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Mais amor e menos celular



Todos estão ouvindo, mais do que falando, sobre questões relativas ao meio ambiente, preservação e sustentabilidade. A Rio+20 em andamento na cidade do Rio de Janeiro é mais um momento para aprofundarmos o tema.
A verdade que pouco se fala é o fato de que parte significativa dos problemas que hoje temos em relação a destruição do meio ambiente, como reservas de água doce, poluição dos oceanos, destruição das florestas, contaminação do solo, hiper quantidade de lixo para o qual não se acha solução é a maneira como vivemos. Nosso problema chama-se conforto.
Somos uma sociedade viciada em conforto. Não aceitamos nenhum tipo de limitação e qualquer limitação é entendida como depreciação pessoal. Somos menos quando não temos conforto. Ar condicionado para quem mora em lugares quentes ou frios. Carro para quem deseja mais do que se deslocar, mas deslocar com conforto. Comida congelada para quem não tem tempo nem desejo para cozinhar. Produtos todos embalados em recipientes plásticos que são todos eles descartados como lixo. Podíamos seguir com esta lista página a fora evidenciando que somos uma sociedade de consumo e desperdício. Mas não é necessário.
Tudo o que polui e destrói tem uma motivação que é gerar produtos que levem mais conforto. O rebanho bovino do mundo é maior do que a população humana, tudo isso para que as pessoas comam carne todos os dias, quando se sabe que se comessem apenas uma ou duas vezes por semana já seria suficiente.
Interessante é que quanto mais conforto mais destruição e mais necessidade de gerar energia que mova essa imensa fábrica de produtos industrializados e por fim, mais pobreza. O numero de pessoas pobres vivendo com menos do mínimo necessário para suas vidas está na casa dos 2/3 da população mundial.
Ou seja, apenas 1/3 da população mundial consome e vem sendo responsável por todo o arsenal de destruição que estamos vendo e vivendo. Não podemos mais continuar a viver baseado num tipo de vida que significa destruir, matar e poluir.
A Terra é um organismo vivo, quanto mais destruímos e limitamos os recursos menores são nossas chances de vivermos bem. Por outro lado, quanto mais vivemos confortáveis e quanto mais conforto queremos, mais a vida parece não valer a pena. O numero de pessoas deprimidas, angustiadas, suicidas só faz aumentar.
É difícil encontrar alguém que não esteja tomando algum tipo de remédio, que não tenha algum tipo de transtorno emocional. A vida hiper material nos afastou de outras dimensões fundamentais da vida, como a espiritual, emocional, social, afetiva. Trabalhamos cada vez mais para ter coisas que precisamos cada vez menos. Ao mesmo tempo somos profundamente carentes de carinho, amor, afeto.
Temos cada vez mais e contraditoriamente cada vez menos. Temos carros, celulares, televisores, máquinas de todos os tipos, mas ainda assim infelizes.
Discutir meio ambiente e sustentabilidade é discutir uma outra sociedade possível. Mais amorosa, mais fraterna, mais generosa e compartilhada. Luciano Alvarenga

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