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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Colegio Ponto Alfa e o menino que gosta de rock

Menino abandona escola do interior de SP após ser repreendido por gostar de rock pesado

Ellen de Lima
Especial para o UOL Notícias
Em São José do Rio Preto (SP)
  • Marcelo, 8, é advertido por diretora de escola de São José do Rio Preto (SP) por gostar de rock pesado Marcelo, 8, é advertido por diretora de escola de São José do Rio Preto (SP) por gostar de rock pesado
O primeiro dia de aula do garoto Marcelo Corrêa Carvalho, 8, no colégio Ponto Alfa, em São José do Rio Preto (438 km de São Paulo) foi também o último. Seus pais decidiram mudar o menino de escola depois de ele ser repreendido pela diretora por gostar de rock. Marcelo é fã das bandas como Iron Maiden e roqueiros como Ozzy Osbourne.
Tudo começou porque Marcelo começou a batucar na carteira como se estivesse tocando bateria. A professora não gostou e o mandou para a diretoria. Lá, a diretora Ana Maria Fernandes questionou seu comportamento e suas escolhas.
O menino teria dito a ela que quer ser guitarrista e que sonha em tocar com o Iron Maiden. A diretora mostrou imagens de capas de CDs das bandas, na tela do computador, e o alertou que “todas fazem referência ao demônio, com imagens satânicas e que lembram a morte”.
“Eu quis despertar nele uma reflexão para a realidade. Esse é meu trabalho, e as letras que ele ouve fazem alusão à besta, ao demônio. Não têm mensagem positiva”, disse a diretora Ana Maria ao UOL Notícias.
Nara Corrêa Carvalho, 26, mãe do garoto, diz que ele voltou para casa apavorado com o que viu na sala da diretora. Segundo Nara, Marcelo contou que a diretora lhe mostrou imagens de demônios e disse que os roqueiros fazem rituais satânicos. “Ela disse que eles sacrificam animais, cortam as cabeças e que têm pacto com o demônio. Ele ficou apavorado.”
Ana relatou que queria ajudar o garoto e a família, que, de acordo com ela, não tem consciência do que dizem as letras das músicas que o menino ouve. “Eu conversei três horas e meia com Marcelo. Ele é agressivo, e isso se deve a esse hábito de ouvir essas músicas que estimulam a violência.”
O colégio Ponto Alfa é uma escola particular de ensino fundamental com apenas 15 alunos por sala de aula e atende a várias crianças consideradas “difíceis”. Todas as salas são monitoradas por câmeras. A diretora informou que vai colocar no Facebook as imagens do menino em sala de aula para provar o que se passou na escola e de que forma ele foi tratado.
A família de Marcelo mudou-se para São José do Rio Preto há 15 dias. A mãe, Nara Corrêa Carvalho, 26, é comissária de bordo e tem dois filhos: Marcelo e uma menina de cinco anos. Ela decidiu voltar para Rio Preto, onde moram seus pais. “Meu filho ficou traumatizado, mas não vai deixar de seguir sua vocação, que é a música”, disse ela.
Marcelo é fã dos Beatles e do The Who desde os dois anos, mas hoje prefere Iran Maiden e Ozzy Osbourne. É um garoto considerado superdotado, segundo ela. “Ele tem grandes habilidades, pertence ao grupo dos supertalentosos para a música, matemática e derivados”, afirmou Nara. A diretora confirmou ser perceptível que o menino tem grau de inteligência acima da média.
Depois do episódio, Marcelo fica em casa, enquanto a mãe procura uma nova escola. A família vai processar a escola. O caso está protocolado no Conselho Tutelar Sul de São José do Rio Preto, que deve apresentar a denúncia ao Ministério Público da Educação.
“Essa pessoa tem que entender que as crenças dela não podem interferir na educação das crianças”, disse Nara, mãe de Marcelo. A diretora Ana Fernandes informou ao UOL Notícias que não tem religião, é uma pessoa cristã e lê apenas a Bíblia.

3 comentários:

Filipe Duarte disse...

Lamentável e vergonhoso são alguns dos mínimos adjetivos que eu tenho para esta auto proclamada "educadora", Ana fernandes. Esta escola falhou terrivelmente no entendimento e aceitação deste aluno, na sua individualidade e subjetividade. Limites precisam existir sem nenhuma sombra de dúvida, mas daí interferir no gosto musical do garoto, utilizando-se de julgamento de valor, considerando o gosto musical como "causador" do mal comportamento do mesmo, foi realmente digno de um QI de barata! Mostrar capas de discos, e dizer que as bandas de Heavy Metal são satânicas e que fazem apologia à morte, é realmente algo difícil de se engolir e acreditar em pleno ano de 2011. São escolas assim (e muitas outras) que recusam contratar professores com pós graduação que usam cabelo comprido, por considerarem isso uma "má influência" para os seus alunos. A sociedade brasileira realmente regride a olhos vistos em muitos aspectos, e isso é uma VERGONHA. Eu me orgulho mais do que tudo em ser rockeiro e educador. Não só o Rock, mas a música de um modo geral é uma excelente ferramenta para ser utilizada na educação e processo de aprendizagem. Uma pena esta diretora não perceber isso.

O rock é uma forma de expressão única e genuína. Inúmeros rockeiros possuem QI elevado e são pessoas dotadas de um exímio caráter. Será que isto teria acontecido se o garoto fosse forrozeiro, axezeiro, sambista, ou pagodeiro?

País de nível cultural medíocre = a situações como esta descritas na matéria.



Se essa "educadora" não tivesse um QI tão irrisório ela poderia ter tido a inteligência mínima de contratar um professor de violão, para oferecer cursos de extensão na escola para este e outros alunos, e utilizar isso como condição para boas notas e melhor comportamento do mesmo durante as aulas.

Sofia Chris disse...

A diretora da escola não é uma "auto proclamada educadora"; ela tem formação e está licenciada pelos órgãos competentes para desempenhar a função.

A suposta recusa das escolas na contratação de professores pós-graduados que usam cabelo comprido, não se deve ao tamanho do cabelo, mas ao fato de alguns promoverem a desunião entre os pós-graduados (eliminando o hífen) e ainda por terem "mal comportamentos". As escolas preferem contratar os que grafam "roqueiro" ao invés de "rockeiro". A grafia com "ck" é bonita, mas não é pétala desta Flor do Lácio, e a língua portuguesa é sagrada para uma escola.

Quanto à influência do gosto musical sobre o comportamento do indivíduo, Fernando Salazar Bañol, ex-roqueiro, ex-líder de banda de rock, pesquisador do comportamento humano, se utilizou da Musicoterapia e da Biomúsica para preparar estudos sobre a nfluência das vibrações musicais na mente e na conduta humana. Escreveu o livro "A Face Oculta do Rock".

Simon Singer, Murray Levine e Susyan Jou (doutores em psicologia), encontraram mais comportamentos desviantes em adolescentes que mostram maior preferência pelo estilo musical "heavy metal". (Heavy metal music preference, delinquent friends, social control and delinquency.
Journal of Research in Crime and Delinquency, 30 (3), 317–329) USA).

Diz a milenar sabedoria chinesa, que a música é o melhor meio de mudar o comportamento e os hábitos de um povo (coleção Shu Ching). E Anicius M. S. Boethius, músico do séc. VI, afirmou que a música pode enobrecer ou degradar a conduta dos homens. Os principais filósofos gregos admitem a influência da música sobre o caráter e o comportamento humano.

A música vem da alma, dos sentimentos e do intelecto do artista. Se ele estiver comprometido com a ideologia das trevas, é de lá que virá a sua música. Ele disporá as notas na pauta musical e as palavras na letra da composição, de tal forma, que se tornem mísseis de longo alcance e alto poder de substituição de comportamentos e hábitos, na sociedade. Para melhor ou para pior; depende de onde vem a sua inspiração.

Sofia Chris disse...

O conceito de que as bandas de rock fazem apologia ao satanismo e à morte, vem das capas dos discos, das letras, dos shows macabros com falsos sangues que evocam os rituais de magia e a violência dos crimes (Alice Cooper promovia cenas de decapitação no palco); dos símbolos e pentagramas invertidos, das jóias e tatuagens, das maquiagens mórbidas. A apologia à autodestruição e à morte vem dos seus exemplos com álcool, drogas, sexo desregrado. Sendo ídolos de milhões de crianças e adolescentes, deveriam influenciá-los para a vida saudável, longe dos vícios e da violência.

Os Beatles colocaram na capa do álbum "Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band", uma foto de Aleister Crowley, ocultista e mestre de magia, que utilizou drogas, sexo e violência nos seus rituais místicos e na sua vida pessoal, e simulou o próprio suicídio envolvendo o poeta Fernando Pessoa no escândalo policial.

Dezenas de ídolos receberam influência do mesmo ocultista, dentre eles: Ozzy Osbourne (Black Sabbath). "Siga-me... você não vai se arrepender... tenho você comigo, sob meu poder... meu nome é Lúcifer... segure minha mão" (da música N.I.B.). Bill Ward, baterista da Black Sabbath, declarou: "Havia uma presença sobrenatural que inspirava a Black Sabbath. Era tão real, que era como se o diabo fosse o 5º membro da banda". "Ozzy foi parar na cadeia por tentar estrangular sua esposa Sharon; é realmente uma pena que ele não a tenha matado", declarou Bill.

Bruce Dickinson e a Banda Iron Maiden, foram influenciados por Aleister Crowley e por Howard P. Lovecraft, ficcionista do gênero terror, recheado de demônios e rituais satânicos. A banda cita na capa do disco Live After Death (Viver Após a Morte), um texto de Howard, na lápide da sepultura de Eddie, o zumbi mascote da banda, declarando que não está morto aquele que jaz, porque na eternidade mesmo a morte pode morrer.

Outros influenciados: Jimmy Page (Led Zeppelin), Marilyn Manson (nome artístico de Brian H. Warner.). "Manson" em memória do psicopata responsável por vários assassinatos, dentre os quais o da atriz Sharon Tate Polanski, grávida de 8 meses.

A Banda Metallica dedicou duas composições ao monstro Cthulhu (ou Ktulu), da ficção de
Howard P. Lovecraft. O baixista Cliff Burton, que morreu no capotamento do ônibus da banda, era um grande fã de Lovecraft.