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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Luciano Alvarenga


Ser feliz a dois é mais completo

Uma das questões fundamentais num relacionamento amoroso é o quanto admiro o outro. O outro não pode apenas fazer um par comigo, devemos ter uma parceria. Parcerias de sucesso, quero dizer aquelas que duram e mantêm a vitalidade, requerem que ambos tenham pelo outro profunda admiração. Elementos como beleza e inteligência são ingredientes que atraem de primeira, mas o que mantém a atração no longo prazo é essa admiração pelo o que o outro é, e/ou aquilo que possui como ideal e que o move. Isso também é amor.
Admirar é se colocar diante do outro para reconhecer qualidades, virtudes e características que considero importantes. Cada um tem sua história, sua trajetória, suas razões e continuará tendo ainda que em parceria amorosa. Amar não é se amarrar a alguém, é convidar este alguém que admiro para um processo de construção de um projeto que é ao mesmo tempo individual e a dois. Quando admiro, amo duas vezes. Amo o outro em si mesmo e o amo pelo que representa de qualidades que me atraem.
Aqui temos vivido uma triste cilada, estamos procurando como única característica o novo. E tudo é novo apenas uma vez, ainda que a ideia de novo tenha ficado velha. Admirar é assistir ao outro e sua maneira única e exclusiva de viver, de amadurecer, de olhar a vida e dela retirar seus aprendizados, sua maneira ímpar de amar, de me admirar, de me ajudar a ver o que sozinho não consigo ou que não posso da forma com que só ele vê. Amar é amar de formas diferentes à medida que o tempo passa e amadurecemos. Amar é estar preparado e estar sempre se preparando para ver o outro em sua caminhada pela vida. Quem se prepara para o outro nunca está desacompanhado e está sempre acompanhando.
Amar é se dedicar às coisas do outro, ajudá-lo a realizar-se e a realizar. Ajudá-lo a realizar não é impor condições, é permitir que faça e realize o que sozinho não pode ou não consegue. Não há parceria que desconsidere o que cada um sonha e projeta. Cada qual tem seus projetos que deverão ser realizados com o outro que toma parte dele, mas que não fica órfão dos seus. Quando me realizo, vejo melhor como ajudar o outro. Quando estou impedido de ser o que posso, de construir meu vocare (meu chamamento para minha vocação), só consigo invejar os outros e estou bloqueado para amar. Há casais que vivem para impedir o outro de realizar seu chamamento, sua vocação, seus talentos. Quando minha vida é impedir o outro de Ser o que tem potencialidade para viver, não amo, nem vivo o que também posso Ser.
É por isso que ficar só é não amar o outro nem a si mesmo. Isso porque o amor não se realiza no indivíduo, amor é encontro não apenas de duas pessoas, mas de duas possibilidades infinitas. E de que tempo estamos falando senão das possibilidades e das realizações. Quem está sozinho viaja pela vida em desvantagem. Nesse sentido, ficar só está fora de moda. Amar é encontrar a parceria que não se troca, de que não se abre mão. Amar é se aperfeiçoar na arte de Ser eu estando a dois e estar a dois sem deixar de Ser eu.
Ser feliz sozinho pode ser mais fácil, mas ser feliz a dois é mais completo. Luciano Alvarenga

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