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terça-feira, 1 de março de 2011

Economia e por que ela não coaduna com Sustentabilidade

Nova economia para a sustentabilidade

Do Brasilianas.org
Por Lilian Milena
Da Agência Dinheiro Vivo 
Altos investimentos para mudar a matriz energética por fontes e tecnologias menos poluentes não serão suficientes para tornar a sociedade humana sustentável. Será preciso frear o consumismo concentrado em populações ricas e modificar a cultura que impõe o consumo excessivo como fator necessário ao bem estar social.
A conclusão é de especialistas que ajudaram a escrever o relatório anual do WWI (Workdwatch Institute), Estado do Mundo 2010. Erik Assadourian, pesquisador sênior do WWI e diretor de projeto desse trabalho, fala em “remodelar radicalmente o modo das pessoas entenderem e agirem no mundo”.
Os recursos naturais extraídos anualmente hoje são 50% superior ao que era extraído há 30 anos. Um europeu consome cerca de 43 quilos de recursos todos os dias, enquanto um americano médio, 88 quilos. Esse material é equivalente ao que seria necessário extrair da terra para construir 112 prédios Empire State por dia.
A Pegada Ecológica, indicador que compara o impacto das atividades humanas sobre a capacidade produtiva da terra, aponta que a humanidade utiliza recursos e serviços de 1,3 Terra (mais do que um planeta Terra).
Mas o papel de cada país nesse processo é bastante desigual. Estima-se que as 500 milhões de pessoas mais ricas do mundo, ou 7% da população mundial, respondam por 50% das emissões globais de gases de feito estufa, já os 3 bilhões mais pobres espondem por apenas 6%. O trabalho traz ainda que, em 2006, os 65 países mais ricos, que juntos representam 16% da população mundial, tiveram participação em 78% dos gastos de consumo.
“Considerando-se apenas os Estados Unidos, houve um gasto de US$ 32.400 por pessoa, o que representa 32% dos dispêndios globais feitos por apenas 5% da população mundial”, completa Assadourian.
Em 25 anos, a substituição de mais da metade dos combustíveis fósseis exigirá a construção de 200m2 de painéis solares fotovoltaicos por segundo, 100m2 de painéis solares térmicos por segundo, mais de 24 turbinas eólicas de 3 megawatt por hora funcionando continuamente. Ironicamente, "tudo isso demandaria enregia e materiais tremendos", completa o porta-voz da WWI.
Todos os anos, 7 milhões de hectares de florestas são derrubados no mundo; no mesmo período, também são produzidos 100 milhões de toneladas de dejetos perigosos, às custas do modelo de consumo. A partir desses dados surge a preocupação de como melhorar a condição de vida de bilhões de pessoas dentro de um modelo econômico sustentável - atualmente um bilhão e meio de pessoas vivem com menos de US$ 1,25 por dia, situando-se abaixo da linha da pobreza.
Assim, os hábitos estabelecidos e que englobam os fatores que definem a cultura deverão ser modificados. "O consumismo está hoje infiltrado de modo tão absoluto nas culturas humanas (...) Ele dá a impressão de ser simplesmente natural. Mas, de fato, os elementos culturais - linguagem e símbolos, normas e tradições, valores e instituições - foram profundamente transformados pelo consumismo em sociedade", coloca Assadourian.
Uma pesquisa britânica, realizada em 2002, constatou que as crianças dessa nação conseguiam identificar mais personagens do desenho animado Pokémon do que espécies de animais. Nas últimas décadas, também se registrou a crença de que a posse de bens materiais é cada vez mais importante para obtenção de uma vida de qualidade.
Um trabalho americano, realizado por 35 anos com alunos do primeiro ano de faculdades dos Estados Unidos, revelou que durante essas três décadas e meia o jovem americano passou a dar mais importância à realização financeira. Já a importância de se construir uma filosofia plena de vida, diminuiu.  
Para acessar o livro na íntegra, clique aqui.

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