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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Terra do Nunca


Terra do Nunca ou adolescentes para sempre
Luciano Alvarenga

A sociedade contemporânea pratica o mais fantástico culto a juventude de que se tem noticia na história da humanidade. Nunca os jovens e o viver juvenil foi uma referência tão forte como vemos atualmente. A figura do Adulto desapareceu. Adulto entendido como o que assume responsabilidade de ser adulto, diz o que é certo e errado, faz o papel de chato impondo limites, e, aceita que a juventude e o tempo do descompromisso terminam.
De repente o recreio não termina mais. Pessoas que deveriam estar à frente de suas comunidades, liderando discussões, arregimentando conversas sobre os problemas educacionais, sociais e urbanos da sua cidade ou local onde moram, querem apenas o fruir da vida, o consumo descompromissado e que alguém resolva os problemas, menos eu. Não são raros os que não assumem a educação nem dos filhos que geram. Enquanto isso jovens embriagados morrem ou ficam paraplégicos às centenas nas estradas, os políticos roubam à vista de todos, os adolescentes se entregam as drogas, as crianças se corrompem em frente à TV e os adultos cada vez mais neuróticos pelo carro que não possuem, pelo corpo que precisam ter e, pela juventude que precisam manter ainda que a cada dia mais velhos.
Ninguém quer, nem deseja, nem espera, muito menos pensa sobre a importância para crianças, adolescentes e jovens do fato de que do adulto se espera que seja uma Referencia. Os adultos querem a audiência, o carinho e a vida que levam os adolescentes quando na verdade o que crianças e jovens esperam dos adultos é que sejam educados por estes. Sem saber saem da adolescência se mantendo adolescentes, tem filhos ao mesmo tempo em que continuam sendo filhos. De repente os adolescentes, quando não as crianças, vivem coisas típicas dos adultos sem o menor preparo para isso e pagam caro pela experiência que não deveriam estar vivendo. E os adultos assistem a tudo como se tudo fosse normal, simplesmente por que não conseguem (não querem?) se colocar entre os jovens e um mundo com os limites cada vez mais largos.
Passamos nós os adultos a aceitar o argumento de que os tempos são outros e, que os adolescentes fazem hoje o que jamais pensaríamos em fazer na mesma idade, para apenas mascararmos o fato de que fazem e se comportam da forma como se comportam por que nós, os adultos, abrimos mão de educá-los, formá-los, prepará-los para uma vida que é ela em sua maior parte, cheia de compromissos e responsabilidades. O que estamos assistindo são pessoas, em sua maioria, na casa dos 25 anos para frente incapazes de tocarem a própria vida e assumirem as responsabilidades por si mesmas e pelo que fazem.
Estamos vivendo uma gama imensa de problemas em todos os tons e matizes, desde problemas emocionais, sociais, religiosos e políticos por que simplesmente a sociedade abriu mão de formar as pessoas capazes de resolvê-los. A sociedade ocidental pela primeira vez na história não consegue preparar as crianças para ocuparem seus lugares no mundo dos adultos. E isso por que os adultos agora não querem largar a infância feliz de apenas fazer o que quer e gosta. Adultos fazem o que precisa ser feito e não o que querem.
Embriagados pela Terra do Nunca do mercado e a realização sem fim dos desejos, sejam eles quais forem, os adultos são consumidos pelo mercado que ao mesmo tempo corrompe crianças, infantiliza adultos e engole cidadãos. Aliás, o mercado que corrompe e infantiliza é o mesmo que inventou a idéia de que ele o mercado é o único que deve pensar em tudo e que cada um pense em apenas curtir. Luciano Alvarenga

2 comentários:

Sabrina Sayuri disse...

Enquanto infantis, permanecemos acomodados e não responsáveis por nossos atos, e principalmente, pela falta deles. Já que chegamos ao ponto de ignorar a necessidade de formar uma sociedade pensadora, cabe aos jovens-jovens se desvincularem dos 'adultos-jovens' e tornarem adultos por si só.

Luciano Alvarenga disse...

Sabrina, concordo.