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Para nova classe média, problema é a saúde

Para nova classe média, problema é a saúde

Por Marco Antonio L

Caio Junqueira, no Valor Econômico

A saúde é o maior problema vivido pela nova classe C brasileira, elevado grupo de pessoas que ascenderam à faixa média da sociedade, segundo pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), divulgada ontem. O levantamento revelou as principais características e anseios deste estrato social: Para 59% dos entrevistados, a saúde é a área que mais enfrenta problemas no Brasil, seguida por segurança/violência/drogas (38%) e educação (35%).

O desemprego constou como problema para 20% dos que responderam, à frente da corrupção (13%) e da pobreza/miséria (13%).

Realizada entre os dias 16 e 24 de outubro pelo Instituto Ipespe, a pesquisa ouviu 2 mil entrevistados da nova classe C, considerados segundo os critérios da Fundação Getulio Vargas (FGV) como sendo as pessoas com renda familiar de R$ 1,2 mil a R$ 5,2 mil.

Revela algo até então desconhecido no recente fenômeno de ascensão social que levou milhões de brasileiros das classes D e E para a classe C: qual a agenda da nova classe média? Do ponto de vista econômico, por exemplo, as respostas apontaram para a manutenção da estabilidade, a geração de mais empregos e a redução de impostos. No aspecto social, essas pessoas querem melhorias na saúde, educação, segurança e diminuição das desigualdades sociais, nessa ordem. Chama a atenção o fato de a ampla maioria (74%) optar pelo aumento das oportunidades de emprego do que a ampliação dos programas sociais, como o Bolsa Família (10%).

São numerosas as respostas que, associadas a outras, mostram um estrato social conservador. Por exemplo, 57% são contra casamento homossexual, 85% contra a liberação do uso da maconha e 93% contra a liberação do uso de drogas. Por outro lado, 81% são a favor da redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, 70% a favor “da lei e do direito à propriedade serem respeitados independentemente da necessidade de se fazer a reforma agrária” e apenas 23% “a favor de invasões de terras pelo MST serem necessárias para pressionar autoridades a fazer reforma agrária, independentemente dos prejuízos que causem”.

Outro dado relevante notado pelo autor da pesquisa e diretor do Instituto, o cientista político e sociólogo Antonio Lavareda, foi a subdivisão da classe C em três subclasses. A primeira foi classificada por ele de CT, a classe C média tradicional, com maior renda, escolaridade e bens e que apresenta elevada satisfação com a vida presente. São 41% da classe C. A nova classe média, batizada por Lavareda de NC+, tem satisfação unânime com a vida, renda e escolaridade intermediárias e é a que mais sente as melhorias de vida nos últimos anos. Representam 39%. Por fim, a chamada “classe baixa”, ou NC- (nova classe C menos), menos otimista, mais preocupada, decepcionada, e com menores graus de renda e escolaridade. Sentem que “a vida ficou igual”. São 20%.

Isso mostra que a classe C não nutre sentimentos e percepções homogêneos. O que também é constatado quando os entrevistas avaliam o governo da presidente Dilma Rousseff. Enquanto 52% da CT e 65% da NC+ avaliam o governo como ótimo/bom, apenas 38% da NC- têm essa opinião. Por outro lado, 45% da faixa NC- avalia como regular o governo Dilma, em confronto com os 39% da CT e 30% da NC+. No item ruim/péssimo, a NC- também é maioria, com 17%, superior aos 5% da NC+ e aos 9% da CT.

A expectativa quanto ao restante do governo também é pior nessa menor faixa de renda: 49% da NC- acham que será ótimo/bom, muito diferente dos 73% da NC+ e os 62% da CT. Por outro lado, 13% da NC- acham que o final do governo será ruim/péssimo, dado assim respondido por 5% da NC+ e 8% da CT.

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