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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mulher




Ascendência do Feminino
Ansiedade e angústia marcam os desencontros entre homens e mulheres, que se querem, mas não se encontram nem se harmonizam. A verdade, é que estamos em plena transição dos padrões fixos e claros de relacionamento – nossos pais e avós - para uma nova forma ou, várias novas formas de relação. Sai de cena os padrões masculinos de relacionamento e tudo o que isso significa e, no centro do palco os sentidos do ser feminino tem, como nunca dantes, vez e voz.
É a mulher que se coloca hoje como a grande protagonista destes novos tempos. A mulher como centro das transformações carrega mais significados do que corriqueiramente se diz. Significa o deslocamento de toda uma forma de conceber a vida a dois e em sociedade. O homem põe o sexo em primeiro lugar, a mulher o afeto; para o homem, afeto separa-se de sexo.
Para mulher, sexo e afeto são indissociáveis; ao homem emoção é um segredo, à mulher, é comunicação. O homem dá valor ao que aparenta, a mulher ao que é interior. O homem controla seus sentimentos, a mulher os expande. Para o homem, a proximidade ameaça, para a mulher, o que ameaça é a distância. Aqui já é possível antever o muito de possibilidades contidas neste novo palco das relações humanas .
Os sentidos acima levantados de homens e mulheres, não são apenas uma catalogação, é o indicativo de que tudo caminha naquela direção, ou seja, da mulher. Estar a mulher no centro da vida coletiva, não é apenas a chegada de um novo ator/sujeito, é a mudança de toda uma forma de ver a vida.
Isso significa dizer que, um novo mundo e uma nova forma de ser e estar, está em gestação. O papel da mulher deverá ser muito mais profundo e significativo do que ocupar cargos de gerência, seu papel é construir um novo mundo a partir de suas inatas referências. Referências que são a vida e não a morte, a partilha e não a divisão, a teia e não a hierarquia, comunhão e não poder, desenvolvimento e não o progresso.
Homens e mulheres que se entendem são homens e mulheres que dialogam a partir do que significa ser mulher.  Ser mulher é ter a vida em primeiro lugar, não a vida como reprodução biológica, mas vida como possibilidade de uma outra existência. Isto é muito mais profundo. O mundo não é mais possível apenas com referenciais masculinos – conhecimento, inteligência e razão. Só é possível com o que significa ser mulher – intuição, sensibilidade e emoção.
Neste sentido, é fundamental que as mulheres rompam com os referenciais masculinos. É contrário as necessidades humanas e de vida neste século, as mulheres quererem ocupar espaços masculinos, ombrearem-se com eles em suas disputas pelo assenhoreamento do mundo. É frio e destituído de sentido que as mulheres reproduzam os quereres masculinos e suas formas de relacionar-se consigo e com outras, formas estas que sempre legaram um lugar subalterno e menor à mulher. Não é o mundo construído pelos homens que as mulheres devem ocupar.
Deve a mulher sim, e isto é fundamental e vital, criar um novo mundo, uma nova possibilidade de vida coletiva, novos referenciais para uma vida urbana outra, que nos permita existirmos como espécie integrada e mantenedora do eco-habitat.
Luciano Alvarenga

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