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A decadência de Serra

Serra ficará sem PSDB e PSD

Bastidores: Crise da sigla expõe solidão de Serra - politica - Estadao.com.br

Tucano concentrava poder, mas desde a vitória da petista Dilma Rousseff, ele vem perdendo espaço na sigla

04 de maio de 2011 | 23h 00
Christiane Samarco, de O Estado de S. Paulo
A crise que enfraqueceu o PSDB paulista expôs o processo de isolamento político a que vem sendo submetido o ex-governador José Serra. Até a eleição de 2010, era ele quem concentrava o maior cacife de poder do tucanato no Estado. Desde a vitória da petista Dilma Rousseff, porém, Serra vem perdendo espaço na sigla.
Foi assim na briga interna do DEM, em que seus aliados perderam o controle do partido, hoje nas mãos de articuladores mais próximos do senador Aécio Neves (PSDB-MG).
egundo golpe veio em seguida, quando seu maior parceiro em São Paulo, o prefeito da capital, Gilberto Kassab, dá sinais de que pode deixar o campo de oposição ao Planalto e levar o PSD para perto de Dilma e dos petistas. Um tucano que acompanhou de perto a crise paulista diz que Serra tem consciência de que o novo partido de Kassab, o PSD, reduz a força da oposição. Nos bastidores, porém, integrantes tucanos de grupos adversários a Serra acusam o ex-governador de não ter agido para conter a sangria que Kassab promove no PSDB.
E para quem imaginou que o PSD ainda pudesse ser uma boia para acolher Serra mais adiante, expoentes da nova legenda afirmam que o tucano não cabe na sigla. Além disso, o próprio Aécio começa a se movimentar em busca de pontes com Kassab.
O temor de que Aécio tomasse a presidência do PSDB para fortalecer seu projeto presidencial em 2014 levou Serra a cometer o erro de empurrar o presidente nacional do partido, Sérgio Guerra (PE), para a reeleição. Quando ensaiou tirar Guerra de cena, já era tarde. Àquela altura, o deputado contava com o apoio de Aécio e do governador paulista, Geraldo Alckmin.
Companheiros de Serra avaliam que ele também errou quando rechaçou de público a ideia de assumir o comando do Instituto Teotônio Vilela. Aecistas trataram de reservar o ITV ao ex-senador Tasso Jereissati (CE).
A escolha do deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP) para liderar a bancada tucana na Câmara teve o dedo de Geraldo Alckmin. E, ato contínuo, Aécio empatou o jogo "Minas Gerais versus São Paulo" ao indicar o deputado federal Paulo Abi Ackel (PSDB-MG) líder da minoria.
Na montagem do governo Alckmin, o grupo serrista teve menos espaço do que gostaria. Três de seus mais próximos colaboradores acabaram na Prefeitura. Mauro Ricardo, ex-secretário da Fazenda, assumiu a secretaria de Finanças de Kassab. O ex-secretário de Planejamento Francisco Luna está no Conselho da São Paulo Obras. Ao ex-governador Alberto Goldman, o prefeito reservou uma vaga no Conselho de Administração da São Paulo Urbanismo.
A sorte dos serristas não mudou na montagem do diretório do PSDB paulistano. Vereadores tucanos ligados a Serra e Kassab foram escanteados na primeira composição do diretório e seis deles e deixaram o partido.
O ex-deputado Walter Feldman, outro expoente tucano ligado a José Serra, que o ajudara a fundar o PSDB, também decidiu abandonar a legenda. 
Serra procura Alckmin para negar elo com dissidentes 

Ex-governador tenta desfazer mal-estar criado por silêncio na crise do PSDB

Nova legenda criada por Kassab, afilhado de Serra, provocou dezenas de baixas nos partidos da oposição

Rodrigo Capote - 2.mai.11/Folhapress
 
O ex-governador Serra em palestra em escola em São Paulo

DANIELA LIMA
VERA MAGALHÃES

DE SÃO PAULO

O ex-governador José Serra procurou seu sucessor, Geraldo Alckmin, e outros líderes do PSDB para desmentir que seja o idealizador da debandada tucana rumo ao PSD de Gilberto Kassab.
Serra se queixou do que considera uma tentativa de desgastá-lo no partido, proveniente, segundo sua avaliação, de pessoas próximas ao governador.
O encontro ocorreu na noite de anteontem, no Palácio dos Bandeirantes. Antes, o ex-governador havia falado por telefone com o presidente do partido, deputado Sérgio Guerra (PE), e com outros dirigentes tucanos.
Segundo relatos obtidos pela Folha, Serra disse a todos que não se envolveu com a criação do PSD. Afirmou que tentou dissuadir Kassab, seu aliado, da ideia de deixar o DEM e criar a nova sigla.
O ex-governador fez um diagnóstico de que o PSD vai se aproximar do governo Dilma -e, portanto, não seria vantajoso para ele.
A criação do novo partido provocou nas últimas semanas dezenas de baixas no PSDB e nos outros partidos de oposição, DEM, ao qual Kassab era filiado, e PPS.
Procurado ontem pela Folha, Serra não respondeu.
Rumores sobre sua participação no projeto de Kassab ganharam força quando o PSDB da capital paulista perdeu 6 de seus 13 vereadores. Todos os dissidentes são aliados de Kassab e fizeram campanha para ele em 2008, com o apoio de Serra.
Na época, Alckmin concorria à prefeitura pelo PSDB. O partido ficou dividido e o governador sequer chegou ao segundo turno.
Serra tem evitado falar publicamente sobre a debandada tucana em São Paulo. Na segunda-feira, após palestra em escola particular paulistana, negou que houvesse crise no PSDB e desconversou sobre a nova sigla.
"É um partido que está sendo feito", disse aos repórteres após a palestra. "Não estou preocupado."
DIRETÓRIO ESTADUAL
Na conversa com Alckmin, Serra também discutiu a necessidade de fazer um acordo para a composição do diretório estadual do PSDB, a fim de evitar que se repita o descontentamento que levou à saída de seis vereadores.
Depois do encontro, serristas dão como certa a indicação do deputado federal Vaz de Lima, ligado a Serra e ao senador Aloysio Nunes Ferreira, para a secretaria-geral.
O grupo alckmista, que indicou o deputado estadual Pedro Tobias para presidir a legenda, queria manter César Gontijo no posto. Ontem, no entanto, já reconhecia que estava praticamente fechada a indicação do federal.
Lima foi líder de Serra na Assembleia Legislativa. "Estamos caminhando para um acordo que contemplará todas as correntes e lideranças", disse o deputado federal Luiz Fernando Machado.

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