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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sem Reforma Política, não dá


Sem Reforma Política, não dá
Luciano Alvarenga
 
 
Falar em Reforma política é falar de um tema urgente. Urgente porque toca nas piores feridas da sociedade brasileira. Educação falida; altos graus de corrupção em todos os estratos do poder – Legislativo, Executivo e Judiciário; altíssima carga de impostos, que penaliza quem é pobre, e que não se reverte em benefício à sociedade, mas alimenta os canais de corrupção presentes nas estruturas de poder político; infraestrutura portuária, rodoviária e aeroviária em frangalhos; pior distribuição de renda do planeta; entre outros temas fundamentais como a saúde pública, sempre carente de recursos ainda que o SUS seja um modelo importante de atendimento.
Todos esses problemas não encontrarão solução enquanto não houver uma reforma política. Isso porque os políticos são os menos interessados em mudanças, uma vez que são os maiores beneficiados da podridão hora vigente.
Pensar a melhor reforma política é pensar qual sistema permitirá o aumento do compromisso ético dos candidatos, a moralidade no trato com a coisa pública, isto é, o bem público para a sociedade e não para uso particular de partidos e famílias. O compromisso ético também poderia ser reforçado com o fim do voto obrigatório, pois isso resultaria na melhoria intelectual e nas propostas dos partidos, uma vez que precisarão não apenas convencer as pessoas de suas ideias, mas principalmente levá-las a participar do processo eleitoral.
A reforma política não deve ser aquilo que seja bom para os partidos e para os políticos, mas fundamentalmente o que permita resultar em melhorias para a cidadania e amadurecimento da democracia. Todos sabem que a classe política está divorciada da sociedade, não representa mais as justas demandas do povo, mas se transformou em representante dos seus próprios e privados interesses. Devolver a política ao povo é permitir o amadurecimento da democracia e da cidadania, hoje ameaçadas pela privatização da política para fins pessoais, partidários e corporativos. Quando a democracia e cidadania são os interesses primeiros da política, a classe política e os políticos se fortificam e fortificam a continuidade do regime democrático.
As coisas não se resolvem nem parecem se resolver porque a política se transformou no maior obstáculo para as mudanças necessárias para a evolução da sociedade. Partidos dominados por caciques, que mandam neles durante décadas, se transformam em máquinas de enriquecimento pessoal e de permanente busca do poder. Construir mecanismos eleitorais que facilitem o ingresso e rodízio de lideranças sociais e pessoas comuns da sociedade na política é uma maneira de combater o caciquismo e os donos dos partidos.
O que vemos hoje é uma sociedade cada vez mais descrente da política e por consequência da democracia. A descrença na política é o primeiro ingrediente para se formar um caldo cultural antidemocrático e autoritário. Se a política é vil e corrupta, como vemos hoje em geral, a democracia torna-se desnecessária e, portanto, está aberta a possibilidade de uma sociedade totalitária.
Lutar pela Reforma política que, aliás, deve ter origem na sociedade e não apenas no congresso, é a única maneira de solidificarmos a democracia e a melhor participação das pessoas, visando uma sociedade mais justa economicamente, mais ética no trato com a coisa pública e mais moral nos costumes políticos.

Um comentário:

sabendolegal disse...

Muito bom,vc falou o que todos já sabem,mas nem tdos cumprem o seu direito de cidadão,com uma democracia em que tdos dizem e pensam sobre qualquer assunto.