Pular para o conteúdo principal

Multiculturalismo

Conservadores alemães declaram fracasso da sociedade multicultural

30/10/2011 7:27,  Por Deutsche Welle



Os esforços no sentido de uma sociedade multicultural na Alemanha foram em vão, declarou a chanceler federal Angela Merkel, durante o congresso nacional da Jovem União (Junge Union – JU), em Potsdam, neste sábado (16/10). “Esse projeto está fracassado, absolutamente fracassado”, pontificou a política democrata-cristã.
A JU é a organização juvenil conjunta dos partidos conservadores União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU).
Crítica aos muçulmanos
Segundo a chefe de governo, no passado exigiu-se muito pouco. E, no entanto, ela considera justo esperar que os imigrantes aprendam o idioma alemão, a fim de terem uma chance no mercado de trabalho.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Mesut Özil tem origem turca
Obviamente referindo-se a grupos muçulmanos da sociedade, Merkel classificou como “inaceitáveis” os casamentos forçados. E é claro que também as meninas provenientes de famílias de imigrantes deveriam participar das excursões escolares, acrescentou. Ao mesmo tempo seria necessário punir os atos criminosos com rapidez e impedir que haja bairros em que a polícia não ouse entrar.
A premiê defendeu a afirmativa do presidente Christian Wulff, também democrata-cristão, segundo a qual o Islã seria uma parte da Alemanha – um ponto de vista criticado por certos políticos da CDU. “Ele é parte da Alemanha, e [Mesut] Özil não é a única prova disso”, opinou Merkel, numa alusão ao jogador da seleção nacional de futebol, de origem turca.
Por outro lado, na véspera, durante um comício regional da CDU em Berlim, a chanceler federal ressaltara: “Nós nos sentimos ligados à imagem de mundo cristã. Isso é o que nos define”. Quem não aceitar esse fato, “está deslocado aqui”.
“Multiculti está morto!”
Na noite anterior do congresso dos jovens conservadores cristãos, o líder da CSU e governador da Baviera, Horst Seehofer, também exortara à integração os estrangeiros da Alemanha. Ele foi aplaudido ao afirmar que as pessoas residentes no país têm que aceitar a “cultura predominante” (Leitkultur, em alemão: termo altamente controvertido, introduzido no discurso político da Alemanha no ano 2000).
Na mesma ocasião, a premiê Merkel atribuiu a culpa dos atuais problemas aos governos anteriores: “Não há como compensar tão rápido as omissões de 30, 40 anos”.
Do ponto de vista de Seehofer, integração significa respeitar os valores cristãos, qualificar-se e integrar-se. E tal não é possível sem o domínio da língua alemã. “Não podemos nos transformar na previdência social para o mundo inteiro”, advertiu o líder social-cristão, e bradou: “Multiculti está morto!”.
Conselho dos Judeus condena
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Stephan Kramer, secretário-geral do Conselho dos Judeus da Alemanha
O secretário-geral do Conselho Geral dos Judeus na Alemanha, Stephan Kramer, criticou a postura de Seehofer. Ele comentou ao jornal Rheinpfalz am Sonntag: tudo indica que tenha diminuído a inibição para caçar votos usando declarações xenófobas ou ameaçadoras à paz social, assim como afirmativas objetivamente falsas. “Isso não é apenas sórdido, é até irresponsável”, condenou Kramer.
Antes de sua aparição no congresso da juventude conservadora cristã, Horst Seehofer declarara, numa entrevista, que a integração é difícil para imigrantes de outros meios culturais, como a Turquia e os países árabes. Sua conclusão era, portanto, de “que não precisamos de mais imigração oriunda desses meios culturais”.
O secretário-geral dos judeus na Alemanha também censurou a ministra alemã da Família, Kristina Schröder, que também apontou racismo na “teutofobia” (Deutschfeindlichkeit). A política da CDU estaria citando palavras de ordem do meio conservador, em vez de se ocupar do problema, disse Kramer, para o qual esse debate é “desproporcional, hipócrita e histérico”.
Presidente turco apela à integração
A ministra da Educação, Annette Schavan, também interferiu no debate sobre a integração. Em sua opinião, o alemão deveria “ser, naturalmente, a língua falada no pátio da escola”. No entanto, o mais importante não é impor regulamentos, disse a vice-líder da CDU ao jornal Neue Osnabrücker Zeitung.
Essencial seria, outrossim, incentivar desde cedo o aprendizado do idioma e o contato mais próximo possível entre a escola e a família, inclusive com o apoio de assistentes sociais. “Temos que conseguir que toda criança entenda o professor em seu primeiro dia na escola”, insistiu Schavan.
Bildunterschrift: Großansicht des Bildes mit der Bildunterschrift:  Presidente da Turquia, Abdullah Gül
O presidente turco, Abdullah Gül, apoiou a ministra alemã da Educação. Falando ao jornal Süddeutsche Zeitung, ele confirmou que os antigos gastarbeiter (trabalhadores que imigraram para a Alemanha nas décadas de 1960 e 1970) e seus descendentes deveriam saber falar alemão perfeitamente.
“Por isso digo em toda oportunidade: eles têm que falar alemão, fluentemente e sem sotaque.” Não falar o idioma do país em que se vive não ajuda ninguém; por isso o aprendizado do alemão deve começar no jardim-da-infância, exigiu o chefe de Estado da Turquia.
AV/afp/dpa/rtr
Revisão: Simone Lopes

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Classe média alta de Rio Preto no tráfico de drogas

Cocaína e ecstasy rolam solto na alta rodaAllan de Abreu Diário da Região Arte sobre fotos/Adriana CarvalhoMédicos são acusados de induzir o consumo de cocaína e ecstasy em festas raveFestas caras com música eletrônica e bebida à vontade durante dois ou três dias seguidos, promovidas por jovens de classe média-alta de Rio Preto, se tornaram cenário para o consumo de drogas, principalmente ecstasy e cocaína. A constatação vem de processo judicial em que os médicos Oscar Victor Rollemberg Hansen, 31 anos, e Ivan Rollemberg, 25, primos, são acusados pelo Ministério Público de induzir o consumo de entorpecentes nesse tipo de evento.

Oscarzinho e Ivanzinho, como são conhecidos, organizam há seis anos a festa eletrônica La Locomotive. A última será neste fim de semana, em Rio Preto. Cada festa chega a reunir de 3 mil a 4 mil pessoas. Segundo a denúncia do Ministério Público, os primos “integram um circuito de festas de elevado padrão social e seus frequentadores, em especial os participa…