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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Uma Sub Prefeitura para a Região Norte


Rio Preto
Luciano Alvarenga



As transformações econômicas e sociais vividas pelo Brasil nos últimos anos mudaram a cara do país e mais do que isso, criou um sentimento nacional de que o país é possível. A ascensão do que se convencionou chamar de nova classe Média é na verdade o atrelamento de uma parte expressiva do povo que se via até então completamente excluída da vida nacional no seu sentido institucional.
A grande questão a partir de agora é como estas conquistas podem ser ampliadas no contexto local, no município. Isso por que em cada cidade do país existe uma classe media ascendente até então descriminada e que era vista como externalidades sem solução. Tudo isso mudou e vem mudando fortemente à medida que a chegada destes novos atores obriga o poder político municipal a apresentar projetos e um organograma social e econômico que dê conta de continuar em nível local as transformações em andamento nacional.
Sem dúvida alguma que em Rio Preto, a Região Norte é quem sempre encarnou o outro sem solução, a parte da cidade para qual não há projeto nem programa de desenvolvimento possível. Ironicamente esta região hoje é aquela que apresenta maior volume de renda total, é onde a dinâmica comercial e empresarial se coloca de maneira mais forte e, segundo alguns analistas, já é o carro chefe econômico de Rio Preto.
Mas se economicamente esta região confirma sua força e pujança, confirmada agora pela construção em andamento do Shopping Cidade Norte, fica a pergunta de como estão sendo encaminhados os projetos sociais, educacionais e ecológicos que permitam ali o desenvolvimento não apenas econômico, mas social. A Região Norte de Rio Preto é maior que a maior parte das cidades do Estado de São Paulo, com uma população que beira as 200 mil pessoas, se coloca como um caso especial na cidade e que, portanto, precisa de atenção administrativa e de gestão diferenciados.
A formação profissional dos jovens, a atenção prioritária para a educação das crianças, o desenvolvimento de projetos de emprego para mulheres chefes de família sem formação escolar, o desenvolvimento de projetos de saúde física e mental para a Terceira Idade que os retire dos postos médicos oferecendo como alternativas atividades lúdicas, de lazer e culturais são algumas das muitas questões urgentes que precisam ser pensadas. Não como plano de um governo ou partido, mas como projeto de sociedade que deverá ser levado a cabo por Rio Preto nas próximas décadas.
Aqui é que considero fundamental a criação de uma Sub prefeitura para aquela Região. É simplismo, até ignorância, imaginar que é possível dar conta de administrar aquela área a partir de uma estrutura administrativa centralizada no centro da cidade. Uma sub prefeitura da Região Norte é dar possibilidade administrativa para uma Região que já é economicamente independente e socialmente vibrante.
O simples despertar econômico de uma região não é suficiente para colocá-la em outros patamares civilizacionais. Desenvolvimento econômico sem desenvolvimento social, educacional e ecológico é apenas a aceleração da criminalidade, da violência, e dos problemas urbanos típicos de lugares onde circula o dinheiro, mas não circula as oportunidades e as possibilidades para uma vida melhor para todos.
A Região Norte é uma região de gente aguerrida, lutadora e que sabe sonhar ao mesmo tempo em que enfrenta suas imensas dificuldades. Dificuldades que são materiais, de descaso público, mas fundamentalmente de preconceito. A hora é de projetos políticos que dêem conta de enfrentar tais desafios, de oferecer aquela gente da Região Norte, não apenas soluções, mas de convidá-la a fazer parte da discussão dos problemas lá existentes e que ninguém mais do que eles são conhecedores.
A Região Norte precisa sentir que também é responsável por ela mesma a partir da possibilidade de se auto administrar. Luciano Alvarenga

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