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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Familia

Entrevista concedida ao jornal Sala Bus de Rio Preto

Olá Luciano,
Nas suas palestras e entrevistas você coloca a falência da família como a raiz da maioria dos problemas da sociedade atual. Qual a origem dessa falência e como aconteceu esse processo?
São muitas as raízes do que estamos vivendo hoje. A transição para um país urbano, na roça a coisa era bem diferente, a expansão da influência da midia especialmente a Tv sobre o comportamento e as idéias das pessoas. O fato da mulher sair para o mercado de trabalho, uma necessidade inevitável. O enfraquecimento dos laços amorosos, especialmente o casamento. A idéia hoje de que mais importante do que deveres de adultos são meus interesses e desejos individuais e adultecentes. A fragilização da educação infantil e o desmoronamento da familia como uma instiuição social fundamental. Tudo isso somado e misturado vem resultando no que estamos vivendo.
Como são os pais e mães de hoje?
Os pais e mães hoje são seres muito atarefados, trabalho, estudo, muitas contas para pagar, insegurança no mercado de trabalho, ninguém está seguro mais onde está. Enfim, a familia acaba se transformando em algo lateral muitas vezes, não por que não se ama, mas por que a correria da vida de todo dia obriga cada um cuidar de si, e o aspecto familiar de convivência fica enfraquecido.  No mais como os casamentos não sao indissolúveis as pessoas ainda convivem com a sombra de uma relação que pode acabar a qualquer momento, e os filhos são as maiores vítimas dessa situação. Poderia dizer que incerteza é o sobrenome dessa época em estamos. Isso sem falar das exigências de consumo e de ter coisas e ser magros e jovens, que é uma pressão muito forte sobre todos, inclusive os pais, especialmente as mulheres.
E qual é a situação das crianças, dos filhos, nesse quadro?
Os filhos hoje vivem uma realidade completamente diferente de décadas atrás. A infância é experimentada em boa parte dos casos dentro de creches, babás ou a criação com a avó ou parentes. Como existem muitos casos em que os pais são separados, os filhos perdem a referência paterna e passam a ter uma convivência sem a figura masculina em casa, o que certamente acarreta grandes perdas emocionais à criança. Por outro lado, a falta de convivência com a familia leva a fragilidade dos laços amorosos e capacidade dos pais de educarem seus filhos de acordo com seus valores e visão de mundo. Tenho a impressão que as crianças são as maiores vítimas de toda a mudança que estamos vivendo atualmente.
A situação lamentável de nossas escolas, principalmente das escolas públicas, também é um reflexo dessa mudança no ambiente familiar?
Se a Escola Pública fosse melhor do que é certamente teríamos um quadro social muito melhor do que temos. Violência, dorgas e fragilidade familiar são sub produtos da falência da Escola.  A Escola deveria ser o grande agente agregador nos bairros. A Escola teria que ser um espaço de construção de cidadania num sentido não de formação teórica, mas prática. É na Escola onde a discussão da educação, dos jovens, do bairro e da politica deveria acontecer. Caso a Escola se permitisse isso teríamos muito maior participação de pais, adultos e jiovens na Escola. A Escola deveria ser o espaço onde todos no Bairro pudessem encontrar apoio e gente para conversar, se formar , fazer cursos e aprender sempre algo nobvo. Do jeito que está a Escola está muito frágil.
O que nossos jovens procuram em drogas reconhecidamente mortais como crack e oxi?
A droga no contexto em que estamos é ao mesmo tempo uma fuga e uma expressão de revolta. O jovem ao se drogar está mandando um recado contundente a sociedade: "Estou me sentindo abandonado, e nada que esta aí me serve".  Os jovens sejam pobres, ricos ou de classe média e que se drogam cada vez mais se drogam pelo profundo descaso da sociedade com sua realidade. O que a sociedade oferece as novas gerações a não ser consumo, nada. E no mais a sensação é a de insatisfação permanente. Nunca se consome o suficiente, nunca o que se tem está bom, sempre nos sentimos desatualizados e a impressão que temos e que ficaremos para trás.  Os jovens hoje sao tomados por uma profunda sensação de inutilidade, de vazio e de falta de lugar. Não há lugar para o jovem na sociedade atual. Não podem trabalhar, a escola faliu e não oferece perspectiva, suas familias entregues a luta de todo dia e sem condições de ofercer mais do qeu oferecem, isso sem falar dos jovens que crecem sem apoio familiar. As drogas e a criminalidade acabam se transformando numa "saída", mas ao mesmo tempo num ato de revolta, à medida que jogam sua juventude fora se envolvendo no mundo das drogas. 72% de todos os jovens de 14 a 24 anos está morrendo anualmente nas cidades brasileiras por homicídios e assidentes de trânsito. Isso é uma tragédia e é isso que eles, os jovens, nos mostram com suas mortes.
Você acredita Luciano que existe espaço para a família, nos moldes de antigamente quero dizer, nos dias de hoje, com esse consumismo exagerado e todos esses problemas que você citou?
Familia de antigamente nunca mais existirá, o que foi é passado. O que precisamos é nos encontrar com os melhores valores que nortearam o passado para que possamos nos reencontrar com a possibilidade de vivermos de forma mais equilibrada, sustentável inclusive emocionalmente. É isso. 







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