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Gikovate no Divã

Gikovate no Divã

ADRIANA KÜCHLER
COLUNISTA DA REVISTA sãopaulo
O psiquiatra Flávio Gikovate, que ataca de ator em "Passione", não revela nem na terapia o segredo de Gerson, mas conta aqui seus medos, brochadas e frustrações.
Christian von Ameln/Folhapress
No ar na novela "Passione", Flávio Gikovate diz: "Com medo de ficar louco, resolvi virar psiquiatra"
No ar na novela das oito da Globo, "Passione", Flávio Gikovate diz: "Com medo de ficar louco, resolvi virar psiquiatra"
Foi uma criança feliz?
Minha infância foi complicada. Minha mãe era esquizofrênica, tinha ideias de grandeza, de perseguição. Na adolescência, por causa dela, era difícil trazer amigos pra casa. Isso contribuiu pra eu ser mais reservado. Nunca fui popular.
Teve complexo de Édipo?
Não, o que eu tive foi uma influência fóbica. Assim como algumas pessoas que têm medo de avião viram pilotos, eu, com medo de ficar louco, resolvi virar psiquiatra. Mas também não servia pra muita coisa. Não tenho motricidade nenhuma. Talento artístico nenhum. Talento pra línguas nenhum. Pra práticas esportivas, muito limitado. No meu contexto, eu só podia ser médico, engenheiro ou advogado.
Como é a sua autoestima?
Brilhante ela não era. Mas hoje é bastante boa. Tinha medo de avião, perdi. Tinha dez quilos a mais, perdi. Tinha pavor de falar em público e hoje tô fazendo esse absurdo que é novela das nove na televisão. Na Globo, falando pra milhões de pessoas.
Faz terapia?
Não. Fiz psicanálise na faculdade de medicina e numa fase problemática. Mas não credito nada aos analistas. Fui uma criança muito medrosa, mas também fui um grande enfrentador dos medos.
Como lida com a popularidade?
Numa semana recente, fiz quase 50 consultas, gravação do meu programa, da novela, palestra gravada e programa ao vivo. Falaram que eu levo vida de celebridade. Celebridade? Outro dia me perguntaram se eu ia pro Projac de helicóptero. Aqui, ó! Vou num carro da Globo caindo aos pedaços. Tem ar-condicionado às vezes... O motorista liga fazendo careta e ainda diz: "Tô meio resfriado".
Tem alguma frustração?
Todo mundo fala das pingas que toma, mas não dos tombos que leva. Errei bastante, algumas vezes confiei em pessoas em que não devia, meu primeiro casamento foi um equívoco... Mas nada disso hoje me parece relevante.
É bem resolvido sexualmente?
Em 1979, dei uma entrevista pro Ruy Castro na "Playboy" em que me transformei no primeiro brasileiro que brochou. Publicamente. Já brochei e já desbrochei. Mas nunca tive um problema sexual e nunca fui nenhum super-herói.
Já aconteceu a famosa transferência na relação médico-paciente?
Acontece. É parte do tratamento. Mas sou um cara absolutamente ético. Nunca transgredi nenhuma norma. Minha biografia é relativamente chata. E ninguém nunca me atacou. Ou porque eu não sou suficientemente interessante, ou porque não dou espaço.
Que personalidade real ou fictícia você gostaria de analisar?
Não sou frustrado com isso. Atendi algumas das pessoas mais conhecidas e mais ricas do país, alguns dos intelectuais mais destacados. E um monte de gente que não era nada disso, normal.

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