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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Renato Dias Martino

O Fim Possível para as Prisões


 “Para que servem os presídios?”. O que será daquele que perde a possibilidade de construir laços sociais. Alguém que nunca teve amor e daí por diante só tende a piorar, em um regime penitenciário, que afasta o homem dos outros e não ensina o mesmo a viver com outros. Sigmund Freud (1856 – 1939), em 1922, publica “Psicologia das Massas e Análise do Ego”. Mostra como o grupo ou o social se comporta, analogamente, ao indivíduo e vice e versa.
Quem é a organização criminosa? É a parte análoga ao reprimido na mente do sujeito, ou seja, uma parte do “eu” que não consegue encontrar lugar na consciência, um afeto, uma necessidade ou, simplesmente, um impulso primitivo que não teve a chance de evoluir, ganhando sentido de ideia ou status de características conscientes na totalidade da personalidade ou do “eu” do indivíduo. O reprimido está condenado, pelas instâncias críticas e censoras do “eu”, a viver nas profundezas do inconsciente. Contudo, amiúde, tenta emergir na personalidade consciente provocando, assim, os sintomas da neurose. Assim, como na neurose do indivíduo, também a neurose social, ou grupal, apresenta os sintomas decorrente da repressão de parte do que poderíamos chamar de “eu social” com o intuito de um possível equilíbrio no todo.
            Nos noticiários são comuns os discursos dos dirigentes da segurança, proferindo a frases como: “A solução é a repressão”, enquanto à repressão é exatamente a causa da desgraça social. Não existe ou, pelo menos, não tenho conhecimento de algum método terapêutico que tenha como instrumento o incentivo à repressão. E se existe, deixo aqui meu descrédito.
Segundo Freud, o sintoma da neurose traz consigo um enigma que, através da interpretação, pode encontrar a solução para o conflito mental. Willfred Bion (1897 –1979),  dissidente de Freud, introduz o conceito de “elementos beta”- o caótico, incompreensível e desordenado - conteúdos que procuram um continente que os acolha e assim, possam sofrer certa transformação em “elementos alfa”- o organizado e afetivamente inteligível.  Nosso sistema carcerário é exatamente o inverso disso: o elemento entra caótico e desconexo e sai caótico e desconexo. Pior que isso, ainda com o peso da desesperança, fruto de sua experiência nesse ambiente hostil. Penso que, assim, como no “eu” ou no nível individual, também o “eu social” é maior e mais forte que o reprimido, mas, que por estar nesta condição de pressão, adquire características impulsivas e perigosas.
Mas, para que o “eu” possa resolver o conflito neurótico é necessário uma mudança de vértice, ou ponto de vista. Na sociedade também, como um todo, como responsabilidade e mobilidade da idéia social. O reprimido também é parte do “eu” e como tal, o “eu” não vive sem ele. Essa mudança da qual me refiro, talvez tenha que passar por uma humanização dos presídios e pela entrada do respeito para com o sujeito condenado e preso.
Talvez, a necessidade seja de um ambiente que proponha e proporcione ao criminoso uma transformação, e ai eu insisto e não vejo outro meio que não compreenda o respeito.


Prof. Renato Dias Martino -

Psicoterapeuta -

renatodmartino@ig.com.br -

Fone: 17-30113866

http://pensar-seasi-mesmo.blogspot.com/

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