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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A vida e seus preços

  1. A vida é cheia de verdades que apenas com o tempo podemos descobrir. Coisas erradas, decisões preciptadas, caminhos equivocados, falsos amores, grandes lutas pra pequenas coisas, momentos em que fomos pequenos quando deveríamos ter sido grandes, importância demais para coisas que não tinham importancia nenhuma. Quando vemos boa parte da nossa vida passou, estamos mais maduros e capazes de olharmos para nos mesmos e percebemos o quanto de tempo perdido, de escolhas equivocadas e quando percebemos tudo isso, estamos maduros e nada mais pode ser mudado do que já foi. Todo mundo já desejou nascer velho e ir ficando moço com o passar do tempo. O filme “O curioso caso de Benjamim Button” baseado no conto do escritor americano Scott Fitzgeralt conta este velho desejo humano que é ter ao mesmo tempo juventude e sabedoria. Mas a realidade não é assim e sabemos disso e, sabemos também que a vida cobra caro pelos erros, especialmente naqueles momentos em que nao podíamos errar. E por que erramos? Porque fizemos o que nao deveriamos ter feito, a que tipo de sentimento ou desejo ou impulso respondemos e que nos jogou exatamente no lugar onde não deveríamos ter caído? A vida é como a natureza, não tem piedade, não tem compaixão, não oferece desculpas, apenas aprendizado. Antigamente os pais diziam aos filhos, aprendam em casa pra não aprender na vida. A vida bate sem dó. É comum hoje assistirmos as pessoas se jogando na vida sem receios, sem medo, sem pestenejar, fazendo coisas, tomando decisoes que nao temos coragem nem de pensar. Eu é que nao quero nem pensar sobre os preços que serão pagos por todas elas com o passar do tempo. Estamos pensando que nos livrando dos impedimentos, dos pecados, das culpas, dos tabus, das responsabilidades não teremos contas a acertar com a vida. Engano, cada coisa tem seu preço, e a vida em seu conjunto também. A publicidade, as compras, os prazeres sem impedimentos nos entorperceram, mas a conta cara e amarga da vida nos aguarda. Os remédios que tomamos contra as tristezas que não passam, os bares que não conseguimos não ir, os amigos que perdemos, os amores que largamos, os filhos que esquecemos, estão ai como ossos sendo carregados esfriando nossas costas e não deixando nos esquecer de cada coisa que escolhemos. Luciano Alvarenga

Um comentário:

Fabrício Mendes disse...

Grande professor. Eu admiro a sua vivacidade em analisar os fatos como vem fazendo no dia a dia. Você possui , como poucos pensadores que conheço, uma enorme capacidade em jogar luz em pontos nebulosos e escuros da situação Humana. E é justamente por este fator “formador de opinião” é que não concordo em muitas das coisas que fala em seus artigos. Você define em seu blog que “estuda do cotidiano, especialmente sobre como as pessoas tem costurado seus sentimentos, desejos vivências e escolhas afetivas tendo em vista a sociedade líquida e conectada dos tempos atuais e finaliza que “infância, relacionamento amoroso e sexualidade são temas que trabalha”. Eu vejo mais desabafo em seus artigos do que uma análise social propriamente dita. Dizer que a vida é dura, impiedosa, não tem dó, ou que por exemplo a publicidade, compras e prazeres ilimitados nos entorpecem. De que eu pergunto? Cada qual possui uma maneira peculiar de avaliar as experiências tecidas vividas ao longo da vida; tenho certeza de que se perguntássemos a 100 pessoas em vários setores e segmentos , nem todos vao dizer que a vida é dura e bruta como prega em seu texto.
Não concordo que deva julgar erros e acertos, ou desejos e sentimentos como se fosse uma loteria. Toda ação leva a uma reação. Isso é fato. Mas dizer que A praticou uma atitude “x” e logo foi infeliz é especulação e não corresponde a realidade. Para isso se faz necessária uma pesquisa detalhada de centenas, milhares de casos semelhantes e num mesmo cenário. Dizer que algumas situações ou decisões podem ser precipitadas não é o mesmo que proferir que “a vida toda é um acerto de contas erradas”. Mesmo por que o risco é uma moeda de valor num mercado imediatista. Para muitas o erro não passa de uma bola na trave, um estímulo para frente. O risco está no gene delas e não vivem bem se não se arriscarem. A história da humanidade está cheia destes exemplos. Não se arrependem de cometer o que para elas é uma bola na trave e você às vezes pinta a tela como uma tragédia anunciada irreversível.
Um dos grandes pensadores da atualidade, o psicólogo Steven Pinker, 21 anos professor do Departamento do Cérebro e Ciências Cognitivas do MIT nos EUA fala que a adaptação de nossas ações está dentro de um evolutivo. Os preços que serão pagos pelas futuras gerações são as mesmas contas acumuladas por um governo ruim e avós e pais atrasados que tivemos. Por que erramos? O erro aqui é uma punição ou aprendizado? Penso ser precipitada uma análise baseada em experiências singulares para formar opinião em rádio e TV. Para isso é preciso uma análise empírica, pesquisada e confrontada com entendimentos de especialistas do ramo que vivenciam tais experiências. A não ser que estas observações aqui traçadas sejam apenas especulações sem precedentes. Ao invés disso, eu acredito que devemos nos perguntar outra coisa: O que podemos aprender com o outro a partir do momento em que ele transforma pensamentos e sentimentos em palavra?
Vamos pensar juntos. Novas e boas ideias numa vida que não apenas bate se dó. Uma vida que espalha e nos dá em troco os frutos que plantamos.