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Rio Preto sem GPS


Luciano Alvarenga



"toda política é local".
Tip O"Neill Casa dos Representantes (House of Representatives)*


A mais recente crise na câmara municipal de Rio Preto, a renúncia de toda a mesa diretora daquela casa, evidencia o que já é sabido – a péssima representação política local -, mas ao mesmo tempo é ótima oportunidade para reflexão.
Como explicar a profunda falta de credibilidade do legislativo de Rio Preto? Como explicar que um vereador, Oscar Pimentel (Oscarzinho), que já foi acusado e punido pelo Ministério Público por manter em seu gabinete funcionário fantasma, que poderia e não foi cassado seja pela própria casa de leis, bem como pelo órgão Judiciário que também poderia tê-lo feito, é eleito presidente da Câmara e agora se vê em vias de perder o cargo?
Evidentemente que a Câmara é eleita pelo povo eleitor, mas quem oferece os nomes para serem votados são os partidos. Qual a opinião sobre a ação de Oscarzinho à frente daquela casa, do presidente do seu partido, o PPS? Que, aliás, é partido de origem Socialista.
A fragilidade dos vereadores é de todos conhecida, a questão a partir de agora é o que fazer para termos melhores nomes a serem votados no ano que vem, ano de eleição municipal.
Rio Preto nestes últimos 12 anos deixou de ser uma cidade de cara paroquial e a mais bonita dos grandes lagos, e vem sendo convidada a responder sobre sua nova realidade. Ou encara o desafio de se modernizar na política (é sua face mais atrasada), na gestão da coisa pública, na condução administrativa de seus projetos de longo prazo, ou vai empacar na insignificância política (é o caso atual de uma mesa diretora que de diretora nada tem), na profunda infantilidade/irresponsabilidade de seus quadros políticos eleitos, na falta crônica de projetos que catapultem a cidade para novos patamares civilizacionais, e na pior das consequências, o abandono de sua gente à própria sorte e certamente numa co-vivência social de todos contra todos.
O grande desafio colocado ao mundo, e o mundo só faz sentido quando pensado a partir de suas cidades que é onde se vive, sonha e se trabalha, é o desenvolvimento de projetos modernos e sustentáveis social e ambientalmente, visões de mundo que integrem as pessoas a suas comunidades e que permitam às novas gerações aspirarem oportunidades de sonhar e viver e deem tranquilidade aos velhos para gozarem o fim de suas vidas com dignidade. Rio Preto não sabe pensar, fazer e não está pensando nem fazendo nada disso (salvo as exceções de praxe na sociedade civil). Isso porque sua classe política não está à altura desse desafio.
Os reiterados escândalos na Câmara Municipal e agora o vexatório episódio da renúncia de uma mesa diretora que renuncia em nome de nada (?$?), expõem o abismo que há entre nossos representantes, e suas mesquinhas demandas, e tudo aquilo que precisa ser feito e não é.
O protagonismo político que Rio Preto sempre reivindica para si não redunda em fatos que comprovem tal protagonismo. Isto é, se é importante como diz, é por quê? A sobre representação política que a cidade tem em nível estadual e federal não se transmuta localmente numa cidade moderna, arejada, com uma classe política preparada para o diálogo com o país e o mundo. O que tem esta cidade de São José do Rio Preto de novo e modernizador para oferecer a si e ao país em termos educacionais, ambientais, tecnologia, sustentabilidade, meios de transporte urbano? Rio Preto é uma boa e bela cidade, não há dúvida. Mas é uma cidade do século XX.
Estamos no tempo de apresentar soluções e precisamos de pessoas preparadas para isso como nossos representantes. Como está a cidade caminha sem GPS podendo chegar a qualquer lugar ou a lugar algum. Isso porque corremos o risco de assistirmos a nossos melhores nomes serem tragados pela iniciativa privada quando não apenas ela, mas também e, urgentemente, o espaço e o Poder Público precisam de profissionais qualificados, de espírito público e éticos para guiarem Rio Preto a melhores e promissores dias.
Luciano Alvarenga, Sociólogo e prof. Universitário

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