Redes Sociais conectam ideias e visões de mundo

segunda-feira, 7 de março de 2011

Redes sociais, mitos e verdades

As redes sociais nas rebeliões democratizantes

Por Stanilaw Calandreli
LEVANDO O CREDITO A QUEM MERECE.
From Voanews - DIGITALFRONTIERS

Estão as redes Sociais inerentemente democratizando?

“A Líbia não é o Egito, não é a Tunísia".  É uma observação feita recentemente por muitos. Mas agora não menos do que por Saif al-Islam, filho do autocrata líbio Moammar Kadafi. Ao contrário da Tunísia, há menos nacionalismo e mais identidade tribal na Líbia.  Ao contrário do Egito, não há fortes instituições líbias – como o exército – além das regras tipo tapa buraco de Kadafi. E ao contrário dessas duas nações e também de outras, as redes sociais estão influenciando pouco ou nada na revolta pró-democracia. "A Internet é mais ou menos irrelevante para esta luta,", observou o autor do livro ‘The Net Delusion’ e professor convidado da Stanford Univesity na California, Evgeny Morozov.  "Eles parecem estar funcionando muito bem sozinhos, geralmente contando com estímulo off-line e as redes off-line. E é por isso que, mesmo quando a Internet é desativada, como novamente aconteceu na Líbia, continuamos a ver os manifestantes nas ruas exigindo mudanças."

 Este é um campo familiar para Morozov.  Que se auto-intitula "cyber-realista", e argumenta em seu novo livro que a net e as redes sociais não são, inerentemente, uma força para a democracia: elas podem ser usadas para expandir a liberdade ou aumentar a repressão – dependendo das condições da realidade no local dos acontecimentos.  A Internet pode "ampliar e acelerar" ele disse a VOA, mas advertiu:

"Não há nada sobre a Internet que faz com que seja uma aliada dos governos democráticos ou autoritários.” “Tudo depende da situação política local”. “Países autoritários que são fortes e que tenham suas economias alegremente crescendo e que desfrutem de um mínimo de legitimidade política com a população, não cairão somente porque pessoas podem se mobilizarem ‘on-line’".

Isto vai contra a atual política do Departamento de Estado dos EUA, que tem, assertivamente, promovido acesso e liberdade na Internet como um meio para uma maior democratização.  Exatamente nesta semana, em um "diálogo da mídia social" no site do egípcio Masrawy.com, a Secretária de Estado Hillary Clinton elogiou os jovens organizadores da Praça de Tahrir, dizendo que os EUA assistiram a revolta egípcia. "… com grande admiração."  Ela continuou:

"E, certamente, fornecemos grande parte das ferramentas”. “Quero dizer que Facebook, Twitter e até mesmo a Internet, são invenções americanas, e estamos orgulhosos de que essas invenções estão ajudando a conectar pessoas ao redor da democracia, direitos humanos, liberdade e a uma agenda que levará a uma vida melhor no Egito."
Morozov chama tais afirmações de "ingênuas" – ou pior.  "No mínimo é mais prejudicial do que útil a uma ampla luta pela liberdade e democracia, assim como é, atualmente. concebido por Hillary Clinton," ele observa.
Poucos duvidam do tamanho do desafio na Líbia.  Geograficamente é uma grande nação com uma população pequena e limitada infra-estrutura, alguns recursos apenas, além do petróleo, baixas taxas de alfabetização, baixo nível de confiança no governo – e quase nenhuma penetração de Internet. A União Internacional de Telecomunicações da ONU estima que aproximadamente 5% da população tenham acesso à web, com taxas de penetração nos meios de comunicação social, como Facebook, ainda mais baixa.
"Creio que em cada país você tenha um diferente mix de elementos," diz o professor da NYU Jay Rosen.   "Você tem a natureza do regime e como ele tem imposto seu poder ao longo dos anos. Você tem o desenvolvimento ou a inibição de um sistema político – em alguns lugares há uma oposição, como na Argélia, e em outros lugares ela tem sido reprimida, como no Egito."
Filosoficamente Rosen situa-se em algum lugar entre os "ciber-utopistas" – como Morozov chama o Estado – e os "ciber-cínicos" – como o Estado chama Morozov.
"Ninguém pensa que o Twitter pode derrubar ditadores," Zomba Rosen, referindo se a uma parte da velha e nova Media que usam o refrão: ‘não é tão simples, assim’ ou ‘Twitter não pode derrubar ditadores’ para responderem aos que afirmam ser o crescimento da Internet e suas Medias Sociais, Facebook, Twitter e outras o responsável pela insurgência no Oriente Medio:
“Eu acho que é um título de notícia, é uma história para atrair, é uma barra lateral, é uma piada, é uma criança brincando na caixa de areia, é um playground”.
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Trecho do hiperlink de Rosen:.
É difícil definir, qual o peso da Internet e suas ferramentas de média social – Facebook e Twitter – nas recentes insurgências como Iran e Modolvia em 2009, Tunísia e Egito neste ano. Pelo fato das ferramentas serem razoavelmente novas, naturalmente, arrastam as atenções de muitos analistas, jornalistas e escritores de manchete procurando por uma “sexy” barra lateral, noticiando um evento de interesse. E inevitavelmente algumas pessoas ficam ‘entusiasmadas’. Então uma coisa estranha acontece. Um número, ainda maior de pessoas, fica preocupado ao ver tantas pessoas neste ‘entusiasmo’. E decide trazê-los de volta ao mundo real, “Isto não é tão simples” eles gritam. O nome que estou dando a estes gritos é “Twitter não pode derrubar ditadores”, um ‘gênero’ que está começando a criar seus próprios problemas, inchando sua própria cabeça. Aqui está em forma condensada, um trecho do post  na primeira página do On The Media/WNYC:
“Manifestantes inundaram as ruas na Tunísia nesta semana exigindo o fim da corrupção e a renuncia do presidente Zine EL Abidine Ben Ali. Muitos têm atribuído a onda de protestos ao crescimento da Internet e suas Medias Sociais num país notoriamente conhecido por censura, mas o ‘blogueiro’ especialista em  Política Externa, Marc Lynch, diz não ser tão simples assim.”
Como se nós pensássemos que assim fosse. Alguns recentes exemplos de “Twiter não pode derrubar ditadores”:
Mubarak caiu. Mas vamos ser claro – Twitter não teve nada com isto. (Will Heaven, The Telegraph, UK)
O Egito precisa do Twitter? (Malcoln Gladwell, The New Yorker)
Qual combustível está alimentando os protestos no Oriente Médio? (Daniel Kravets, Wired.com)
Agora o melhor exemplo – Pessoas, não Coisas, são as ferramentas da Revolução. (Devin Coldewey – TechCrunch)
As revoltas não têm obrigatoriamente de serem Twitadas. (Laurie Pennie, The New Statesman, 15 de fev
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Portanto, qualquer nuance no entendimento do papel que a Internet realmente desempenha na luta democrática pelas necessidades, varia de país a país.  Em alguns lugares, como no Egito, ela desempenhou um grande papel – embora, alguém date diretamente como início o movimento de 16 de abril de 2008.
 "As condições econômicas e o desespero da população é um enorme fator. A relação entre as forças armadas e o ‘cara’ que está no poder é um enorme fator. Níveis de educação é um fator enorme. Assim quando você adiciona mídia social nesta combinação, tais fatores são realmente importantes para determinar o que a mídia social significa. Nós estamos tentando evitar um árduo trabalho que realmente não pode ser evitado.” Diz Rose.
 "As pessoas não estão se despejando nas ruas porque eles têm uma conexão com a Internet ou perfil no Facebook," diz Morozov.  "Não é preciso muito para obter o direito a Internet." Mas o Estado, ele diz, “ foi dominado pelo tipo errado de mentalidade centrada na internet.  São pessoas focadas na tecnologia, em vez de focarem num cenário  geopolítico mais amplo".
Então. Tem a Internet, nestes últimos meses, sida uma força para a democracia – no Egito, ou Tunísia – ou repressão – como na Síria ou no Irã?   Responder a isso, diz Jay Rosen, vai precisar de algum tempo e trabalho.
 "Uma maneira de olhar é examinar com olho clínico, exatamente como as pessoas que organizaram os protestos contra os regimes, fizeram este trabalho e essa ação coordenadamente irradiada – exatamente como eles fizeram seu trabalho dia-a-dia. Outra maneira de descobrir, embora difícil, seria ver como as pessoas que lutaram contra os manifestantes fizeram seu trabalho, tentando controlá-los ou perseguindo-os, na tentativa de evitar que fossem bem sucedidos.”
Isto é quase igual um post-mortem.  Mas, será neste nível de ação que chegaremos à resposta da nossa pergunta.

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