A crise política na Grécia e Portugal

Autor: 
Do Portal Luís Nassif

Calote Parece Inevitável, E Poderá Resultar Em Golpe De Estado Na Grécia E Em Portugal

O fundo de resgate expandido de nada adiantará se a Itália ou a Espanha forem arrastadas para a crise econômica, e os pacotes de austeridade estão empurrando a Grécia e Portugal para uma revolução, alertou o britânico Nigel Farage, membro do Parlamento Europeu.
pacotes de austeridade goela abaixo, o que os mergulha na deflação que, em minha opinião, poderia resultar em uma revolução na Grécia, e possivelmente em Portugal também," disse Farage ontem. "O que estamos fazendo é estúpido e, de fato, muito, muito perigoso. Se a Itália for para o buraco, vai ser preciso um trilhão para salvá-la. E afinal, para que mandar dinheiro para esses países? Esse dinheiro está ajudando o povo da Grécia e de Portugal? Não, não está!"
"O que estão fazendo na realidade," continuou ele, "é mandar dinheiro para esses países para que possam mandar de volta para os nossos bancos que, em primeiro lugar, emprestaram-lhes muito mais do que deviam. Isso tudo é uma loucura. Esses países, que caíram nessa prisão econômica chamada Eurozona, precisam mesmo é de uma desvalorização cambial."
Nesse curso escolhido pela União Européia (UE), o calote grego é inevitável, afirmou Farage.
"Há nove meses eu venho perguntando por um Plano B," disse ele. "Poderíamos por favor crescer, poderíamos por favor ser maduros, poderíamos por favor ser bons europeus, e reconhecer que quando o inevitável calote grego vier, a não ser que tenhamos um Plano B, no primeiro dia não haverá dinheiro nos bancos, e no segundo não haverá pão nas padarias. Até agora não fizeram absolutamente nada. Eu acho que o que acontecerá agora, é que os economistas começarão a montar um plano de contingência que permita a Grécia, Portugal, e também a Irlanda, abandonarem a Eurozona, reescalonarem as suas dívidas, criarem um dinheiro novo que seja desvalorizado em 50%, talvez 60%. E como a Islândia provou em 2008, às vezes é melhor encarar a feia realidade, aceitar quem você realmente é, e começar tudo de novo. É isso que precisa acontecer."
Farage enxerga um motivo bastante claro por trás das atuais ações da liderança da UE, ao adiar o inevitável calote da Grécia e de Portugal.
"Essa gente está absolutamente determinada a criar um Estados Unidos da Europa, eles pouco estão ligando para os milhões de pessoas que caíram na arapuca do desemprego, eles pouco estão ligando para a maré de miséria humana que estão causando, eles têm o seu objetivo político," Farage disse. "Mas na realidade o fracasso não é apenas econômico, isso está fracassando politicamente também. Podemos falar sobre o Parlamento da Eslováquia, mas veja o que aconteceu na Finlândia no começo do ano, quando um partido totalmente novo capturou 20% do voto, olhe para as pesquisas de opinião na Holanda, a Europa está rachada de norte a sul. E no norte estamos testemunhando uma revolução democrática contra todo o conceito do Euro, e a maneira pela qual o sr. Barroso e meu velho amigo van Rompuy deveriam governar 500 milhões de pessoas. Isso é inaceitável."
Ainda assim, há aqueles para quem a idéia de entrar em uma Europa unida ainda parece atraente - entre os quais a Sérvia, que ganhou status de candidato na última quarta-feira.
"Isso tudo é uma grande estupidez e, novamente, é a classe política da Europa que deseja fazer isso," concluiu Farage. "Os políticos da Sérvia, é claro, vão tornar-se multi-milionários se entrarem para a UE, portanto isso é extremamente atraente para eles. Mas pense nisso: Faz apenas uma década, sérvios e croatas estavam se matando aos milhares, para que pudessem tornar-se países independentes um do outro, e agora os seus políticos e os seus líderes querem voltar a ficar juntos no mesmo tipo de união política que existia na Iugoslávia. Isso é uma loucura total."
O presidente da Comissão Européia apresentou um novo plano para a crise, dizendo que os bancos europeus devem aumentar as suas reservas para suportar os riscos do mercado. A idéia é forçar os bancos a reservar mais ativos para acolchoar o sistema contra um possível colapso. José Manuel Barroso também quer que nenhum dividendo ou bônus seja pago até que o plano seja implementado. As novas regras podem congelar todo o sistema. A ameaça de contágio no sistema bancário é muito real, e precisa ser abordada seriamente. Todo o debate em curso na Europa nesse momento resume-se em - "Queremos advogar soluções que conduzam a mais controle e centralização, ou partimos para a descentralização?"