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Primavera da mídia?


Vagner Cereda
Escrevo esse texto emendando o debate levantado pelo Luciano Alvarenga no seu artigo ‘A crise da mídia chegou ao interior’.
Também acho que vem aí uma primavera midiática em que várias ditaduras da comunicação podem cair ou ser abaladas. Ao mesmo tempo, também acredito, haverá um grande crescimento da credibilidade dos veículos digitais.
O problema da falta de credibilidade sempre rondou a Internet desde o seu início, e com bons motivos, deve-se reconhecer. A questão do anonimato, a difusão de informações sem confirmação, as lendas da internet (essas mentiras plantadas propositalmente por brincadeira) e a violação constante de direitos autorais eram razões mais que suficientes para que o veículo não fosse levado a sério.
As mídias tradicionais traziam no peito as medalhas e cicatrizes de uma luta constante ao longo dos anos contra a opressão e a supressão dos direitos das populações. Eram nossas bandeiras, erguidas pelos exércitos do bem contra o mal.
Assim foi até a primavera árabe quando todos viram o que aconteceu: a Internet e as redes sociais foram reconhecidas como a melhor ferramenta contra os regimes autoritários, chegando a derrubar ditaduras ao vivo pela televisão.
Mas havia algo mais, algo que ficou nas entrelinhas daqueles acontecimentos.
No Egito, por exemplo, havia jornais, televisão, rádio, noticiários e jornalistas ao longo de todos aqueles anos de autoritarismo. Eles não só não conseguiram derrubar o sistema como alguns eram usados como ferramentas do regime. Isso não foi discutido na época, mas ficou na cabeça de muita gente.
Voltemos à mídia tradicional. No topo da lista de credibilidade dos meios de comunicação está a mídia impressa. O papel é documento. Ali está o texto, o nome de quem o escreveu, de quem autorizou a sua publicação e muitas vezes até do dono do veículo. O papel pode ser anexado a um processo, pode ser esfregado na cara de alguém ou brandido em frente às câmeras de TV.
Então aparece o caso de uma briga entre a Internet (O Blog de Luis Nassif) contra um veículo impresso de credibilidade reconhecida (Veja), muito discutida nas redes sociais. Não vou entrar no mérito de quem está com a razão, isso é com a justiça. O que incomodou a mim e a muita gente esclarecida, foi a atitude dos outros veículos de comunicação ao não divulgarem os fatos, coisa que não passou desapercebida pela rede.
Isso começou a provocar um fenômeno que, na minha opinião, não tem mais volta. Hoje vejo muitos amigos que trocaram a credibilidade de ‘marcas’ pela credibilidade de ‘nomes’. Em qualquer assunto, muita gente está montando o seu time de jornalistas, analistas, economistas,etc. , que são usados como referência para estabelecer seu ponto de vista.
Fatos divulgados pelos veículos tradicionais não são mais aceitos como verdade, são checados junto a esse time de referências pela Internet. Qualquer informação agora vem acompanhada das perguntas: Essa informação é correta ou foi ‘plantada’ por alguém? A quem interessa que eu pense dessa forma?
A credibilidade deixou de vir em ‘pacotes’ prontos e passou a ser um bem de consumo pessoal. Cada um escolhe quem merece a sua confiança.
Essa mudança é um fato a ser analisado, infelizmente ao que parece, só pela rede.

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