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Educação no México


Documentário mexicano escancara sistema educacional falido



“Sabe o que acontece nas escolas?” Este é o slogan do mais do novo documentário mexicano, De Panzazo! Um olhar agudamente crítico sobre o sistema educacional do país. De Panzazo!, é uma expressão idiomática local, algo como “apenas ruim”. A coisa vai mal…
Usando uma combinação de entrevistas com funcionários de educação, pais e alunos, o cineasta Juan Carlos Rulfo e jornalista Carlos Loret de Mola levam os espectadores para as salas de governo, nas salas de aula de escolas públicas degradadas e escolas particulares conceituadas, e conclui: todo sistema educacional mexicano está quebrado.
Apenas 60% dos mexicanos concluem o secundário, ou médio, da escola. Oito dos 10 alunos que atingem a escola secundária não sabem multiplicar. A perfomance das escolas privadas é quase tão ruim quanto a das escolas públicas de todo um leque de avaliações.
O documentário revela que, no quesito educação, o México ocupa a 30ª posição entre os 30 países da OCDE – Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico. Esta lamentavel posição do país é resultado das avaliações de disciplinas como leitura e matemática, que compõem o currículo do ensino secundário, ainda que aquele país dedique o maior percentual (mais de 20% da despesa pública total são destinados à educação. Enquanto isso, estudantes mexicanos gastam uma média de 4,5 horas na escola por dia, comparado com seis horas nos EUA e oito horas na Coréia.
Esta notícia pode vir como um choque para muitos pais mexicanos. Em uma pesquisa nacional de 2007 de pais, 77% dos entrevistados relataram que a qualidade dos serviços educacionais prestados pela escola de seus filhos era bom ou muito bom, mesmo que uma avaliação referência da OCDE sobre o ensino fundamental tivesse destacado que cerca de metade dos mexicanos na faixa dos 15 anos de idade matriculados na escola encontravam-se no nível mais baixo de proficiência estabelecida pelo teste.
O documentário pergunta o que está errado com o sistema: Os alunos? O governo? Os sindicatos? Os professores? Ele responde: “É um problema gigantesco. É todo um sistema que está falhando. “
O filme é especialmente crítico ao poderoso sindicato de professores do México e da mulher que passou a dirigir o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Educação desde 1989, Elba Esther Gordillo.
No México, os professores não enfrentam avaliações ou medições de competência. Loret de Mola confronta Gordillo neste ponto que, em uma entrevista, responde que ela também quer avaliar os professores. Loret aperta as mãos de Gordillo, mas pergunta: “Você está apertando a minha mão, mas por que eu acho que há um truque?” Ela diz: “Porque você não confia em mim.” A união fez publicamente oposição a tais exames.
Possivelmente para combater a má publicidade, o sindicato dos professores começou recentemente a publicar anúncios em cinemas que mostram salas de aula negligenciadas em estados terríveis de abandono. A narração diz: “Em escolas como estas surgiram engenheiros, médicos, advogados, cientistas, historiadores. É por isso que temos certeza de que ser professor no México é um motivo de orgulho. “
Professores mexicanos podem ganhar uma vaga no sistema de ensino público, graduando-se com uma licenciatura em educação, mas muitos outros podem ser nomeados pelo sindicato, “herdar” a posição de um membro da família ou de um amigo que é professor após sua saída, ou até mesmo comprar uma “plaza”, um cargo no setor de ensino.
O documentário ressalta que a Secretaria de Educação nunca informou – e não talvez não se possa mesmo saber – quantos professores estão nas folhas de pagamento do governo mexicano.

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