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O Brasil é inviável sem Educação Pública



Luciano Alvarenga

O Enem, recentemente publicado, nos lembrou mais uma vez que a educação pública é uma tragédia. Ainda que os resultados tenham sido melhores do que em anos anteriores o que temos é um quadro escolar de absoluto abandono, resultado de décadas de descaso.
Quando falamos de tragédia escolar estamos falando de gerações de pessoas sendo relegadas, esquecidas, abandonadas a própria a sorte. A educação básica, fundamental ou qualquer outro nome que se dê a ela, não é uma prioridade dos governos, nem estadual, nem municipal, nem federal. Isso revela como pensam a atual geração de políticos que ocupam o poder no Brasil nos mais diferentes níveis.
Os dados, do Mapa da Violência publicado pelo Ministério da Justiça brasileiro no primeiro semestre de 2011, evidenciam que quanto menor a renda e a escolaridade maiores os níveis de violência, marginalidade e mortes, fundamentalmente entre jovens entre 15 e 25 anos. O Mapa da Violência forma um quadro que só se completa quando visto a luz dos resultados do Enem. Os jovens estão sendo empurrados para a marginalidade criminal e um quadro estarrecedor de mortes em função do abandono da Escola Pública.
A geração de políticos atualmente no poder, em todos os níveis, se perdeu na necessidade, importante, mas insuficiente, de manter a estabilidade econômica e incorporação social, sem, entretanto, mexer no fundamental, educação pública. O que quero afirmar é o fato de que nos governos estadual e federal a preocupação é econômica e social, com uma deformação grave, não há porta de saída para o país por que seu motor principal está fundido: a educação.
Essa questão é fundamental por que não se trata apenas de pensar, ainda que este seja o leitmotiv de tudo, nas novas gerações e na realidade de que tudo depende delas. Mas no fato de que diante da grave crise econômica que assola o mundo e que em breve desembarcará em nossas praias em menor ou maior grau, estamos completamente desvestidos por que nossos jovens estão desaparelhados para lidarem com um mundo em mudanças e, em que o preparo educacional de cada um, e da sociedade como um todo, é a única coisa com que podem, podemos, contar.
De nada adiante estabilidade econômica e incorporação social via créditos/bolsas de todos os tipos provenientes de todos os lugares, se isso não for completado com amplo, profundo e transformador projeto de educação que possibilite a cada família e cada criança e jovem fazerem parte do país por meio da educação. Por enquanto estamos contando apenas com a sorte dos malabarismos econômicos e a alegria dos incorporados a classe C sem, no entanto, termos qualquer segurança sobre o que irá acontecer de ora em diante.
O Enem nos serve como evidencia de que 8 anos de PSDB mais 8 de PT requer agora um plano Educacional com a mesma envergadura que teve o plano Real para a economia. Estamos num grande barco rio abaixo, felizes pelo tamanho do barco, mas completamente inseguros por que todos sem salva vidas. Somos um país de milhões de jovens em condição de semianalfabetismo ou analfabetismo funcional.
O Brasil é impraticável sem um plano Real para a educação. Continuar a pensar economia, sociedade e Meio Ambiente sem uma radical transformação da educação, como vem fazendo os atuais inquilinos do poder, ou como fazem os principais partidos, é cinismo e irresponsabilidade. Luciano Alvarenga

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