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Espaço Público



Todos reclamamos da violência, reclamamos da insegurança e a vida anda mesmo mais insegura. Mas uma das razões que explica esse aumento de insegurança é o abandono dos espaços públicos, quase sempre preferimos nos entreter em shoppings, bares, e lugares fechados e privativos do que nos antigos espaços como praças, ruas e logradouros públicos.
Não existem espaços vazios, espaços são sempre reivindicados por alguém ou grupo. Não foi a praça que se tornou violenta e a partir daí as pessoas dela saíram, as pessoas saíram da praça,a abandonaram e depois ela se tornou um lugar perigoso.
O mesmo pode se dizer da rua. Primeiro nós entramos para dentro de nossas casas, fechamos a porta e só depois quando as ruas ficaram vazias é que elas se tornaram inseguras e perigosas.
Nós cidadãos de bem é que deixamos os espaços públicos serem ocupados pelos marginais depois que destes espaços nos retiramos.
Foi nesse contexto que o Sr Justino morador à décadas da Região do Asa Delta, Associação pública de moradores que se localiza entre os bairros Bom Jardim, Jardim Urano, jardim novo mundo veio a público dizer que a praça da Associação asa delta está completamente abandonada. Falta reparo nas calçadas, construção de bancos com encostos, uma vez que os atuais não os tem, corte da grama, cuidados de vários tipos com um dos poucos espaços públicos daqueles bairros.
Ser Justino tem razão, a recuperação dos espaços públicos de convivência é fundamental para minorar a violência, amainar a sensação de insegurança das pessoas. Criar nas praças da cidade um ambiente acolhedor e espaço de atividades que atraiam as gentes que moram nestes bairros é crucial. Quanto mais nos escondermos em casa e em shoppings, pior.
A tendência a morar em condomínios é o mesmo que o abandono das praças em décadas passadas. Se passarmos a morar em condomínios não serão mais as praças a serem violentas, será a cidade toda. Fugir é agravar o problema, não minorá-lo. Refugiar-se é entregar o espaço ao inimigo, pior é incentivá-lo a ocupá-lo.

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