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Juntos, mas individualizados


É quase impossível encontrar alguém hoje com menos de 30 anos que pense a própria vida como uma viagem que se deve fazer na companhia de alguém.
a sociedade se individualizou de tal forma que a idéia mesma de pensar a vida com alguém já é absurda. Na verdade o que acaba acontecendo é as pessoas se associando por pequenos períodos de tempo. Quero ter um filho, preciso encontrar alguém para isso, quero ter uma “festa de casamento, preciso encontrar alguém que também queira e que divida comigo as contas”.
Não há projetos, há sim momentos juntos. Momentos que podem terminar diante do menor desentendimento. Nesse sentido é interessante como qualquer coisa pode disparar o fim de uma relação. A impressão que dá, ao se ouvir determinadas histórias, é que estava apenas esperando o outro fazer qualquer coisa para ter uma justificativa para tudo terminar.
Mais interessante é notar como a cultura do individuo está forte. Basta ver que estamos mais preparados para viver uma vida só do que a dois. Sós, sabemos tudo o que precisamos para viver e talvez viver bem, mas para viver juntos nada sabemos.
Não temos “ferramentas” psíquicas nem emocionais para lidar com a rica experiência de estarmos numa viagem amorosa com alguém.
Por isso hoje é mais importante saber como terminar uma relação do que começá-la.
As conseqüências disso é que sós acabamos cultivando experiências de tudo aquilo que passa, nunca do que dura. Somos mais o que é descartável do aquilo que permanece. Mais individualista do que humanistas. Mais egoístas do que amorosos.
Numa sociedade de indivíduos a cultura será sempre individualista e a vida sempre e, cada vez mais, solitária.
Quando dizemos que os tempos mudaram, mudaram nesse sentido, no sentido de que estamos imersos numa outra cultura. Hoje a cultura é a marcha por direitos individuais, mesmo que indivíduos marchando juntos, juntos, mas individualmente.

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