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terça-feira, 6 de março de 2012

Artigo Luciano Alvarenga



Professores que transformam vidas
A educação mudou. E mudou por que a sociedade não é mais a mesma. A educação não tem mais uma forma padrão, não é mais linear. E não é mais linear nem tem um padrão por que a sociedade também não é mais assim. As tecnologias de comunicação interconectaram o mundo e colocou o mundo nas mãos das pessoas, especialmente dos adolescentes e jovens. Especialmente por que nasceram e nascem sob o signo da internet e da simultaneidade. Qual o sentido dos conteúdos escolares se tudo é possível de se acessar num clique? Qual o sentido das provas se o conhecimento em teste, hoje, estará superado amanhã? Qual o sentido das séries se o mundo não é mais linear, mas digital, caótico?
São questões que todo professor já se fez, são realidades que todos estamos vivendo. Mas então qual é a função do professor, como se inserir numa realidade em mutação constante? Sobram-se meios técnicos e tecnologias aos jovens, mas lhes faltam fins, falta sentido, falta razão que norteie a passada, o desejo de lutar por alguma coisa. Os jovens estão cercados de ferramentas e não sabem o que fazer com elas, nem como utilizá-las em seu beneficio. E não sabem por que esvaziados de sentido, de valores. Não se caminha pela vida sem um norte que nos guie. E aqui o papel fundamental do professor, ele deve ser uma referencia, deve ser aquele que inspira o aluno. O professor deve ser franco, aberto, mas também entusiasmado pela própria vida, alegre e esperançoso. E o que alegra e entusiasma o professor não são as suas próprias possibilidades materiais, mas o fato de que pode mudar a vida de todos os outros. Professor não é um técnico é um pensador. Não é alguém que dá fórmulas, mas que propões perguntas. Professores são aqueles que amam não a disciplina que aplicam, mas as pessoas que estão na sua disciplina.
Não é possível ser professor se antes de tudo não gostarmos de pessoas. Não é possível ser professor se não formos apaixonados pela ideia de que aquela criança, adolescente e jovem é um ser ali pronto pra receber de mim toda a minha vida, minha experiência. Eles têm tudo, são jovens, cheios de energia, bonitos, inteligentes, argutos, rebeldes, mas não possuem o olhar, a experiência, a maturidade, o carinho, a força do equilíbrio, a certeza que apenas o tempo nos dá. É isso que o aluno quer de nós, não o conhecimento técnico que ele acessa em qualquer base eletrônica, quer a confiança que precisamos ter, a força que sempre achamos quando necessário, a maturidade diante de situações onde não podemos esmorecer, o equilíbrio quando tudo parece colocar a baixo. Diante do imaturo da idade, o equilíbrio da experiência; diante da ansiedade da juventude, a firmeza do adulto; diante do desequilíbrio adolescente, a segurança da experiência; diante da arrogância da juventude, a serenidade de quem conhece a vida. Apenas isso pode ser dado aos jovens e é a única coisa que eles realmente esperam dos seus professores.
Professores!! Não queiram que seus alunos se apliquem em disciplinas que nem mesmo vocês dão importância, mas desejem arduamente que eles se admirem das qualidades de caráter, de virtudes, de ética que vocês ostentam. São estas coisas que vocês precisam querer que eles queiram, por que apenas isso interessa e importa que eles desejem. Se eles dominam os computadores, domine a vida; se eles dominam a internet, domine suas escolhas; se eles dominam as linguagens digitais, domine a linguagem emocional. Se eles são indivíduos, seja parceiro. Se eles não te querem, queria eles um a um. 
Luciano Alvarenga – Lucalvarenga@yahoo.com.br/ lucianoalvarenga.blogspot.com 


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