Pular para o conteúdo principal

PT hegemônico e Aécio falando nada com nada


Na década de 1980 o PMDB era o grande partido político no Brasil, havia articulado toda a transição de ditadura para a democracia e de tal maneira que na segunda metade dos anos 80 de todos os estados brasileiros apenas um não era governado pelo PMDB.
Nos anos 1990, depois do interregno Collor, surge à cena o PSDB fundado em 1988 por FHC, Serra e Covas especialmente. Com a proposta de refundação do Brasil a ideia era modernizar a estrutura do estado, enxugá-lo, o que era modernizar virou neoliberalismo, privatização sem controle de tudo, e o mercado como salvador da pátria. Mas, de tudo o grande e significativo feito do PSDB foi estabilizar a economia, criar uma moeda forte e colocar a economia nacional nos trilhos. Não é pouca coisa, não é pouca coisa, diga-se.
Os anos 1990 terminam com uma economia fragilizada, movimentos sociais sublevados no campo e na cidade, o clima era de tensão e expectativas. O PT chega ao poder, mantém a genética econômica herdada, aprofunda os juros, e dá inicio a maior política social do Brasil em décadas. Inventa a chamada classe C e recoloca o Brasil no mundo depois de mais de 20 anos estagnado.
Depois de um PMDB da transição política, do PSDB da estabilidade econômica, o PT marca sua passagem pelo governo com a grife do social.
Qual é a crise da oposição hoje, não tem discurso. O discurso do Aécio Neves no Senado foi pífio, fraco e mantém a oposição do mesmo jeito, murcha.
FHC disse esta semana que a melhor coisa a fazer é refazer o discurso para as classes médias, inclusive a C. Buscar ai o cerne para fortificar o PSDB. É interessante, mas o quê exatamente as classes médias querem. A classe media é em geral profissional liberal, as profissões liberais estão em crise.
Aécio e outros no partido acham que o PSDB tem que ir onde o povo está e o que FHC quer voltar no tempo.
O PT caminha para virar hegemônico, deixou de ser de esquerda para se amoldar ao padrão cultural brasileiro, amealhou as bandeiras de gestão e administração profissional do PSDB, cuida do social sem se descuidar da economia e daqui a pouco não precisamos mais de oposição é o que vão dizer.
Não há nada na oposição, isso é perigoso. O PT virou uma geléia geral onde cabe de tudo, inclusive os programas políticos dos partidos de oposição. Se o governo faz o que os outros fariam, por que os outros, essa é a questão para testar a democracia no Brasil. Luciano Alvarenga


Comentários

dan disse…
luciano, no quanto lhe respeito como pesquisador, ainda assim não posso me permitir ler ou ouvir que se arraste para a vala o partido mais socialista que existe no nosso mundo atual. Por mais que vivamos com o capitalismo não deixamos de lado nossa origem socialista. Veja o PPS, PSB, PSDB. apenas não somos regidos por linha ideológica ditada pelas lideranças como o PCdoB.
Lucíamil disse…
Lucianito...no voy a decir que te lo dije...pero te lo dije...un beso!

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Sem chão nem utopia

Luciano Alvarenga A grande promessa da modernidade foi oferecer liberdade contra tudo e qualquer coisa que pudesse impedir os indivíduos de fruírem a vida sem amarras. Podemos dizer que, tal liberdade foi conquistada plenamente, e ainda que alguns resquícios de passado, com suas imposições e limites ainda resistam, derretem rapidamente nesse momento; não deixando atrás de si nada que possa servir como estandarte pra novas rebeliões. Não há contra o quê se rebelar. Todos os sólidos do passado, seja moral ou secular, estão liquefeitos; ao indivíduo resta apenas o destino de se guiar, tendo a si mesmo como referência. Ao mesmo tempo em que goza de todas as liberdades, vividas ou sonhadas, realizadas ou posta como possibilidade, o que se desenha nas pegadas daquele indivíduo é o medo, o receio, a insegurança, a incerteza em relação a si mesmo e aos seus destinos possíveis. A própria ideia de destino nada mais é que uma imagem, uma ilusão de quem ainda pensa que se guia de acordo com alguma r…