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Filhos?

Eles querem... elas não

A inversão de papéis entre homens e mulheres não está mais apenas no campo profissional. Enquanto elas chegam aos 30 pensando na carreira, na liberdade e na independência conquistada, eles não veem a hora de ter filhos... e cuidar deles

Por Alessandra Kormann. Fotos Marcio Scavone
MARCIO SCAVONE
A chegada aos 30 (um pouco menos, um pouco mais) sempre foi anunciada, para as mulheres, como a hora certa para pensar em filhos — o corpo, dizem alguns, parece até pedir pela gravidez. A cobrança da família também costuma se intensificar nessa fase para quem já está num relacionamento sério ou, pelo menos, estável. O mais comum até pouco tempo, no entanto, era o homem encontrar motivos para adiar a chegada do bebê. Esse assunto, inclusive, costumava gerar inseguranças e crises na cabeça deles, principalmente quando paravam para fazer as contas. O fato de eles não terem data de validade para procriar também sempre contribuiu para que não tivessem tanta pressa em serem pais.
“Adoro não ter horário, receber amigos em casa sem me preocupar com nada. Ainda não estou pronta para abrir mão disso”
– Camila Ricomini, 31, analista de projetos
Mas, hoje, o que não apenas o senso comum mas também especialistas têm notado nos consultórios é uma curiosa inversão de papéis entre os casais dessa idade: enquanto eles estão loucos para virar pais, elas é que encontram motivos para postergar a chegada do bebê. Para a antropóloga e professora da USP Heloisa Buarque de Almeida, é impossível dissociar esse comportamento da mudança do status feminino na sociedade. “No Brasil, normalmente são as mulheres profissionais de camadas médias e altas que tendem a adiar mais a maternidade do que antigamente. Isso porque esse grupo social reconhece na maternidade um empecilho a algumas atividades hoje valorizadas, como a carreira, que é vista também como um espaço de realização individual feminina, além da maternidade”, diz.
Leia mais: Como lidar com a vida de solteira depois de uma separação?
MARCIO SCAVONE
TEMPO
Camila e Mauricio, que pede todo mês para que ela engravide
É exatamente o caso de Camila Roncalio Ricomini, 31, que trabalha como analista de novos produtos em uma indústria farmacêutica. “Minha pós-graduação vai até o final do ano e há outros cursos que eu gostaria de fazer antes de engravidar. Penso bastante na carreira. Não que ache impossível conciliar, mas é bem comum ficar até mais tarde na empresa e isso seria mais difícil com crianças.” Enquanto isso, o marido, Mauricio Iodice Cepeda, 35, que trabalha na mesma empresa como consultor, está na fase “alucinado para engravidar”, segundo ela. Os dois estão juntos há três anos. “Ele encontra amigos que têm filhos e solta pérolas do tipo: ‘Todo mundo já tem pimpolhos, menos eu...’ Não é que eu não queira ser mãe, mas ainda não estou pronta para abrir mão de ser dona do meu próprio tempo”, afirma Camila.
A agenda livre de compromissos é justamente uma das vantagens da vida sem filhos que ela mais preza. “Adoro ter um horário para não fazer nada no fim de semana, poder chamar os amigos em casa e ficar até altas horas com eles sem me preocupar com o barulho ou se terei de levantar cedo no dia seguinte. Claro que podemos nos adaptar, mas não dá para negar que a vida muda depois que chegam os filhos.”
Mas Mauricio não desiste. Pelo menos duas ou três vezes por mês, o assunto vem à tona entre eles. Nessas ocasiões, Camila “empurra com a barriga” a história de gravidez. Mas ele procura não forçar a barra. “Se dependesse de mim, ela engravidaria agora. Mas sei que tenho de esperar o tempo dela”, diz.

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