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sexta-feira, 6 de maio de 2011

Que cada escola faça o que bem entender

As críticas à flexibilização do ensino médio

Por veras
Essa solução é como quebrar o termômetro para resolver a febre.
Hoje há um grande deficit de professores de física, quimica, biologia... Ao invés de se buscar soluções como faz a Coreia, por exemplo, que usa a tecnologia para levar esses conteúdo por meio de vídeos e internet aos locais mais remotos, o Brasil dá à escola a possibilidade de simplesmente eliminar essas disciplinas de seu currículo. E pobre do aluno, que não vai ter escolha, especialmente em municípios que contam com somente uma escola de ensino médio.
Como fica o aluno de uma escola pública que quer dar continuidade aos estudos no nível superior?
Além disso, essa solução pressupõe que a escola esteja qualificada para montar seu currículo, tarefa extremamente complexa. Ora, se o próprio conselho reconhece que grande parte dos professores não estão sequer preparados para dar aula, como propõe uma solução que requer muito mais conhecimento e especialização?
Na minha opinião, essa medida só vai servir para aumentar o fosso entre as escolas públicas e as privadas.
Por TheLudo
Concordo com a Vera
Não acho que está  na hora de dar este tipo de "salto" no Brasil. As escolas não atraem alunos por diversos motivos e não dá conta de disciplinas básicas.
As crianças tem o direito de ter uma base sólida em todas as disciplinas básicas, oque não ocorre hoje em dia. Existem diversas falhas no sistema público muito mais urgentes.
Esta proposta deveria vir no sentido de complementar a escola com assuntos diveros proporcionando o conhecimento do mundo ao aluno, no entanton isso não pode significar defict nas areás básicas.
E é isso que vai acontecer, porque as diretorias e corpo docente, raras excções, não conseguem dar conta do recado, seja pela incopetencia de alguns combinada com condições de trabalho totalmente insalubres e total falta de investimentos na escola.
Como pode haver planejamento voltado a uma escola se é impossivel a equipe de docentes dedicar exclusivamente a uma hj em dia? Já pensou se titular da USP e da UNICAMP ao mesmo tempo, e ocupar cargos de diretoria nas duas? A rotatividade de professores nas escolas de sp é algo alarmente.
Pra mim há muito mais necessidade de se investir na cultura e na educação da familia, bem como melhorar as condições de trabalho no meio escolar. Não se trata apenas de pagar mais o professor (algo que é completamente necessário), mas também é necessário a capacidade de as escolas terem laboratórios e blbiotecas decentes, programas e ambiente que estimulem e inspirem o aluno.
A mudança de curriculo é algo complexo, e exige cuidado para não se fazer merd* tenho medo que aconteça como muito foi dito nos comentários acima.
Vou dar um exemplo do total descaso com exatas com anuência do governo de São Paulo. Vocês sabiam que as bibliotecas públicas da capital não compram mais livros na area de exatas? Quando fui perguntar o porque a resposta que obtive foi a seguinte: "As bibliotecas de faculdades já exercem esse papel" e isso não aconteceu em qualquer biblioteca,aconteceu na MÁRIO DE ANDRADE. Faculdades compram livros para ensino superior somente, e algumas abrem seu acervo ao publica apenas alguns dias da semana, sendo que o publico não pode retirar material. Nem se acriança quiser ela vai conseguir se interessar por exatas, se não estiver em uma escola de rico, ou tiver dinheiro para comprar material didatico.
Em muitas escolas publicas do estado de SP os alunos nem sabem oque é USP,e quando sabem, muitas vezes não é de seu conhecimento que é um ensino gratuito. Tem alunos que querem cursar areás puquissimos concorridas como educação fisica, mas não se dão ao luxo de prestar universidades publicas por terem o estigma de sonho impossivel.
Ainda existem muitos fatores ambientais que desistimulam o acesso ao ensino superior e o gosto pelo aprendizado (principalmente no que se refre a área de exatas). A grade curricular pode ser um deles, mas nem de longe é tão urgente como outros aspectos deficientes no ensino publico.
Por André LB
Que mania irritante que o brasileiro tem (apesar de não estar sozinho nisso) de querer mudar tudo ou não mudar nada! Ninguém em sã consciência imagina que professores da rede pública no Brasil ganhem bem ou que as escolas sejam um primor, mas isso não precisa e nem deve afetar discussões paralelas sobre como deve ser a escola.
Vai o meu pitaco, adormecido em cerebrino berço esplêndido desde que eu era um aluno. Ensino Fundamental voltado para os aspectos mais básicos de cada matéria, mas Ensino Médio voltado às especializações. Imagine-se um 1º ano ainda com todas as matérias, mas maior número de horas-aula para matérias de determinado grupo. Por hipótese, digamos que haja 36 horas-aula na semana. Assim, se um aluno (obviamente é uma discussão familiar, não autônoma) opta por Exatas, que 20 horas-aula semanais sejam ocupadas com matérias como Física, Química e Matemática, enquanto as outras 16 sejam divididas em 8 horas-aula semanais para Biológicas e 8 para Humanas. Dentro de uma mesma matéria, teríamos 2 turmas, umas para os optantes da área e outra para os optantes de outras áreas, com cargas horárias e conteúdos diferentes. Aquele aluno de Exatas teria apenas 2 horas-aula semanais de História, enquanto o aluno de Humanas teria, digamos, 4 horas-aula semanais, participando de uma aula de História com conteúdo mais aprofundado que a outra.  
  Mesmo a ideia de reprovação de ano por matéria pode ser flexibilizada: é possível pensar em ao menos 2 sistemas diferentes. Em um deles, reprovação naquela matéria apenas exige que a própria matéria seja refeita, a exemplo do que ocorre na grande maioria dos cursos superiores. Outra maneira é avaliação como feita em muitos vestibulares: matérias da área do aluno com peso maior (digamos, peso 3) e de outras áreas um peso menor (peso 1), havendo reprovação (faço o raciocínio desconsiderando a aprovação automática) apenas em caso de nota abaixo de 5 dentro do cálculo geral das matérias, com óbvio peso determinante das matérias da área escolhida. Em caso de reprovação, é possível ao aluno modificar sua opção de área. Nos anos posteriores, aprofunda-se a especialização também em termos de horas-aula.
Para finalizar o raciocínio, imaginemos o conteúdo de algumas matérias nesse modelo de Ensino Médio. Vamos continuar com Matemática e História. Para alguém da área de Exatas, Matemática deve ter um conteúdo que envolva, por exemplo, cálculos de função, derivadas, etc, enquanto em História se pedirá ao aluno apenas noções básicas como principais acontecimentos durante o Governo Vargas. Ao aluno de Humanas, Matemática pedirá noções simples de Geometria e cálculos aritméticos importantes para o dia-a-dia, como frações e percentagens.  
Aí está meu pitaco. Ainda lembro bem que meus colegas de escola pública no Colegial muitas vezes desistiam por dificuldades em determinadas matérias, sendo comuns comentários como "Eu gosto é de matemática! A troco de quê preciso estudar oração coordenada ou subordinada e os tipos de clima na Europa?". A mim parece que é empobrecer demais a discussão querer omitir essas questões ao se levantarem outras, como falta de materiais ou de professores, obviamente importantes mas não exclusivas. 
Por Professor Girafalis
Acho bom isso aí.
Se não tem professor para ensinar uma disciplina, ou se certo conjunto de disciplinas está deslocado do contexto dos alunos, que a energia seja deslocada para aquilo que é mais útil. Fora isso, é energia perdida. 
Mas junto com isso precisariam flexibilizar as salas de aula: com os alunos não ficando amarrados fisicamente a um grupo, mas tendo liberdade de escolher para que aula ir.
Vou dar um exemplo:
se nota-se que numa escola o interesse por exatas é pequeno, que tal, ao invés de cancelar Física do currículo, reduzir o número de turmas para essa aula: por exemplo, se antes havia 8 turmas de 1o ano de ensino médio, com 32 aulas de matemática por semana no total (4aulas/turma.semana), que tal colocar apenas 4 turmas com 20 aulas por semana (5aulas/turma.semana)? Os alunos que quiserem se inscreveriam nas aulas, e iriam. E com uma aula a mais, e com maior interesse (porque escolheram de livre e expontânea vontade), aprenderiam melhor que antes. Mas para permitir isso seria necessário haver flexibilidade para o ALUNO, senão homogenizariam alunos dentro das limitações medianas de sua comunidade. O aluno deve ter a opção de escolher. Agora porque sua escola está numa área onde todo mundo está interessado demais em música e história, ele, que gosta de matemática, não terá aulas de matemática? Pera aí, isso não. É homogenizar demais o sujeito: estudantes não são assim.
Nos EUA é mais ou menos do jeito que eu digo: o aluno do ensino médio escolhe as disciplinas que quer cursar. Há escolas razoavelmente especializadas em certas coisas.  No entanto, dentro da escola, o aluno pode escolher as disciplinas que interessa, e há ofertas de aulas para estudantes de interesses diversificados.
Nos EUA, convivi muito tempo num trabalho em uma escola De Artes Liberais. Era um ensino médio especializado em artes: os alunos tinham professores de animação, de pintura, de mangá japonês, de costura, de bordado, de pintura com pastel de cera, mas também havia alguma oferta de matemática, de física, de cuidados com o bebê, etc. Lembro de ver num mural 4 classes (opções) para Desenho Iniciante. E uma classe para Álgebra. O aluno que começava o ensino médio escolhia a maioria das aulas para cursar. A maioria dos estudantes ali (por causa da especialidade da escola) queria mesmo é ter as aulas de desenho. Mas um punhado deles, talvez pensando no SAT (para a universidade) ou por gosto, se matriculava ali na aula de Álgebra.
Mas como disse: só se pode flexibilizar quando existe a opção, e o aluno pode desenhar o currículo. Do contrário, é condenar o sujeito a uma conjuntura do ambiente que ele não escolheu. É reduzi-lo demais por causa de sua comunidade, o que é absurdo: há quem queira explorar o mundo - tirar isso do estudante é um abuso.

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