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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O que a velha mídia brasileira não diz

Pesquisas indicam triunfo histórico de Cristina Fernández de Kirchner

As pesquisas realizadas por três destacados centros de estudos sociais da Argentina sustentam que a presidenta Cristina Fernández obteria entre 53 e 57% dos votos, superando os 50% que obteve na prévia de 14 de agosto passado, o que a transformaria na votação mais importante desde o fim da ditadura militar (1976-1983), quando o radical Raúl Alfonsín obteve 51,7% dos votos.

A menos de duas semanas da ida dos argentinos às urnas para eleger quem habitará a Casa Rosada no período 2012-2015, a atual presidenta Cristina Fernández de Kirchner caminha para um triunfo eleitoral histórico. Assim apontam diversas pesquisas de opinião que no último fim de semana foram replicadas pelos principais veículos argentinos – inclusive opositores –que dão por fato não só o triunfo da senhora K como também o mais amplo em termos percentuais desde a restauração da democracia, em 1983.

As pesquisas realizadas por três destacados centros de estudos sociais da Argentina sustentam que a presidenta Cristina Fernández obteria entre 53 e 57% dos votos, superando os 50% que obteve na prévia de 14 de agosto passado, o que a transformaria na votação mais importante desde o fim da ditadura militar (1976-1983), quando o radical Raúl Alfonsín obteve 51,7% dos votos. Nem Carlos Menem, reeleito em 1990 com 48% , nem Fernando de la Rúa, com 49% poderiam superar o percentual que Cristina Fernández obteria nas eleições do próximo 23 de outubro.

Quanto aos concorrentes, as pesquisas projetam uma diferença de algo entre 37 e 43 pontos percentuais entre sua principal oponente e o candidato socialista da Frente Amplio Progresista, Hermes Binner. O terceiro lugar é disputado entre Alberto Rodríguez Saá e Ricardo Alfonsín. Depois viria o peronista Eduardo Duhalde. Com esses dados pesquisados, a presidenta Fernández não só se transformaria na mais votada dos últimos 25 anos, mas o seu projeto Frente para a Vitória seria a referência política mais duradoura, dom 12 anos no poder.

Com um pouco de ironia o jornal opositor Perfil defendeu que o crescimento de entre 3 e 7% pontos da candidatura Cristina sobre a prévia de agosto obedeceria a diversos fatores, entre eles, que os cidadão se sentem muito mais à vontade para votar “em quem tem todas as chances de ganhar”. Outra das causas, talvez a mais importante, é que a oposição se desarmou depois da vitória avassaladora do kirchnerismo.

O cenário aponta que um aumento dessa votação também modificaria o segundo lugar. Todas as pesquisas colocam o socialista Hermes Binner como o segundo da lista, embora longe do oficialismo. Na prévia de agosto, o governador de Santa Fé obteve o quarto posto da nação com 10% dos votos. Se as eleições fossem hoje, defende o Perfil, o socialista levaria algo entre 12 e 16%. Binner conseguiu se posicionar como uma alternativa política de peso, em parte graças às diferenças que mantém com o governo e às suas críticas a presidenta, por sua renúncia em convocar um diálogo social para afrontar o que, a seu critério, são “várias luzes amarelas” mostrando o tabuleiro da economia nacional.

Outro fenômeno que as pesquisas destacam é que 48% dos pesquisados que votaram nas prévias decidiram “cortar boleta”, o que significa votar na presidenta Fernández, mas não nos candidatos de sua coalizão. Esta é uma aposta que os partidos opositores, sabendo que a eleição para presidente está perdida. Vários dos líderes opositores, como o candidato a presidente da Frente de Izquierda, Jorge Altamira, saiu a fazer campanha para não deixar nas mãos do oficialismo o Congresso. Para os partidários do kirchnerismo, o cenário é favorável na presidência e no congresso.

Para alguns analistas este cenário mostra a consolidação do voto da presidenta e o apoio da maioria a suas políticas de governo, que cresce inclusive mais do que o resto dos candidatos. O panorama auspicioso da presidenta Fernández nas eleições abre novos temas para o debate nacional como são as decisões com respeito ao dólar, dos subsídios do transporte e da energia, a inflação e os questionados dados do Institutio Nacional de Estatísticas (INDEC). A relação com os veículos de comunicação, o diálogo com a oposição e uma série de perguntas se instalarão depois de 23 de outubro, frente a um modelo que, para todos os efeitos, está a gosto da cidadania.

Tradução: Katarina Peixoto

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