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segunda-feira, 18 de abril de 2011

O desconcerto de um estudante de Jornalismo




Quanto mais me aproximo do final da faculdade menos enxergo romantismo na profissão do jornalista. Nossa profissão é essencialmente ligada ao diferencial social. Quando se escreve para toda uma sociedade o que se tem em vista é a melhoria desta. Não é o que acontece atualmente. Guiados pelo desmerecimento contínuo com a falta de exigência do diploma, redações cada vez mais cheias, salários baixos e chefes ceifadores dos “crentes” no Jornalismo Cidadão, o jornalista recém-formado na verdade não sabe pra que lado se atirar.

A profissão de jornalista tem tantas abas a serem abertas que elas nos confundem os olhos com essa complexidade de rumos a escolher. Antes de você pisar no teu caminho já tem algo te puxando pra outro lado, é um GPS guiado por uma voz de manicômio, é um desconcerto agonizante. Somos obrigados a sair da faculdade melhores do que os já estão no mercado há tanto tempo. A profissão do jornalista, maximizada na era da informação movida pelo capitalismo, parece ser vítima desta busca constante pelo lucro. Querer ser digno na profissão muitas vezes esbarra em não ter um salário justo.

Se a internet nos propiciou tanto, ela também nos trouxe como concorrente o mundo todo. A inteligência coletiva de Pierre Lévy anda se concretizando a passos largos em alguns casos. Em outras situações o que se vê é o esteriótipo de “desinformação coletiva”. Todos com suas verdades absolutas gritam aos quatro ventos suas fontes, localizadas em seus próprios cérebros. Muitos dizem que a não-exigência do diploma é consequência da modernização do Brasil, eu diria que na verdade foi um tiro no pé, pedir pra que não se qualifique seria absurdo em qualquer profissão, no meio jornalístico não é, é “liberdade de expressão”.

Informar é uma responsabilidade séria, nos bancos da faculdades somos orientados sobre como agir de forma correta, somos apresentados ao Código de Ética dos Jornalistas, nos mostram todo o contexto em que seremos inseridos. Passando os quatro anos somos jogados ao mundo, órfãos de diploma, perdidos em local íntimo. O excesso de jornalistas no mercado nos faz procurar locais como Assessorias de Imprensa, trabalho em propagandas políticas; no final do mês, afinal, quem vai pagar as contas? Minha ética ou o meu dinheiro?

Se o jornalismo é a busca incessante pela informação correta, pelo bem comum da sociedade e pela ética, teremos então que colocar um novo nome para o que é praticado em grande parte da grande rede e da grande mídia. Nossa profissão é ingrata. Não temos uma preocupação com nossos companheiros de lida; em meio a tantas ideologias políticas e chefes que se engalfinham, ficamos reféns, esperando uma solução que não chega. Os jornalistas “novos” são obrigados a se esconder nas empresas, bater cartão e tomar café em suas mesas, estáticos. Se a rua é o ambiente de trabalho do jornalista, o que estamos fazendo atrás desse computador?

*Estudante de Jornalismo, 22 anos

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