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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Inveja: admita que o sentimento


Inveja: admita que o sentimento existe e transforme-o em motivação
Matéria de Francine Moreno, publicada no jornal Diário da Região, São José do Rio Preto, dia 08 de Maio, 2012


Você sabia que pode tirar proveito do fato da grama do vizinho ser mais verde que a sua - como diz o velho ditado? A inveja, uma das das emoções humanas mais sombrias, pode servir de alavanca para mover homens e mulheres a uma vida mais interessante e feliz. Basta apenas querer. 
É preciso admitir o próprio sentimento, empregar essa informação para se conhecer melhor e desenvolver algo para o próprio bem. A inveja costuma aparecer quando amigos, parentes, colegas de trabalho e até celebridades estão numa situação melhor do que a sua. Há sempre alguém mais bonito, mais rico, bem casado, mais encantador, bem empregado ou melhor vestido. 
O sentimento surge na infância, toma proporções maiores na adolescência e se amplia na fase adulta, principalmente porque é um período em que aumentam as responsabilidades, as cobranças, a competitividade, e muitos acabam se tornando mais mesquinhos. 
O problema é que a inveja detona as relações sociais e amorosas. Muitas vezes, o invejoso, em vez de comemorar as realizações de um amigo, por exemplo, se ressente com ele. E na maioria dos casos a inveja faz mais mal aos invejoso do que àqueles que são alvo da ambição. A maioria do invejosos sofre muito porque teme situações novas, não tem coragem para agir ou viver de forma mais ousada. 


De acordo com o professor, escritor e psicoterapeuta Renato Dias Martino, o invejoso precisa entender que a inveja é um sentimento doloroso. Aprender a lidar com ela, em vez de ser levado até inconscientemente, faz parte do aprendizado. Empregar essa conscientização pode ser um forma de se conhecer melhor e, consequentemente, injetar ânimo para alcançar suas metas. 

Martino conta sua experiência pessoal de reconhecimento do sentimento, que o levou ao crescimento pessoal. Para ele, a distorção do sentimento foi transformada em aprendizado. “Quando era mais jovem, tinha inveja de mestres como Sigmund Freud. Certo dia, percebi que de nada adiantava ficar sentindo inveja deles e não me mexer. 
O exemplo deles me alavancou a buscar algo melhor e comecei a procurar lugares para me especializar, a me tornar o que sou hoje. A inveja pode impulsionar para a concretização de um pesadelo ou a realização de um sonho.” O psicoterapeuta afirma que por meio de ajuda especializada o invejoso pode encontrar equilíbrio emocional. Um ambiente bom, saudável e maduro também pode proporcionar isso. 

Inveja é tema de encontro filosófico 

A inveja será tema de um encontro filosófico no dia 26 deste mês, a partir das 14 horas, no anfiteatro da Unilago. A atividade, aberta ao público em geral, é um curso de extensão da universidade coordenado pelo professor, escritor e psicoterapeuta Renato Dias Martino. O curso tem 200 vagas (até o fechamento desta edição havia 16 restantes). 
O encontro é denominado “Cogitações sobre a inveja”. O objetivo é conhecer perspectivas psicológicas sobre o sentimento de inveja e, com auxílio do pensamento psicanalítico, criar espaço para cogitar a posição dessa ordem de sentimentos dentro dos processo psíquicos. O curso é indicado para alunos do curso de psicologia e público interessado. 
De acordo com Martino, a inveja pode ser definida como uma admiração, sem capacidades. “Eu admiro algo, mas me vejo incapaz de ser ou ter aquilo.” Para ele, a inveja pode acontecer pela primeira vez, segundo a psicanálise, ainda na infância. “A criança percebe que a mãe proporciona um bem-estar para ela que, quando está sozinha, não consegue sentir.” 
Debater sobre a inveja é uma forma de entender uma das emoções humanas mais primitivas, e que todo mundo, um dia, já sentiu. “Nenhum ser humano está isento da inveja. Não há chance de nunca sentir. O que pode acontecer é alguém negar a inveja”, afirma Professor Martino


O psicoterapeuta afirma que a inveja é um dos capítulos de seu livro “Para Além da Clínica”, lançado em julho do ano passado pela Editora Inteligência 3. Martino tem um trabalho focado no estudo do funcionamento psíquico e da maneira como isso influencia a criação dos modelos de relacionamento que conduzem às experiências vividas.

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