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Quem pode terceiriza os filhos, quem não pode joga fora


Parece que jogar recém nascido no lixo não é mais novidade, afinal, a idéia é se desfazer de algo inoportuno. E o que fazemos com coisas que não queremos, ou que não são desejadas, nos desfazemos delas.
Filhos para uma boa parte das pessoas é um contratempo que pode ser resolvido recorrendo a um aborto ou com uma caçamba de lixo. O pouco valor de uma criança está diretamente ligado ao nenhum valor da família.
Se sexo é uma mercadoria usável e que se usa sem nenhum sentido, e como dizem os moderninhos de plantão, “qual o problema de se transar sem compromisso nem sentido”? problema nenhum desde que a sociedade aceite que matar e jogar crianças no lixo da cidade seja algo normal.
Quem pode terceiriza os filhos, quem não pode joga fora. Numa sociedade do descarte do usado ou daquilo quem não tem uso, não é de se admirar que algumas pessoas, como estamos vendo, queiram descartar seus próprios filhos, uma vez que não tem uso, muito pelo contrário, são um estorvo.
Fatos como estes, devem mais do que nos espantar para o horrendo de tais coisas e nos chamar a atenção para o fato de que convivemos numa sociedade onde jogar os filhos fora não é mais uma loucura, mas uma idéia comum levada a cabo por muitos.
Interessante dizer que todo mundo viu, julgou, falou mal da mulher, mas ninguém levantou a pergunta sobre o homem. Quem é o homem que fecundou a mulher, que, aliás, já está presa, mas e o homem.
Os moderninhos podem achar bacana transar com todo mundo como e quando quiserem, mas quem ainda arca com as conseqüências de uma maternidade sem planejamento ou a morte planejada de uma criança é a mulher.
As mulheres ainda não perceberam que ta tudo liberado, mas se houver conseqüências são elas as que pagam os preços mais altos.
Mortes em escolas, crianças jogadas fora é o efeito colateral dessa sociedade em que o NÃO deixou de existir e tudo pode desde que se queira. Onde tudo pode e não há limites para o que se deseja, é natural assistirmos tais horrores como este.
Limites são barreiras que levantamos para separar o ético, o moral, o justo, o digno do resto, da decadência.

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