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Folha de São Paulo: Duas maneiras de dar a noticia

Enviado por luisnassif, ter, 08/03/2011 - 16:32

Putzgrila! No ano passado, quem apontasse essa revolução regional era taxado de "chapa branca". Imagino a cabeça dos leitores da Folha lendo essas matérias e comparando com o padrão do ano passado.

Escrevi sobre isso pouco mais de um mês atrás. As tentativas de avançar, ainda no governo FHC, esbarraram

Por jefcandido

A Folha achou o "santo" do milagre do boom do Nordeste! Parece informe publicitário, mas é matéria jornalística mesmo!

Porto de Suape, de elefante branco a polo industrial

AGNALDO BRITO
DO ENVIADO ESPECIAL A SUAPE (PE)

Idealizado como porto-indústria ainda na década de 1960, o Complexo de Suape chegou a ser apontado como um imenso "Elefante Branco" e um sumidouro de dinheiro público.

A história começou a mudar em 1997, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, quando a União se convenceu de que o velho porto de açúcar dos holandeses três séculos e meio antes poderia muda a história do Nordeste.

Duas obras são considerados hoje elementares para a mudança da história de Suape: a abertura dos arrecifes e a construção dos primeiros três berços para atracação dos navios.

Isso viabilizou a criação de uma estrutura portuária interna, antes dos arrecifes. Até então, a modesta estrutura de um píer avançado para o mar era tudo o que Suape tinha.

"Dos 12 governadores que assumiram o estado ao longo de 50 anos, cada um do seu modo e ao seu tempo apostaram em Suape. Foi essa insistência de vários governos que transformou Suape no que é hoje", disse Sérgio Kano, diretor do Terminal de Contêineres de Suape e ex-presidente do porto.

Os investimentos aumentaram na última década. Da idealização do porto até meados da década de 1990, Suape havia recebido apenas cerca de US$ 300 milhões.

A partir da obra nos arrecifes (abertura de uma faixa de 400 metros de largura e aprofundamento do canal até 16,5 metros), a aposta no porto começou.

O primeiro projeto foi o terminal de contêineres, que se prepara para alcançar capacidade para movimentar 700 mil TEUs (um TEU equivale a um contêiner de 20 pés).

Até 2010, as estimativas indicam investimentos de US$ 3 bilhões para dotar o porto de condições adequadas para receber grandes navios. Hoje, nem o Porto de Santos, o mais importante do país, tem condições de receber embarcações do porte que podem atracar em Suape.

"São esses investimentos públicos, tão criticados, que estão viabilizando aportes privados em projetos industriais de grande porte que já totalizam bilhões de dólares. Sem essa aposta, nada disso teria sido possível", diz Kano.

Comentário

Confira como a Folha tratava o mesmo tema no dia 5 de setembro de 2010



Folha de S.Paulo - Crescimento desordenado desafia região - 05/09/2010

Crescimento desordenado desafia região

DO ENVIADO A PERNAMBUCO

A rua principal da praia de Gaibu, no Cabo de Santo Agostinho (PE), está imprestável -esburacada, com montes de pedra, terra e sujeira.

Segundo moradores, a praça do lugar virou ponto de crack, e, com a chegada de trabalhadores de todas as partes para o polo de Suape, jovens se prostituem cada vez mais cedo.

O centro de Ipojuca, que, graças a Suape a ao turismo, tem o maior PIB per capita de Pernambuco (R$ 76.418, IBGE-2007) é degradado, feio e caótico.

Apesar de endinheirado, o município tem alta incidência de pobreza (62,8%, IBGE-2003). O crack também chegou a Porto de Galinhas, praia mais badalada da cidade.

O boom gerou um crescimento desordenado, numa região sem infraestrutura adequada ao salto.

Embora parte da solução pudesse vir de programas federais, os problemas estão longe de afetar o prestígio de Lula por ali.

"A situação está crítica, não há nenhuma segurança para sair à noite, e a pracinha virou uma cracolândia. Até o final do ano, vou embora daqui", relata o comerciante José Fernando dos Santos.

Sobre Lula, o tom muda: "Ele acordou Pernambuco, um Estado que estava se acabando. Vou votar em Dilma sem gostar muito dela, só por causa dele".

Outro efeito nocivo do boom é ambiental. A ampliação de Suape afeta a pesca. A construção do novo estaleiro aterrou parte de uma ilha e destruiu manguezais.

"Pescava 200 kg de peixe. Hoje, volto sem nada", queixa-se Nelson Santana da Silva, 56, uma ave rara: é um dos últimos pescadores da praia de Calhetas e o único, entre cerca de 30 entrevistados na região, a falar mal de Lula. (FV)

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