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sábado, 9 de abril de 2011

O massacre do Realengo, Bullying e a Fiat


Se você quiser entender as razões que levaram Wellington a matar uma dezena e meia de pessoas no Realengo no Rio de janeiro precisa entender sua vida na escola onde estudou.
Uma coisa é fato, esse rapaz não era louco, era normal como eu e você. Com a diferença que não conseguiu suportar a pressão que viveu e explodiu. Quantos de nós não temos vontade de explodir uma hora e outra.
 Wellington viveu todo tipo de bullying na escola onde estudou, ele era o alvo, era o feio, o desajeitado, tímido, esquisito, introvertido, era o alvo.
Segundo colegas que estudaram com ele naquela escola, ele era o maior e mais importante alvo de todos, especialmente das meninas, relatam os garotos seus antigos colegas.
Numa escola pública, num bairro de periferia, adotado e sendo tratado como a lepra da escola, é natural que um sentimento de ódio tenha se formado e fermentado ao longo dos anos nesse rapaz.
A questão é que vivemos em uma sociedade de extrema competitividade. Ou mata ou morre. E o lugar ao sol é definido pela sua capacidade de consumo. Numa sociedade de consumo e que estimula o todos contra todos por um lugar na vitrine, o bullying é sem dúvida uma arma para eliminar os mais frágeis logo.
E o bullying não é prática de adolescente. Amigos de trabalho praticam todo o dia o dia inteiro e sabemos disso. É o cara que chega atrasado, é a garota que não se enturma é o quieto demais, todos eles são alvos preferenciais. Ser inteligente demais num ambiente de trabalho pode disparar o bullying por parte dos que se sentem ameaçados.
Em nossa sociedade não há lugar para os feios, gordos, tímidos, fanhosos, deficientes, com bundas caídas, calvos, com manchas, que andam de ônibus, que não possuem churrasqueiras, que não tem carros, que não gostam de rodeio.
As mortes produzidas pelo Wellington devem ser debitadas na conta da sociedade. Nós produzimos o Wellington, ele é fruto de uma sociedade que escolheu a selvageria do mercado de consumo, do eu individualista que colocou todo mundo a venda, inclusive as crianças, e que deve responder agora pelas mortes produzidas. As mortes das crianças e adolescentes é a imolação que precisamos oferecer aos deuses do mercado.
Lembram daquela propaganda da Fiat “Você quase ficou famoso”, referindo-se a um cantor de barzinho, “você quase chegou ao Rio de janeiro” referindo-se a uma família que conseguiu chegar apenas a Taubaté. O que é isso senão uma escola de bullying produzida por uma das maiores empresas de automóveis do mundo em todos os canais de Tv aberta do país?
Numa sociedade que permite isso, algumas mortes é um baixo preço a ser pago. Luciano Alvarenga


2 comentários:

Renata disse...

Mto fácil acusar a sociedade.
Mto fácil filosofar sentado na cadeira.
Onde estão suas atitudes concretas para a mudança dessa situação???
Descabida sua participação na Santa Missa de hoje.
Uma verdadeira heresia para o 5º Domingo da Quaresma.
Em um evangelho tão especial como o de Lázaro, ser "contemplado" com as suas palavras foi extremamente constrangedor.
Pe Ernesto que me desculpe, mas qdo for trocar sua homilia por "discussoes humanitárias", deveria avisar seus fiéis antes.
Não foi isso o que eu busquei na Santa Missa de hoje.

Loan disse...

Esse texto não é uma simples acusação. É uma chamada para pensarmos. Nem tudo que é concreto precisa ser de cimento. As idéias mudam as coisas.

E o que a Igreja está fazendo, aliás? Cultivando um livro tão imundo quanto a Bíblia.