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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Rio Preto, a Política e a Imprensa


Luciano Alvarenga*
Voltou à baila a questão sobre o aumento das cadeiras no legislativo riopretense. A ansiedade, histeria?, com que a imprensa local trata o tema é bastante reveladora, também, da situação problemática que vive a classe política em Rio Preto. A questão, das 23 ou 17 cadeiras na Câmara de Rio Preto, se transformou no espaço onde imprensa e política trava uma luta que insinua mais problemas do que virtudes. A classe política, no que significa os vereadores eleitos, está cansada de se penitenciar a respeito do tema fazendo juras dia sim outro também sobre a sinceridade de não aumentar o Legislativo.
As juras evidenciam mais medo do que sinceridade. Os vereadores depois de décadas de uma cultura política subalterna ao prefeito e de quase nenhuma significância para a cidade são obrigados agora a se curvarem à “panfletagem” da imprensa a respeito do tema justamente por que não tem respaldo moral para se colocarem de outra maneira. Depois de terem transformado o trabalho legislativo num balcão de negócios corporativos ou, numa repartição de prestação de pequenos serviços a população deles precisados, o que restou deles agora é calar-se ante uma imprensa desejosa de mostrar que ainda pode pautar o poder político.
Como os partidos na cidade são controlados por caciques alhures e que mantém a política local como chocadeira de interesses atuais ou futuros, acaba que não temos a emergência de novos políticos conectados com Rio Preto naquilo que a cidade tem de novo e possível. A exceção de “meia dúzia” de nomes, o restante são robozinhos que não agem por vontade própria e fazem aquilo que apenas fortalece a posição do cacique junto aos poderosos no âmbito do Estado ou da Federação. É por isso que quem pensa com a própria cabeça na política local tende a perder força e desaparecer.
Nesse sentido, a situação de meros funcionários do Executivo em que se encontram nossos vereadores apenas muda de forma ou condição quando os vereadores ensaiam, momentaneamente, uma atitude com alguma autonomia, é o caso das novas vagas para o Legislativo. É aqui, entretanto, que “escapando” do mando dos caciques – interessados eles também no aumento – encontram a oposição ferrenha e cansativa da imprensa.
Sem respaldo de uma força política ancorada numa Ética de responsabilidade e ação social transformadora, acaba que os vereadores não conseguem articular minimamente qualquer discurso que seja em defesa do pleito que defendem – o aumento das cadeiras. Todos querem o aumento, mas nenhum tem coragem de arcar com a execração pública avolumada pela imprensa.
Cabe perguntar a que demanda a imprensa responde quando tornou a discussão sobre vagas legislativas uma questão de vida ou morte para o (s) jornal (is). Ora, para ficarmos na última eleição municipal, ficou patente o mais completo desinteresse da imprensa pelos candidatos a vereador bem como as razões que motivaram os partidos a agirem ou apresentarem os nomes hoje vilipendiados pela mesma imprensa antes por eles desinteressada.
É forçoso dizer que a mesma imprensa que não deu o menor interesse aos candidatos a vereador nem as razões para que partidos apresentassem nomes tão precários, venha ao longo do mandato legislativo fazer uma cobertura diária da Câmara e seus tristes e graves problemas. Em que medida existe realmente algum interesse da imprensa no péssimo estado a que chegou a classe política local, em sua maioria, ou trata-se apenas de “cuidar” para que a fábrica de escândalos não feche?  
É claro que a política local é um horror e a Câmara de vereadores a síntese dela em tempo integral. Mas tenho a impressão que a imprensa contribui muito pouco em pautar um debate que se proponha a mudar o estado de coisas dominante. Se reservando apenas o papel de disseminar, noticias?, que no mais das vezes as pessoas já discordam.
Preferindo repercutir comportamentos reprováveis, mas muitas vezes de pouca importância, não é o caso do aumento do legislativo, a imprensa deixa de fazer aquilo em que poderia ter um papel central, o de grande veículo para um debate regional sobre o estado da política no interior do Estado de São Paulo.
Nesse sentido, a insistência da imprensa em afirmar que é contrária ao aumento do legislativo, pulverizando quase todos os dias fatos ou versões a respeito de manipulações para mudar as cadeiras, para mais, na câmara de Rio Preto é apenas uma expressão de força desnecessária ante uma classe política, que ainda que faça valer suas vis vontades, está completamente desacreditada, desmoralizada e sem o menor respaldo social.
Em suma, o problema de Rio Preto não é o aumento da Câmara de vereadores, que por Lei é legal, e sim a manutenção dos mesmos expedientes condenáveis que provavelmente continuarão seja com 17 ou 23 vereadores. Mas não deixo de desconfiar que tratando a importante matéria da maneira com que trata o que a imprensa quer deixar evidente é sua capacidade de ditar a condução das coisas segundo seus, naturais, interesses.  Luciano Alvarenga, Sociólogo.

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