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sábado, 3 de setembro de 2011

Artigo: Luciano Alvarenga


Brasil – um caminho para o mundo. 1º parte

Que tipo de desenvolvimento queremos para a sociedade brasileira, um desenvolvimento apenas econômico, de consumo, de predação da natureza, da produção permanente de necessidades artificiais e que cada vez mais aumenta a destruição da natureza? Ou um desenvolvimento que significa equilíbrio, com a natureza, com as pessoas, com a gente mesmo? A questão colocada para o mundo não é sobre aqueles que não fazem parte do desenvolvimento, mas, sobretudo àqueles que o desenvolvimento está impedindo de continuarem a sobreviver.
Assistimos praticamente todos dias nos telejornais catástrofes como secas, tufões, enchentes, terremotos, e uma miríade de cientistas e intelectuais apontando o desenvolvimento econômico como causador de tudo isso. Ao mesmo tempo nos assombramos com os índices econômicos que apontam que podemos crescer menos este ano. Como podemos ao mesmo tempo nos sensibilizarmos com a catástrofe ambiental que se anuncia e nos recearmos com os percalços da economia. Acreditem! Não existe desenvolvimento econômico sustentável.
Em relação aos países centrais, ou desenvolvidos, o Brasil muito recentemente iniciou seu processo de desenvolvimento econômico. Desenvolvimento baseado, assim como nos países ricos, na destruição da natureza, no esgotamento do solo, das reservas de água e no desflorestamento via monocultura exportadora de matérias primas. Esgotamento ambiental resultado de uma sociedade baseada cada vez mais numa vida artificial, urbana e distante da natureza e de meios naturais de vida. Em resumo, nosso desenvolvimento não difere daquele praticado nos países ricos e que hoje respondem pela grave crise ambiental que a sociedade humana está vivendo.
A crise econômica financeira mundial que se alastrou pelo mundo a partir dos E.U.A em 2008 e, que hoje afeta grande parte do mundo não é uma crise apenas econômica, é uma crise civilizacional, é uma crise de um projeto de sociedade que não é mais possível de existir. Não são os Estados Unidos que estão em crise é o American way of life, o modelo de vida urbana e de consumismo. E o que o mundo espera do Brasil nesse contexto?
O grande desafio colocado ao Brasil é justamente ousar a criação de uma nova possibilidade de coexistir que signifique reequilibrar nossa relação com a natureza e com toda uma parte da sociedade mundial apartada do atual desenvolvimento econômico. Apenas o Brasil pelo seu tamanho continental, pela sua força cultural, pela complexidade e harmonia religiosa, e fundamentalmente pela complexidade de suas riquezas naturais tem condições de propor ao mundo uma nova possibilidade civilizacional.
O que o século XXI nos chama a realizar é a construção de uma sociedade humana que signifique trazer para o centro da vida outras riquezas que não apenas econômica, por que esta é falsa e nos condena ao colapso ambiental. Outra sociedade que signifique religar nossa capacidade de amar, de ter fé, de sermos solidários, fraternos e vivermos em comunidade a partir daquilo que acreditamos e que é parte de nossa cultura brasileira. O que o mundo espera de nós, enfim, não é o de realizarmos o fracasso societário que eles vivem retroalimentado pelo desenvolvimentismo consumista, mas de oferecermos uma alternativa civilizacional capaz de regenerar a vida natural e social. Luciano Alvarenga, Sociólogo.

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