Pular para o conteúdo principal

Depressão pós-carnaval



Você há de concordar comigo que pior que não ter feriado é voltar do feriadão.
O pós carnaval produz uma tragédia emocional que é impossível esconder. A gente vai para o trabalho se arrastando. O trabalho que era chato, ruim, desencantado antes do carnaval, depois é insuportável.
Se fizer uma pesquisa sobre a imagem que as pessoas tem do seu trabalho antes e depois do carnaval, tenho quase certeza que dará diferenças para pior depois do festa da carne.
Nas escolas então, isso é uma aberração. Os professores voltam às aulas num estado desesperador.
A verdade é que as pessoas estão tendo que viver num estado de pressão e cobrança muito acima daquilo que é suportável. Soma-se a isso salários aquém do necessário para se ter uma vida razoável. Carros que são vendidos em 72 prestações só quer dizer uma coisa, as pessoas não podem comprá-los.
Afora salários que na maioria das vezes é subestimado, a insegurança é permanente, amanhã nada garante que estaremos em nossos empregos ainda que sejamos bons funcionários.
De um lado, uma relação com o trabalho que está muito longe da promessa, falsa, na maior parte dos casos, de realização profissional; de outro, a pressão por consumo e a idéia que consumindo sua vida vai melhorar.
O resultado é endividamento muito acima das possibilidades e a necessidade de trabalhar mais ainda. Durma com um barulho desses.
O sistema é bruto me disse certa vez um eletricista aqui em casa. Sim, e aprender a viver é duro. Antigamente as pessoas sabiam disso. O problema hoje é que nossa expectativa é de sermos felizes, isso torna o normal ruim, torna o suportável insuportável.
Desejar ser feliz é o primeiro passo para complicar as coisas. A vida é o que ela é, precisamos nos preparar para isso, e nos preparando sabermos lidar com as dificuldades.
Agora que tá brabo tá.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Se o mundo tivesse 100 pessoas LEGENDADO (premio Cannes)

Ter pinto é crime

Luciano Alvarenga
Uma coisa é o movimento feminista, outra, são as mulheres. Feministas gostam de política, ou pelo menos de terem contra o que levantar suas bandeiras de ódio; mulheres gostam de homens e de uma vida alem da política. O movimento feminista foi desde o princípio, pelo menos aquilo que se pode chamar assim, nos anos 1950, não em direção as mulheres, mas contra os homens. O homem sempre foi o alvo do movimento; não se trata de libertar a mulher seja do que for que se imagine ela precise ser liberta, mas de constranger o masculino de tal forma que o movimento feminista, não as mulheres, tenha mais e mais poder. Aliás, o movimento feminista não está nem ai com as mulheres, basta ver o absoluto silêncio desse movimento em relação à presença de um jogador de vôlei masculino (há quem acredite que lhe terem amputado o pênis e convertê-lo numa vagina, o tornou mulher, kkkkk) num time feminino, sem que isso cause o menor constrangimento político no movimento feminista (aqui é mais…

Sem chão nem utopia

Luciano Alvarenga A grande promessa da modernidade foi oferecer liberdade contra tudo e qualquer coisa que pudesse impedir os indivíduos de fruírem a vida sem amarras. Podemos dizer que, tal liberdade foi conquistada plenamente, e ainda que alguns resquícios de passado, com suas imposições e limites ainda resistam, derretem rapidamente nesse momento; não deixando atrás de si nada que possa servir como estandarte pra novas rebeliões. Não há contra o quê se rebelar. Todos os sólidos do passado, seja moral ou secular, estão liquefeitos; ao indivíduo resta apenas o destino de se guiar, tendo a si mesmo como referência. Ao mesmo tempo em que goza de todas as liberdades, vividas ou sonhadas, realizadas ou posta como possibilidade, o que se desenha nas pegadas daquele indivíduo é o medo, o receio, a insegurança, a incerteza em relação a si mesmo e aos seus destinos possíveis. A própria ideia de destino nada mais é que uma imagem, uma ilusão de quem ainda pensa que se guia de acordo com alguma r…