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domingo, 13 de março de 2011

Escola e educação


Adriana Dias - Diretora Escolar




OI PESSOAL, VEJAM O DESABAFO DESTA PROFESSORA, QUE SE PARECE BASTANTE COM OS DISCURSOS DOS PROFESSORES DA ESCOLA Q ATUO!! O QUE FAZER PARA RECUPERAR TANTA FALTA DE ESPERANÇA NA EDUCAÇÃO ESCOLARIZADA? COMO FAZER COM QUE OS DOCENTES LOCALIZEM A CRISE DE AUTORIDADE QUE VIVEMOS E ASSIM POSSAMOS ENCONTRAR UM CAMINHO MENOS SAUDOSISTA E MAIS ADEQUADO PARA EDUCAR OS JOVENS, NUMA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO DE MAIS RESPEITO MÚTUO?OBRIGADA!! ABRAÇOS FRATERNOS !! ADRIANA




 
 
     
 Trecho da reportagem na revista Veja: ...o pedagogo Doug Lemov depreendeu algo que a breve experiência brasileira já sinaliza: "Os professores perdem tempo demais com assuntos irrelevantes e se revelam incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital". 
 
Muito interessante a resposta da nossa colega. Vale a pena encaminhar pra todos!


RESPOSTA À REVISTA VEJA


Sou professora do Estado e fiquei indignada com a reportagem da
jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”. É com grande
pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do
mau desempenho escolar com as VERDADEIRAS  razões que  geram este
panorama desalentador.
Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas  para
diagnosticar as falhas da educação. Há necessidade de todos os que
pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de
alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital” entrem numa
sala de aula e observem a realidade brasileira. Que alunos são esses
“repletos de estímulos” que muitas vezes não têm o que comer em suas
casas quanto mais inseridos na era digital? Em que  pais de famílias
oriundas da pobreza  trabalham tanto que não têm como acompanhar os
filhos  em suas atividades escolares, e pior em orientá-los para a
vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas e
destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente
são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras. Está na
hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são
impostas. Problemas da sociedade deverão ser
resolvidos pela sociedade e não somente pela escola.
Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde
pai e mãe, tios e avós estavam presentes e onde era inadmissível
faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores e
não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras,
faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”.
Estímulos de quê?  De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar
em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o
têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior envolvidos nas drogas.
Sem disciplina seguem perdidos na vida. Realmente, nada está bom.
Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção,
orientação e disciplina. Rememorando, o que tínhamos nós, os mais
velhos,  há uns anos atrás de estímulos? Simplesmente:
responsabilidade, esperança, alegria. Esperança que se estudássemos
teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje
os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais. Para quê
o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos olhos
brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção de
somente brincar com os amigos,  de ir aos piqueniques, subir em
árvores? E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria.. Cantávamos o
hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa e
sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos
não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas
eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para isso. Hoje,
professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham
com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em
sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução),  levam alunos
à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só os mais
corajosos!) e, algumas escolas
públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios
interessantes, planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero. E,
mesmo, assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso,
esses mesmos professores “incapazes”,  elaboram atividades escolares
como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem
remuneração; Todos os profissionais têm direito a um intervalo que não
é cronometrado quando estão cansados. professores têm 10 minutos de
intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às
pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale
alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do
próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 h.semanais. E a saúde? É a única
profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que
repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário.    Há de se pensar,
então, que  são bem remunerados... Mera ilusão!
Por isso, cada vez vemos menos profissionais nessa área, só
permanecem os que realmente gostam de ensinar, os que estão
aposentando-se e estão perplexos com as mudanças havidas no ensino nos
últimos tempos e os que aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem
ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que
esforcem-se em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de
“vaca”,”puta”, “gordos “, “velhos” entre outras coisas. Como isso é
motivante e temos ainda que ter forças para motivar. Mas, ainda não é
tão grave. Temos notícias, dia-a-dia,  até de agressões a professores
por alunos. Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais
e familiares. Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de
Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de
incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite. E acho que
esse grau já ultrapassou. Chega de passar alunos
que não merecem. Assim, nunca vão saber porque devem estudar e
comportar-se na sala de aula; se passam sem estudar mesmo, diante de
tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime! Vão passando
série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples.
Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é
cruel e eles já são adultos. Por que os alunos do Japão estudam? Por
que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o
mais importante é  porque há disciplina. E é isso que precisamos e não
de cronômetros.  Lembrando: o professor estadual só percorre sua
íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas,
preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria dos
professores está constantemente estudando e aprimorando-se. Em vez de
cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais,
quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande
maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e
em maior quantidade. Existem muitos colégios nesse Brasil afora que
nem cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa
realidade!  E, precisamos, também, urgentemente de educação para que
tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo
Em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher
os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões  (ô, coisa
arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!
Passou da hora de todos abrirem os olhos  e fazerem algo para evitar
uma calamidade no país, futuramente. Os professores não são culpados
de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os
professores  até agora  não responderam a todas as acusações de serem
despreparados e  “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas
motivadoras é porque não tiveram TEMPO. Responder a essa reportagem
custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas
corrigidas.

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