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sexta-feira, 20 de maio de 2011

O que está por trás do Kit Gay


O que está por trás do Kit Gay
Luciano Alvarenga


O kit anti homofóbico, popularizado como kit gay, é uma questão que revela muito da atual situação no Brasil. Com mais de 80% de sua população morando nas cidades, e um moderno sistema de telecomunicações que ao mesmo tempo em que homogeneíza comportamentos, ditos liberais, faz com que todos se sintam de certa maneira partícipes da mesma cena urbana, coloca, entretanto, novas questões e problemáticas advindas destas novas realidades.
O crescimento do tecido urbano ao invés de criar uma sociedade coesa e homogênea, aumenta na verdade a fragmentação, a divisão e o distanciamento, característica inegável das cidades à medida que crescem e se desenvolvem. O que antes era uma sociedade que partilhava valores, comportamentos, ritos sociais e religiosos, comuns nas comunidades rurais e em cidades pequenas do interior do país, passa a ver, por outro lado, o surgimento de grupos e tendências que extrapolam a cultura comum herdada e, defensores de novos etos societários.
A questão quente dos kits gays nas escolas estaduais se enquadra perfeitamente nessa questão. A Escola Pública que sempre foi o lócus de reprodução de comportamentos socialmente aceitos e padronizados como norma, é hoje um lugar disforme, sem vocação nem identidade e que recebe diariamente milhões de crianças e jovens não raras vezes provenientes de ambientes sociais e familiares desestruturados. Estas crianças e jovens carregam mais as características da desestrutura urbana, marcantes em espaços de pobreza, do que uma identidade clara e definida do que são. Nesse sentido, a Escola é mais um espaço de reunião de milhões de jovens em situação social e cultural semelhante e, precária, do que um lugar de reprodução de saber e educação.
Descendentes de famílias marcadas pelo abandono paterno ou, pai em situação de semi emprego, pela presença marcante da delinquência juvenil, precariedade econômica, ausência materna dada à exigência de ser ao mesmo tempo mãe e provedora, o envolvimento dos jovens na economia do crime como forma de resolver uma crise ao mesmo tempo de não formação educacional, mas também uma resposta para uma identidade em formação, tudo isso está contido nesse jovem, aluno da Escola Pública. Bem se observam que crianças e jovens de periferia ou de bairros pobres travam uma brava luta pela sobrevivência identitária e psíquica. Aponte-se que a questão não é meramente sexual, mas do Ser em sua totalidade.
Para o que está em tela nessa discussão basta dizer que, estas pessoas encontram-se sem referência familiar, sem referência de valores e princípios norteadores, sem referência de políticas públicas estruturantes (Escola abandonada), e por consequência sem referência emocional e identitária. As crianças e jovens pobres, para não dizer os jovens de classe média, são hoje a cartografia da desestrutura social que toma conta das cidades brasileiras.
Resulta disso que, incapazes de se pensarem a si mesmos, no caso dos jovens, nem ao menos de viverem espontaneamente a infância que deveriam, no caso das crianças, o que vemos é a instalação da violência como forma última de afirmação social e a tentativa, via economia da criminalidade, de ocupar um lugar no mundo do consumo. A violência nesse caso talvez seja menos contra os Gays e mais uma reação contra a violência objetiva da realidade que são obrigados a viver.
 É nesse contexto que surge a proposta de distribuição do Kit anti homofóbico. Uma proposta que visa combater a violência e o preconceito contra este grupo social. A completa ineficácia do projeto, ainda que a intenção seja nobre, está no fato de que o grupo social a que se destina, jovens em idade escolar, está em sua maioria esmagadora desaparelhada para pensar sobre tão sofisticada questão que é esta da sexualidade e seus desdobramentos, num contexto de vida em que outras exigências são prementes e prioritárias. Isso significa dizer que se a Escola Pública, nesse caso do Kit, fosse o objetivo central da luta GLBT e, dentro deste processo emergisse as demandas individuais deste grupo, ela seria legítima. Mas como está colocada, sugere mais uma campanha em prol de um grupo específico do que uma luta por uma sociedade mais justa e solidária.
Resulta, do fato que, mais parece que os grupos GLBT pretendem marcar terreno político e publicitário com o Kit do que propriamente debater a realidade de crianças e jovens das Escolas Públicas, que por si só já vivem uma realidade violenta.
Por último, a discussão da sexualidade tal qual vem sendo colocada não apenas pelos grupos homossexuais, é sempre com um viés individualista e privatizante. Quando o que estamos vivendo é o agravamento do modelo de vida privado, individualista que descarta o coletivo e o espaço público, com seu corolário que é uma sociedade de corte profundamente egoísta.
Entre uma Escola Pública falida e o que tudo isso implica de prejuízos coletivos para o país e para as famílias, e o direito individual a expressão sexual sem nenhum valor maior que simplesmente a expressão de um desejo individual, eu penso que o coletivo deve sobrepor o indivíduo.

5 comentários:

Wilson disse...

Seu ponto de vista é uma síntese muito bem elaborada da gritante situação que atualmente passamos.
Enquanto vivermos como subservientes nesse sistema degradado e sem viés de melhora, infelizmente em pouco tempo perderemos a pouca dignidade que nos resta.

ShorusBlog disse...

Olá, Luciano!
Ontem assisti ao vídeo e fiquei espantado.
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/veja+videos+do+kit+antihomofobia+do+mec/n1596964952707.html
Acho que com esses vídeos não irá melhorar em nada a questão de homofobia e sim justificar muitas das vezes a quebra da pureza de uma criança e ainda pior, dentro da escola. o Kit está denominado erradamente, deveria se chamar "Kit liberte-se, aprenda a ser GLBT".
Estão tirando proveito de uma situação para semear outra coisa, aí espere só pra ver que tipo de fruto a sociedade colherá futuramente.

Um grande abraço,
Daniel Ebram

Emerson disse...

Ótima análise.


Eu acho totalmente imprudente apresentar a crianças cujos conceitos de moral estão em formação.

O pior de tudo é que este kit foi desenvolvido na surdina, por uma dúzia de líderes gays, lésbicas, bisexuais e transexuais (GLBT), sem nenhuma participação ou mesmo conhecimento da sociedade.

O mesmo lider gay que foi o principal articulador da PL-122 (lei anti-homofobia) e do kit-gay, Luiz Mott, já fez várias declarações apoiando a mudança da lei para permitir que crianças e adolescentes tenham liberdade para ter sexo com adultos!!! O cara quer institucionalizar a pedofilia, acreditam nisso?

É esse o tipo de pessoas que criaram este kit-gay, que irá sexualizar crianças e adolescentes precocemente, tornando-os vítimas fáceis para pedófilo como o Luiz Mott.

Equanto isto a imprensa se omite de fazer uma cobertura independente deste kit, se limitando a chamar de homofóbicos os críticos.

É importantíssimo então divulgar estes vídeos, para que a sociedade mobilize e impeça que esta afronta do kit-gay seja introduzido nas escolas públicas do Brasil. E mais, este é só o começo, pesquise sobre o Plano Nacional LGBT. A coisa realmente vai ficar preta, ou diria melhor, cor-de-rosa.

Assista TODOS os vídeos no link abaixo:
http://www.anovaordemmundial.com/2011/04/video-indignacao-tres-filmes-do-kit-gay.html

MESTRE MUKA disse...

Ainda podemos acreditar no ideal das luzes?
Podemos chamar a constituição e os meios democráticos de apogeu ou bom exemplo da razão e dos bons valores humanos? Ou será que modernidade em sua eterna busca de liberdade, igualdade,fraternidade, manifestada na nossa liberdade política, civil e social não tenta nos modernizar, assim como fez e faz no atual século. Esta modernização, tentáculo da modernidade para se chegar ao apogeu dos valores humanos, criou a cultura de massa, a vida urbana da ultra informação, os valores de consumo e de trabalho desregrado e danoso, o combate empresarial e curricular que abrange o micro e o macro. Para alguém parecer humano novamente e poder ser percebido como tal, deve-se estar na mídia, nas propaganda, ser pop nas redes sociais, um ser desindividualizado que para mostrar seu individualismo não pode ser quem se é mas sim uma construção que apenas o distanciou mais de seu verdadeiro self. É uma época em que estamos todos perdidos guiados por movimentos que não entendemos, devido a anulação no individuo. Não há mais tempo para a familia, nem para se pensar em como se vive, mas apenas vivemos. E um século onde as análises abandonaram a filosofia, onde o conhecimento histórico foi ignorado. Nossos maiores saberes, estão na wikpedia, nossa opiniao vem de vloges.

MESTRE MUKA disse...

Nossa escola publica é não vale de nada, é apenas um organismo morto que cria pessoas mortas. O discurso é o mesmo em qualquer região do pais, todos só querem ser funcionários públicos, para poder consumir e ter uma melhor aposentadoria. A escola está uma sucata, superlotada em um cenário onde não se respeita mais nada, nem alunos nem professores. O profissional de educação empurra os pcns com a barriga, há um pacto de mediocridade, uns fingem que dão aula, outros fingem que estudam. No privado, o aluno é preparado para o mercado, se esquece da produção cultural, a academia só existe para fazer o aluno passar no vestibular.
Não se tem mais valores, não se sabe por que se existe, pois nossos vínculos são apenas com o momento que esta se passando na internet, tv, cultura de massa, e no que o mercado me pede para que eu possa um dia ter meu lugar e consumir, que se dane as questões sociais. Se o povo brasileiro tivesse consciência e soubesse ler e interpretar, o artigo 5 da constituição já bastaria, mas para a maioria a constituição só serve para passar em concurso, por isso estamos assim; de um lado tradicionalistas que não sabem por que são tradicionais, do outro, movimentos em busca de uma identidade que venha quebrar essa subjetividade de controle.

Me desculpem o texto longo, pois sei que a maioria tem preguiça de ler.

Mestre Muka.