anos, e Ivan Rollemberg, 25, primos, são acusados pelo Ministério Público de induzir o consumo de entorpecentes nesse tipo de evento.

Oscarzinho e Ivanzinho, como são conhecidos, organizam há seis anos a festa eletrônica La Locomotive. A última será neste fim de semana, em Rio Preto. Cada festa chega a reunir de 3 mil a 4 mil pessoas. Segundo a denúncia do Ministério Público, os primos “integram um circuito de festas de elevado padrão social e seus frequentadores, em especial os participa…