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Deu no Diário da Região

Apadrinhado ‘enforca’ o trabalho para relaxar em prainha e é demitido

Rodrigo Lima

 

Rubens Cardia
Delei acha que Valdomiro foi “imprudente” em demití-lo pelo telefone
O prefeito de Rio Preto, Valdomiro Lopes (PSB), demitiu o assessor especial da Secretaria de Esportes, Vanderlei de Jesus Morais, o Delei, após descobrir que o apadrinhado faltou ontem ao trabalho e foi relaxar na prainha de Adolfo, onde se banhou nas águas do Tietê e andou de lancha. O plano de Delei era ficar acampado num quiosque até domingo.

A informação de que o assessor do Esporte enforcou o trabalho para se divertir irritou Valdomiro, que determinou sua exoneração tão logo soube do ocorrido pelo Diário. “O governo não tolera esse tipo de transgressão. Ele (Delei) está exonerado a partir de amanhã (hoje). A decisão é irrevogável”, anunciou o secretário de Comunicação, Deodoro Moreira. Delei tinha salário de R$ 5,2 mil por mês.

O secretário de Esportes, José Carlos Marinho, também disse que não sabia da ida do assessor à prainha, mas que também não ia tolerar o abuso. É a segunda vez que Marinho demite Delei. Em 2008, quando ele era seu assessor na Câmara, foi exonerado após acessar sites pornôs no computador do Legislativo. Depois disso, em 2009, Delei foi apontado como dono de 23 garrafas de cerveja que estavam na geladeira da Secretaria de Esportes. Como punição, foi transferido da secretaria para o Centro Social do Eldorado.

O episódio de ontem foi a gota d’água para o prefeito, que nem quis ouvir suas explicações. Ao Diário, Delei disse que depois compensaria as horas e que precisava descansar, pois estava “estressado.” A afirmação foi rebatida pelo governo. “Não existe nenhum tipo de compensação. Cargo comissionado tem de trabalhar de segunda a sexta-feira e ficar à disposição do governo aos sábados e domingos. O prefeito mandou exonerar”, afirmou o porta-voz do governo.

Marinho disse que na poderia fazer para segurar a barra do amigo. “Tenho de cumprir a determinação de Valdomiro. Para nós morreu o assunto”, afirmou ele, temendo mais desgastes para o governo envolvendo apadrinhados. Recentemente, o prefeito foi alvo de representação do Ministério Público que questiona legalidade da lei que prevê a contratação de 230 comissionados. Um dos argumentos do MP é o excesso de cargos criados.

Procurado pelo Diário, Delei confirmou que estava na prainha e que faltou ao trabalho porque estava “estressado”. O assessor especial disse que não informou a sua ausência a Marinho ou qualquer outro servidor da pasta de Esportes. “Não assinei o livro ponto. Qual é o crime nisso? Faltei do trabalho por conta de problemas pessoais”, afirmou.

Ao tomar conhecimento de que o governo havia anunciado sua demissão, o apadrinhado disse que Valdomiro estava sendo “imprudente.” “O Marinho tem um monte de vagabundo do lado dele. O prefeito não é o meu dono. Vou para onde quiser”, afirmou Delei. O assessor mostrou-se revoltado com a decisão de Valdomiro de demití-lo. “Estou sendo fritado pelo governo. É uma sacanagem gigante. Posso faltar e ter o salário descontado”, afirmou Delei.

“No grupo do Marinho tem gente que quer o meu cargo.” Delei não poupou críticas ao secretário de Comunicação, quer anunciou a demissão. “Quem é Deodoro? Não é ninguém. Condenaram sem o direito da defesa, uma decisão autoritária. Ano que vem o Deodoro que vai à rua pedir votos para o Valdomiro”, afirmou o servidor. Indicado como 1º secretário no diretório do PSB de Rio Preto, o apadrinhado espera também seu possível desligamento do partido. “Estou com vergonha da política de Rio Preto”, disse Delei.


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