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Lelé Arantes


Oscarzinho, a moçada e eu

Na manhã de 7 de setembro recebi um telefonema do Oscarzinho. Sim, o presidente da Câmara. Ligou-me para perguntar porque eu estava “descendo o pau” nele no Facebook. Uma amiga tinha lido alguma coisa e o avisado, porque ele não é dado a ficar olhando as coisas do Facebook, disse-me. Achei interessante a ligação, inusitada; não sou de receber ligações de tão altas autoridades.
Eu lhe disse que sua amiga estava equivocada. Eu apenas postei uma pergunta sobre a sua possível candidatura a prefeito, já que ele havia recebido um convite do PTN para tal empreitada. A pergunta no Facebook gerou mais de 130 comentários em poucas horas. Muita gente desceu o pau, criticou, xingou, registrou sua indignação. Cheguei a defender seu direito de ser candidato e de ser votado. Houve um momento em que os “facebookeiros” quase viraram seus canhões contra mim. Eles imaginavam o Oscarzinho sentado na cadeira de prefeito e certamente diziam para si: “é culpa do Lelé”.
Independente da ligação do Oscarzinho, devo deixar bem claro o que penso a respeito. Eu não tenho nada pessoal contra ele. Ao contrário, admiro sua tenacidade e sua persistência. Ele sempre sonhou ser vereador e lutou para isso. O que ele fez com seu sonho e sua carreira política são outros quinhentos.  Bem ou mal, ele vai ter seu retrato eternizado na galeria de presidentes ao lado de figuras ímpares como Bady Bassitt, José Barbar Cury, Nelson de Carvalho Seixas e Orlando de Arruda Barbato...
Politicamente eu não gosto da forma como Oscarzinho atua. Mas, daí a classificá-lo ou julgá-lo como desonesto, corrupto ou coisa assemelhada existe uma grande distância. Não tenho provas, nem ninguém nunca me apresentou argumentos convincentes para me convencer de que ele é um pária qualquer. Ele não usurpou a cadeira. Até prova em contrário foi legitimamente eleito. Se a massa de eleitor que o elegeu é ignara e não sabe discernir o valor do seu voto, aí são outros novos quinhentos.
Por outro lado, os manifestantes que o enxovalham tem lá suas razões. Foram impedidos de acompanhar reuniões num espaço democrático e aberto ao público.  Por “receio de bagunça” a Polícia Militar foi chamada. Seus apetrechos militares, cachorros e “infiltrados” davam a impressão de que a PM estava a caminho do morro do Alemão, no Rio. A força militar era incompatível com “as armas” daquela moçada – a maioria vinda de uma escola de ensino médio.
Os vereadores – e Oscarzinho encarna em si a imagem de cada um – ganharam gratuitamente a ira dos estudantes e de setores pensantes da sociedade. Foram inábeis, antidemocráticos e deram um show de anticidadania. Podiam ter discutido o projeto com a sociedade, explicado suas necessidades, ressaltando a legalidade e dando satisfação aos seus verdadeiros patrões representados na figura do povo rio-pretense. Preferiram o embate, apostando que ninguém iria protestar, ninguém sairia às ruas. Criaram seu Leviatã.
O movimento #vergonhariopreto é um Leviatã do bem, em favor da ética e da cidadania. É o monstro do medo dos vereadores que promete esmagá-los com seus mil pés irrigados de juventude e audácia. Nem adianta tentar desqualificá-los, eles são teimosos, são jovens, não tem nada a perder. Quanto mais os vereadores recalcitrarem, mas eles crescerão.
Oscarzinho tem todo o direito de ser candidato a prefeito. Pode até ser eleito - não com o meu voto. A democracia lhe permite isso. É um direito seu e todos devemos respeitar. Quando se nega direitos, a democracia e o estado de direito começam a correr riscos. Assim como Oscarzinho tem o direito de ser candidato e de ser votado, a moçada do #vergonhariopreto tem igualmente o direito de protestar pacificamente e de se rebelar contra aquilo que entendem ser nocivo para a nossa sociedade.
Se eu tiver que escolher, minha escolha está feita, ao lado deles, dos jovens que ousam nos incomodar para nos tirar dessa letargia política.

Comentários

Pastor Afonso disse…
Léle Arantes : ' minha escolha está feita, ao lado .. dos jovens do #vergonhariopreto '
.
Ainda mais agora que ouve-se dizer que serás candidato a vereador, né Lelé
.
Papagaio de Pirata também voa para o ombro que parace mais largo k k k
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