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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Diário da Região

Cidades
 
Qualidade em xeque
São José do Rio Preto, 26 de Outubro, 2011 - 1:50
Chuva ‘derrete’ serviço de recape das ruas

Elton Rodrigues

 

Hamilton Pavam
No cruzamento das ruas Chible Maluf e Tuino Egami, via está afundando ao redor de boca-de-lobo
Nem bem começou a temporada de chuva e o serviço de recape, executado há menos de oito meses nas ruas de Rio Preto, já apresenta defeitos. Os buracos surgiram em pelo menos seis pontos de três bairros que receberam nova massa asfáltica. A situação pior é no Parque da Cidadania, região norte do município. As ruas foram recapeadas no final de fevereiro deste ano e em três trechos o asfalto está danificado, todos eles na rua Rodrigo Alves Dutra.

Nos cruzamentos com as ruas Rafael Gomes e José Mano Sanches os buracos se formaram próximos aos sarjetões, construídos pela Prefeitura em concreto para direcionar a água da chuva. Entre os dois cruzamentos, na Rodrigo Alves Dutra, um buraco se formou devido a um vazamento de água. “Não demorou nem seis meses para que os buracos voltassem. É só chover que eles aumentam”, disse o pedreiro Marco Antonio Rosa, 47 anos, morador do Parque da Cidadania.

Ainda na zona norte, outro problema. Na rua Josefina Dias Athanázio, próximo ao encontro com a rua Ida Polachini, um buraco se formou ao lado de um bueiro. Segundo os moradores, as últimas chuvas colaboraram para o estrago. “A rua não tem muito movimento e nem passa veículos pesados. Acho que o material utilizado é de péssima qualidade”, afirma o balconista Dorival Rodrigues, 45 anos. Na avenida Bady Bassitt, perto da marginal da rodovia Washington Luís, um buraco que já foi tapado pelo serviço de tapa-buraco e pelo recape voltou a aparecer.

Hamilton Pavam
Após recape, buraco ressurgiu na rua Rodrigo Alves Dutra


Na região sul do município, os defeitos também existem. No cruzamento das ruas Chible Abraão Maluf e Tuino Egami, no Ouro Verde, a via está afundando ao redor de uma boca-de-lobo, o que obrigou a Secretaria de Serviços Gerais a interditar o local. O meio fio da rua Luiz Figueiredo Filho, em frente a uma praça, está comprometido porque a enxurrada criou pequenos buracos na via. “A água vem muito forte e leva tudo”, diz o aposentado Waldemar do Espírito Santo, 66 anos.

Asfalto errado

Engenheiros especialistas em asfalto afirmam que o asfalto a frio, tipo utilizado para recape em Rio Preto, não é aconselhável devido à pouca resistência. Além disso, é necessário profissional capacitado para o serviço, o que não ocorre no município. Outro problema apontado é a falta de drenagem de algumas vias, o que colabora com a pouca durabilidade do serviço.

Para o engenheiro Luiz Rogério Pontes Gestal, o correto seria a utilização do asfalto a quente. “O asfalto a frio está ultrapassado porque é misturado com água e menos resistente. Quando a água evapora o asfalto começa a se soltar. No asfalto a quente o betume é misturado com querosene ou óleo diesel, um composto bom e resistente para uma cidade com uma frota grande como a de Rio Preto.”
Hamilton Pavam
Buraco também reapareceu no cruzamento com rua Rafael Gomes, no Cidadania


Quando realizado corretamente, o serviço de recape deve durar no mínimo dez anos sem apresentar falhas. “Quando apresenta problemas logo após a execução é porque o serviço não foi bem executado. É preciso equipamento adequado e boa compactação, além de profissionais capacitados para isso”, explica o especialista.

Mesmo falho, serviço é defendido por secretário

Os problemas do serviço de recape em Rio Preto não estão somente na má qualidade do asfalto. Durante a execução do serviço, alguns pontos são deixados para trás sem receber a nova camada de asfalto. Na rua José Milton de Freitas, no Higienópolis, os funcionários “esqueceram” de tapar os buracos na lateral da rua. “Faz três meses que eles passaram as máquinas aqui, só que não voltaram mais para arrumar a parte lateral da rua. Um serviço muito mal feito”, afirma o comerciante Edinaldo Mouro, 28 anos.

O secretário municipal de Serviços Gerais, Paulo Pauléra, admite que possam haver falhas pontuais do serviço de recape devido à quantidade de ruas que são recuperadas. Este ano foram 500 mil metros quadrados de recape e tapados 54.888 buracos de janeiro a outubro 2011, o equivalente a 250 mil metros quadrados
Hamilton Pavam
Rua José Milton de Freitas: equipe “esqueceu” de tapar buracos laterais


“Em alguns lugares a nossa máquina não chega e pode ser que os moradores não tenham deixado podar as árvores (para abrir caminho). Estamos recapeando em média dez quarteirões por dia. Pode ser que tenham problemas em alguns pontos, mas não dá para generalizar.”

O responsável pela pasta nega que o asfalto a frio seja de má qualidade. Segundo ele, o material utilizado pela usina de asfalto é de primeira qualidade. “O nosso asfalto e a empresa são bons. O que pode ocorrer em determinados trechos é que a base do asfalto apresente problemas ou a tubulação comprometa.”

Porém, engenheiro Luiz Rogério Pontes Gestal, especialista em asfalto, afirma que faz parte do serviço de recape a preparação da rua antes da execução do serviço, portanto não é justificável que o novo asfalto dure pouco pelo fato de a base ser antiga. “Não dá para construir uma edificação se o alicerce não estiver bom. Primeiro é preciso arrumar a base para depois passar a nova camada de asfalto.”

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