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Artigo Luciano Alvarenga


De um mundo a outro
A maioria das pessoas olha para as instituições, congresso nacional, câmaras de vereadores, escolas para saber das mudanças que estão ocorrendo no país, deveriam olhar para as ruas.
O Brasil está mudando muito mais por causa das pessoas comuns, jovens e adultos que transformam o cotidiano dos lugares onde elas moram do que qualquer iniciativa governamental ou empresarial.
Estamos falando de mais de 2 milhões de jovens que assumem a frente de projetos, ações e atitudes que modificam radicalmente a vida de muitos outros milhões de pessoas, crianças, jovens e adultos e idosos.
Pessoas que não esperam o Estado, não esperam os governos para fazerem as coisas acontecerem. Simplesmente fazem. E fazem com o que tem a mão, e assim rapidamente vão transformando realidades precárias, vidas alquebradas, famílias divididas e dando novos sentidos e razão para uma infinidade de pessoas excluídas e largadas a própria sorte.
O pais que emerge entre nós é um pais de pessoas que põem a mão na massa. Enfrentam dificuldades, mas não desistem. Simplesmente por que acreditam que a vida só tem sentido quando é uma vida voltada não apenas para realizações individuais, mas para transformar a vida de todos que estão em volta.
A pobreza sempre foi marcada por um profundo sentimento de parceria, fraternidade, de ajuda mútua. Os mutirões, que possibilitaram que milhares de famílias tivessem uma casa nas periferias do Brasil, é apenas uma expressão dessa solidariedade dos pobres uns com os outros. O que vemos agora é uma nova expressão dessa solidariedade.
O que vemos agora são movimentos de caráter mais cultural e educacional do que material. O que vemos agora é a emergência de outra necessidade. Oferecer a crianças, adolescentes e jovens outras perspectivas que não as do crime e da marginalidade.
Jovens lideranças que assumem como projeto de vida transformar a vida de outros muitos. Mas mais do que isso é uma geração que não vê sentido na vida apenas em realizar a si mesma egoistamente. São pessoas que vem assumindo uma postura mais coletiva do que individualista. Mais comunitária do que isolada.
O que estamos vendo é o nascimento, ainda em germe, de uma geração que não vê a vida como um processo de realização individualista, como se estivesse em permanente e infinita competição com tudo e todos, como foram as gerações dos anos 80 e 90, mas agora o contrário, a ideia de que a vida é um empreendimento coletivo, fraterno onde realizar-se é um consórcio de todos com todos em direção ao bem comum.
São os novos tempos. Luciano Alvarenga

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