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O “racha” na blogosfera dos Estados Unidos


por Luiz Carlos Azenha
A blogosfera progressista dos Estados Unidos rachou. “Rachou” talvez seja um verbo muito forte e definitivo, para algo que nunca foi monolítico e flutua de acordo com a conjuntura política.
Mas há, agora, dois campos muito distintos, que estiveram unidos no período que antecedeu a eleição de Barack Obama.
Naquela época, em que o Netroots era embrionário (Netroots e blogosfera progressista são quase sinônimos nos Estados Unidos).
O fato é que, depois da campanha, o governo Obama foi paulatinamente desmobilizando a gigantesca base de voluntários que se organizou antes da campanha e que pretendia, de alguma forma nunca definida, influir nos rumos do governo.
Barack Obama ficou diante de decisões políticas importantes em seu início de mandato e não teve dúvida: ajudou muito mais aos banqueiros que aos trabalhadores. Ah, Azenha, mas ele deveria deixar a economia americana quebrar?
Não se trata disso, caros leitores. Trata-se de uma postura política. Obama priorizou os banqueiros enquanto vertia lágrimas de crocodilo pela classe média e pelos trabalhadores.
Entregou-se, sem qualquer tipo de reação, à agenda da extrema-direita americana, mobilizada pela Fox News e pelo Tea Party (os republicanos conseguiram a mágica de provocar o crash, pendurar a conta do crash nos cofres públicos e faturar politicamente o desgosto público com o resgate dos banqueiros).
O debate político caminhou de tal forma para a direita, com as subsequentes rendições de Obama, que hoje em dia os republicanos são capazes de culpar a “mordomia” dos funcionários públicos pela falência nacional!
E quem se rendeu junto com ele? Um bom pedaço da blogosfera. Com pequenos grunhidos, aqui e ali, progressistas de organizações como a MoveOn endossaram, muitas vezes de forma acrítica, todas as decisões do governo Obama.
Quando a coisa ficou feia, Obama deu a um progressista a presidência da Casa Walt Whitman.
Hoje, em Madison, Wisconsin, quando os trabalhadores locais concordam em fazer concessões financeiras ao estado, mas não aceitam ceder o direito coletivo de barganha, ficam diante de uma triste realidade: não tem como cobrar de Obama uma postura mais agressiva em defesa deles. Se atacarem os republicanos, não saem na mídia corporativa. Se criticarem Obama, perdem espaço em importantes endereços da blogosfera progressista.
Razão pela qual está surgindo, agora, a RootsAction.org, para se juntar a outros sites e blogs que já adotam postura independente em relação ao governo Obama.
O fundador fala em “corporificação” do Partido Democrata para justificar sua decisão de mobilizar as pessoas na rede sem depender dos democratas em geral e de Obama em particular.
Uma das ideias do grupo é criar um imposto financeiro nos Estados Unidos (sobre transações) para cobrir os rombos deixados por Wall Street. É uma ideia que Obama jamais traria para o debate político, já que a essa altura, na defensiva, ele está quase discutindo a “reforma da Previdência” com os republicanos (com objetivos óbvios).
“Não há agenda progressista de Obama”, disse o fundador do RootsAction, “teremos de criá-la de baixo para cima”.
É mais ou menos o que diz o Altamiro Borges, no Brasil, de uma forma muito mais diplomática, no memorável artigo que titulei “De puxa-sacos, Brasília está lotada”.

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