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sábado, 7 de maio de 2011

Ainda o Realengo

Sobre Realengo
Olá Luciano,

Acabei de ler, com um certo atraso, seu texto sobre o massacre em Realengo. Discordo sobre a parte em que fala da escola pública. Eu trabalho em uma e lá não é muito diferente de escolas particulares de primeira linha onde já lecionei em São Paulo. Nós, os educadores, estamos mais perdidos "que cachorro em dia de mudança", porque há uma mudança acontecendo em termos tecnológicos, tão rápida que a educação ainda não está pronta pra acompanhar, que dirá o professor, que é um dos seres mais resistentes. Depois de séculos sendo o detentor da função de transmitir o conhecimento, como é que a gente larga o osso? Eu adoro meus alunos e trabalho com projetos de leitura, teatro e iniciando  com linguagem cinematográfica. Isso o aluno sabe, ele vê tv e video game desde que nasceu e entende que linguagem eu estou falando. Os meus aqui da periferia só não sabem os nomes. "Ahn, câmera subjetiva, aquilo que a gente vai enxergando? entendi..."  Então, acho que as ESCOLAS estão todas no mesmo barco, públicas ou particulares. Temos, em contrapartida, alunos que estão frequentando a faculdade, Direito, Administração, Letras que sairam da minha escola, aqui nos confins da zona norte da cidade. Alunos com as tais "famílias desestruturadas" mas que se integraram, se estruturaram e seguiram sem problemas, sem drogas, sem crime.  Acabei de lembrar de um fato que ocorreu há alguns anos: o de um jovem estudante de Medicina que entrou num cinema e metralhou pessoas. Ele não era fruto de uma escola pública com certeza... 

Enfim, estou indo em defesa da escola pública, não por achá-la boa, mas por não acreditar que ela seja tão diferente das outras no que produz em termos sociais. Mais um estigma?

Um abraço

Fátima SAlomeh

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