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quarta-feira, 25 de maio de 2011

EUA e sua cultura da decadência

A cultura dos EUA, por Paul Craig Roberts

Do Infowars.com
Afinal, os americanos têm cultura?
Paul Craig Roberts
May 24, 2011
A cultura nos Estados Unidos é considerada uma cultura jovem, sendo definida em termos de entretenimento: sexo, musica rock ou seu equivalente atual,  “vídeo games” violentos, esportes e “TV reality shows”. Essa cultura tem transformado o país e parece estar prestes a transformar o resto do mundo. Há até indícios de que a secularizada juventude árabe e também a iraniana não conseguem mais esperar a liberalização  para participar dessa cultura do rock-pornô. 
A responsabilidade pela cultura, nos governos americanos anteriores, o cumprimento da lei e da presunção da inocência, o respeito pelos outros, pelos princípios e costumes tem ficado pelo caminho. Muitos norte-americanos, especialmente os mais jovens, não são conscientes do que perderam, porque eles não sabem o que tinham. 
Isso ficou claro para mim, mais uma vez por causa de algumas respostas dos leitores à minha recente coluna na qual assinalei que à Strauss-Kahn, o diretor do FMI (agora ex), acusado de ter abusado sexualmente de uma empregada de hotel, foi negada a presunção de  inocência. Salientei que o princípio jurídico de inocência, até prova em contrário, foi violado pela polícia e mídia, e que Strauss-Kahn foi condenado nos meios de comunicação não só antes do julgamento, mas também antes de sua acusação.
Pelas respostas dos meus leitores eu descobri que existem pessoas que não sabem que um suspeito é inocente até ser considerado culpado por prova em um julgamento público. Como um deles escreveu: "se ele não fosse culpado, ele não seria cobrado." Alguns pensaram que por "presunção de inocência" eu estaria dizendo que Strauss-Kahn era inocente. Fui acusado de odiar as mulheres e recebí vários sermões de feministas. Algumas mulheres americanas estão mais familiarizadas com mantras feministas do que com os princípios jurídicos que são a base da nossa sociedade.
Muitos homens também confundiram a minha defesa da presunção de inocência, com uma defesa de Strauss-Kahn, ou se eles entendem sobre "inocente até que se prove a culpa," não se importaram. Os direitistas queriam Strauss-Kahn fora do quadro, porque ele era o candidato do partido socialista que provavelmente derrotaria o fantoche dos americanos,  Sarkozy, na próxima eleição presidencial francesa. Com Sarkozy, Washington tem finalmente um presidente francês que abandonou todo seu interesse em uma independência ou semi-independência da política estrangeira francesa. Será que eu não percebo que se perdermos Sarkozy os franceses poderiam reverter para não irem juntos em nossas invasões, como eles se recusaram a fazer quando fomos atrás de Saddam Hussein? Com Sarkozi os franceses estão cumprindo nossas ordens na Líbia. Porque, meu Deus, eu pensaria que Strauss-Kahn e uma tola doutrina  como a presunção de inocência fosse mais importante que o apoio francês às nossas guerras?
Muitos esquerdistas foram indiferentes a um princípio jurídico que proteja o inocente. Eles queriam o sangue de Strauss-Kahn, por se tratar de um membro rico do establishment e, como diretor do FMI tinha feito os pobres na Grécia, Irlanda e Espanha pagarem pelos erros dos ricos. O que quero dizer com "presunção de inocência"? Como pode um membro do “establishment” ser inocente?  Um extrema-esquerda chegou a escrever que eu tinha "voltado ao antigo modelo", e que a minha baboseira sobre esta tal presunção de inocência provou que eu ainda era um Reaganite defendendo os ricos das conseqüências de seus crimes.
Isso evidentemente, não fez as feministas, a direita ou a esquerda entenderem que se a tão poderoso  membro do establishiment, como eles consideram ser Strauss-Kahn , possa ser negado a presunção de inocência, então o que poderá acontecer com seus próprios destinos quando precisarem desta proteção?
O pensamento independente  não é um conceito com o qual a grande maioria dos americanos  estão familiarizados ou se sentem confortáveis. A maioria quer ter  suas emoções acariciadas, e temos que dizer sempre o que eles querem ouvir. Eles já sabem o que pensam. O trabalho de um escritor é para validá-lo, e se o escritor assim não o faz, ele é, dependendo da ideologia do leitor, um misógino, um meio-comunista liberal, ou a serviço do establishment fascista. Todos concordarão que ele não é um bom FDP (SOB).
Como eu escrevi há um tempo atrás, o respeito pela verdade caiu e levou tudo para baixo com ele.
O Dr. Paul Craig Roberts é o pai da Reaganomics e ex-chefe da política do Departamento de Tesouro. Ele é um colunista e anteriormente foi editor do Wall Street Journal. Seu último livro, "How the Economy Was Lost: The War of the Worlds”  detalha por que a América está se desintegrando.

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